quinta-feira, 21 de junho de 2012

Leiteria - Uma explosão atlântica

Por Gilson Moura Henrique Junior

Existem momentos em que o futebol garante dias, sorrisos, medos e ódios.

Há no germe do ludopédio a máxima da insanidade e da criação de clássicos da tragicomédia humana, como se a mistura de tudo o que foi escrito na literária vida humana, na história dos tempos se resumisse e jactasse da dramaticidade cômica em um resumo mutante chamado Futebol.

Há no futebol uma condensação de loucuras, amore,s ódios e horrores, que destrutivos ou genialmente criativos movem a roda do destino e remitologizam o viver.

Saem Hércules, Teseu e Perseu, entram Garrincha, Pelé, Messi, Cristiano Ronaldo, Deco, Luis Fabiano, Danilo, Juninho Pernambucano.

É no futebol que heroísmos sangram por sofrerem um carrinho maldoso ou belezas são construídas com corpos no ar em uma bicicleta, chutes cruzados mortais, ou aquele gol que faz das multidões explosões atlânticas, enchentes amazônicas na roda viva do poeta, no coração dos poetas cantores deste Brasil Varonil.

É no Futebol que a jornada do Herói se concretiza em jornadas épicas como a  do Fluminense em 2009, em solidas campanhas como a do Corinthians na libertadores deste ano, onde a queda de um gigante como o São Paulo, tri Brasileiro em 2007/08/09 e hoje um time sem alma.

É no Futebol que jovens como Wellington Nem tornam-se esperança, veteranos como Juninho Pernambucano e Deco são marcos fundadores de esperança de torcidas que se espalham apaixonadas por um país que ama com todos os seus sotaques, antes de tudo, o viver as cores de cada tradição chamada clube.

Ontem mais uma torcida se alegrou com uma vitória que a eleva, pela primeira vez, a finalista de uma Libertadores. Mais uma torcida chega perto do píncaro máximo, de fixar sua bandeira no ponto mais alto dos Andes e encheu a cidade de São Paulo de uma mistura de alegria e ódio que faz do Futebol a marca de uma megalópole.

E é o Futebol que gera essa corrente de emoções que nos faz humanos, que nos faz guerreiros, mosqueteiros, galos, santos.

E é nessa explosão atlântica que deita nossa fé e nosso orgulho, nossa forma de ser humanos, tricolores, alvinegros.

Que bom!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Moeda em Pé - São Paulo x Santos, quando o ruim é magistral

Por Fernando Amaral, vulgo Quodores

A broca, mas a broca mesmo, o prego na roda, quando a gente é convidado a escrever num blogue batuta é que temos vontade de escrever, mesmo sem ter o quê. É verdade que o blogue batuta em questão é sobre futebol e sobre o ludopédio sempre há alguma cousa que tenha que ser escrita: das obviedades lunares ao canto da torcida, dos lororós acadêmicos sobre tática, encaixe, volante e ponta de lança aos porres triunfais das vitórias espetaculares, da galhofa ao vizinho ao trem da dor da ilusão perdida. E, confesso, essas ilusões perdidas sempre rendem... Como o cotovelo é um órgão mágico, concluo sempre: as melhores estórias são as do cotovelo. Mas, ando sem inspiração...

Venhamos e convenhamos, minha proposta cá neste espaço generoso que me foi disposto é escrever sobre o São Paulo Futebol Clube e suas epopeias - porque todos sabem em todos os mundos que o destino do São Paulo são as epopeias, pois as histórias comesinhas, o "rame rame”, o cotidiano não nos dão barato – e esta missão ultimamente é árdua. O São Paulo ultimamente tem se dedicado de forma singela e mequetrefe a construir banalidades, frivolidades, coisas típicas para assanhar jornal. Mas as epopeias, como a fantástica história da “Moeda em Pé”, estas estão ficando nas prateleiras da memória, como se o nosso hino espetacular e soberbo fosse, na verdade, vaticínio: “as suas glórias, vem do passado.”.


Juvenal Juvêncio banalizou o São Paulo. De diretor e presidente responsável pela criação e gestão de um dos times mais vitoriosos e briosos da história sagrada do nosso manto se transformou num cartola típico de filme de caubói, de novela das oito ou de policial enlatado. A alteração do estatuto do clube e a maldita usurpação da taça das bolinhas maculam completamente nosso branco, tiram o sangue do nosso vermelho e enfurecem o nosso preto até o limite da desonra. 


Mas não quero falar dessas coisas terrenas, que me dão engulhos, náuseas, vômitos, cóleras fulminantes, triglicérides violentas e colesteróis abruptos. Quero as nossas arrogâncias no devido lugar: de orgulho e não de teimosia e soberba. 

Escrevo estas bobeiras sentimentais só para expor o quanto foi trágica a partida de domingo passado contra o Santos Futebol Clube. Uma das partidas mais horrorosas, fantasticamente péssimas, extraordinariamente terríveis que tive o prazer de assistir, pela TV é verdade. A partida foi de uma bizonhice tão singular que restituiu minha crença na vocação milenar do “Mais Querido” que são as grandes epopeias, as jornadas incríveis, o domínio do mundo pela razão: A partida foi tão maravilhosamente tenebrosa que se tornou uma grandiosa e eloquente demonstração da ruindade universal. Não é pouco! E ganhamos! Com gol de Paulo Miranda, o mais apupado dos seres humanos. O São Paulo é isso: De uma grandeza imperial, ímpar, sui generis. Até na ruindade. 






E por fim, Émerson Leão é arrogante, chato, prepotente, coronelzão. Mas é tudo fachada. É, na verdade e unicamente, boleiro. Talvez esteja ultrapassado na forma de pensar taticamente a disposição do time, mas poucos entendem tão bem este mundo tão legal que era o futebol antes do teipe, do tira-teima, do “fair play”, da “arena” e das pantufas nas arquibancadas. Suas entrevistas pós- jogo são dignas de nota, sempre. Repletas de lugares comum, do “time fez por onde”, mas de finas ironias quando fala do desempenho dos jogadores e dos jornalistas, de sarcasmo e de humor. E depois que deixou aquele ridículo acaju para assumir a juba branca, virou um senhor de respeito. Não é pouco! Mas por todas as caçarolas atômicas do universo: O Fernandinho, de titular, outra vez, nunca mais!



13.06.2012


Ps. As fotos, retirei da internet. E o desenho do "Grandes Ídolos" é do sítio oficial do SPFC, desenho do grande Batistão.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Solucionática: Mais que um camisa 10

Por Felipe Alves

Apesar do que boa parte da mídia esportiva fez parecer, o Pacaembu testemunhou neste final de semana algo mais do que a simples estréia com o manto alvinegro da mais recente persona non grata da Gávea. Mesmo longe da massa apaixonada que torce contra o vento, o Galo teve uma atuação contra o vendaval oriundo dos sopradores de apito e levantadores de bandeira e se viu forçado a anotar três tentos para ter apenas um deles validado pelos distintos senhores. Ossos do ofício e três pontos justos para uma atuação que se não foi brilhante, foi aguerrida e manteve o tom do bom início de campeonato do atual campeão mineiro.

Com apenas um gol sofrido em quatro rodadas, Cuca parece ter acertado um bom sistema defensivo, que conta com um excepcional zagueiro que fez a sua quarta partida impecável seguida, um leão no meio-campo que com certeza deixou a torcida alviverde saudosa dos tempos em que vestia sua camisa, além de homens de frente voluntariosos apesar de pequenos, prontos a dar o primeiro combate e recompor a marcação quando da subida de algum dos homens de trás. Esse bom sistema defensivo herdado das últimas rodadas do Brasileirão 2011 recebeu ainda bons reforços nas laterais principalmente do lado direito, assumido por um prata da casa que fez ótimo campeonato pelo rival no ano passado.

À frente permanecem as falhas de finalização, principalmente do nosso pequeno projeto de craque, que acabaram compensadas pela ótima jogada seguida de linda assistência para o nosso centroavante, destaque das duas últimas partidas, anotar nosso único gol validado. Reforço ofuscado pela contratação-bomba da última semana, ele vem mostrando que veio pra briga e o ex-menino da Vila que se cuide e saia do comodismo pra garantir seu lugar.

Quanto ao ex-R10 e agora R49, fez uma estréia discreta porém promissora, o que já era esperado. A maior parte dos poréns acerca de sua contratação estão mais ligados aos fatores extracampo do que à qualidade do seu futebol dentro dele. Analisando friamente, seu desempenho no clube da Pat não foi ruim como alguns alardearam, se nos atentarmos aos números. 

Se a quizumba não se instalar, não duvidem que será extremamente útil para fazer o Galo alçar voos mais altos. A esperança está no fato de que ele não veio carregar o time, como alguns esperavam que ele fizesse no Rio. Veio para ser mais um toque de qualidade de um elenco que vem se afirmando e se mostrando cada vez mais entrosado e bem treinado, apesar do lapso que custou a eliminação da Copa do Brasil. Se a invencibilidade no estadual ainda deixava dúvidas, as três vitórias desse início de Brasileirão, sendo duas fora de casa e uma contra o atual campeão, já começam a inspirar mais confiança numa boa campanha. A ver se as atuações se manterão nesse bom nível com regularidade quando o Brasileirão estiver na potência total.

Leiteria - Trocando em Miúdos


Por Gilson Moura Junior

Fluminense e Internacional tem uma relação tórrida, especialmente recentemente quando se enfrentam com uma frequência assustadora e de uma forma acalorada, agarrada, quase que num transe erótico, físico, dolorido e pegado.

A nação colorada, marcada pela lógica de que a história começa em 2006, tende a nos classificar como o submundo da inexistência e uma afronta perambulante pela série A, e por vezes ignora a recente freguesia de três anos, fora que o conflito historicamente não é exatamente desequilibrado para os lados do Gigante da Beira-Rio.

Em meio aos entreveros de cada embate, Fluminense e Internacional se enfrentaram ontem  sob a mancha da zona que é a administração da CBF e sob uma chuva e um frio que se pra Gaúcho é frescura, pros Cariocas amantes de Futebol é um convite ao Pay Per View. Frio vá lá, mas Chuva é uma afronta.

O jogo em si começou mui bueno, coma taques lá e cá, uma surpreendente volta de Deco e Nem, que chegaram chegando, e com boa movimentação do digníssimo Fred, que parecia que estava feliz com seus caipisaquês em dia e sua coxa curada. No entanto no decorrer da peleja e da péssima arbitragem o que era bom acabou-se e quem curtiu arregalou-se no sono dos justos até que Lanzini desjustificou qualquer investimento milionário em sue passe mandando uma bola que era gol certo nas mãos da Pequena Sereia ( E goleiro titular do Inter nas horas vagas) Muriel.

O Fluminense e sua cosmicidade ontem não apareceram em campo, levados pela lentidão do retorno de seus baluartes e uma pequena falta de ritmo, pelo Frio e pela boa atuação defensiva do colorado, mas no entanto não nos envergonhou a esquadra com uma atuação desmeritosa, jogou até bem, até ser envolvida pela preguiça da chuva friorenta.

A sensação de que perdemos três pontos garantidos se dá pela quantidade de gols perdidos e pelas boas chances criadas, sendo que fomos superiores neste quesito em toda a peleja, mas no entanto não é bom esquecer que enfrentamos um grande time, mesmo desfalcado.

Agora é conquistar os pontos que faltam diante da Lusa  em casa, que diante do quadro em que se encontra nos enche de responsabilidade da vitória, e nos prepararmos completos para mordiscar mais três pontos diante do Atlético-Goianiense em Goiás.

Com o Brasileiro no início é bom já começar a trilhar o caminho das vitórias antes que os adversários continuem a se distanciar, especialmente o Vasco, mas devemos também considerar que as três primeiras rodadas nos tiveram com times mistos e muito desfalcados.

O Flu oficial estreou ontem, estrou bem, poderia ser melhor, e agora é partir com seriedade pra conquistar este campeonato e retornar À Libertadores. 

É nosso desejo e dever, é nossa carteira de identidade, pra não ficar a impressão de que fomos tarde.

O Campinho da Aldeia Velha - Flamengo de Arcoverde: mais um ano fora da série A2


 Por Victor Freire

O Clube de Regatas Flamengo, aquele famoso do Rio de Janeiro, é objeto pra uma análise fria, imparcial, mas acima de tudo sob a luz da ciência social e histórica: é um clube conhecido por sua gestão atabalhoada, pra dizer o mínimo (Ronaldinho que o diga), e com uma recente carência de títulos importantes (só um Brasileiro, 2009) incondizente com sua pretensa grandeza.

Imagem meramente ilustrativa
Ainda assim, conquista uma quantidade impressionante de torcedores até mesmo fora de sua origem, em estados menores e interior de estados maiores de Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os famosos torcedores pé-de-rádio, ou pé-de-boteco-com-pfc, ou ainda, derrogatoriamente, paraibacas, compõem, arrisco, mais de 80% da nação urubu. E tome “mengaum” pra lá, “mengaum” pra cá...

Mas foi este anacrônico Flamengo que inspirou o rubro-negro (ugh!) de minha cidade natal. O  Flamengo Esporte Clube de Arcoverde, Pernambuco, foi fundado em 1959 e sempre teve boas atuações nos estaduais, com bom público em sua casa, o ex-municipal Souto Maior, hoje Áureo Bradley.

O primeiro jogo de futebol profissional que eu já vi na vida foi do Flamengo, lá pelos meus 3, 4 anos de idade. Eu já vi fotos dos anos dourados do Flamengo de Arcoverde, de sua fundação e primeiras campanhas, cheguei até a acompanhar um pouco de suas boas campanhas na segunda metade da década de 90. Até meu pai, tricolor arrudeiro como eu, associou-se ao time.

E ao que parece, foi só. Uma das maiores tristezas pra mim é ver um clube com história não disputar um campeonato de porrinha que seja. Um campeonato qualquer, que valha uma grade de cajuína Hiran. É justamente o que está acontecendo com o time de lá, com razões que variam de um ano pra outro: primeiro, cedeu lugar a um certo “Arcoverde Futebol Clube”; depois, a ausência de um médico esportivo na ficha de inscrição.

Surgiram então uns empresários trambiqueiros de SP que prometeram reerguer o time, mas aliciaram uns perronhas e ficaram sem pagar os pobres coitados, sumindo com a grana depois. Este ano, foi a reprovação do Áureo Bradley pela FPF, que está jogado às moscas pela prefeitura, doida pra vendê-lo para algum empreendimento imobiliário colocá-lo abaixo.

Muitos fatores contribuem para a derrocada do Flamengo de Arcoverde: a péssima gestão, tanto da parte dos dirigentes quanto da Liga Desportiva Arcoverdense; a situação econômica da cidade, que há muito tempo não desponta com força no sertão pernambucano; e a falta de mobilização dos moradores e da prefeitura da cidade, pouco interessados com o patrimônio esportivo local, que já levou à dilapidação tanto do estádio quanto do Centro de Educação Física, outrora palco de uma ativa e organizada vida desportiva.
Outras cidades e times no interior de Pernambuco (Surubim, Petrolândia, Ouricuri, e até mesmo Garanhuns, com 150 mil habitantes e uma economia considerável) passam pelo mesmo mal, até onde eu sei. Mas o caso de Arcoverde e do Flamengo de lá é um dos mais emblemáticos. E, pela proximidade, como dói ver esta situação...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Leiteria - E todos os meninos vão desembestar....

O que será que quer o Fluminense neste Brasileiro? 

O que será que me dá ao ter a esperança e a alegria de ver triangulações e passes feitos por jogadores ainda semi-juniores e quase trazerem uma outra vitória importantíssima pras pretensões tricolores no Brasileirão?

O que será que me dá que me traz uma felicidade que é revelia, que antevê mais do que o que o campo mostra?

O que será que será que esses meninos têm ao ignorar inexperiência, fator campo, responsabilidade de substituição de craques consagrados e que lutam, mostram um DNA de time,um DNA de uma história que traz Edinho, Ricardo Gomes, Thiago Silva, Marcelo, Alan, Maicon e  quase vencem o Santos em sua casa?

Claro que devemos considerar o mesmo do outro lado, um Santos tão desfalcado e desfigurado quanto o Fluminense, mas não estamos aqui para a objetividade idiota, estamos aqui para entender o que será que que dá ao ver essa juventude entrar em campo e ser como uma aguardente que não sacia.

E essa arte, essa esperança, esse renascer de uma base que tanto já produziu e agora nos dá o orgulho de termos no banco  promissores valores que podem hoje nos dar um infraestrutura boa para encarar um campeonato longo enquanto Fred, Deco, He-Man, Nem, Sóbis, Valencia e Diguinho estão longe, é como um sentimento que não tem vergonha, nem nunca terá.


Ontem os meninos, esses meninos, foram novamente fortes e mereceram a vitória que não veio, castigados por erros em um empate que ainda é um bom resultado.

Espero o dia que será, que será, onde todos esses meninos vão desembestar de uma forma que não terá vergonha (nunca terá) , não terá governo (nunca terá), não terá juízo.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Leiteria - Sobre a Fodacidade

Pro Gilson Moura Junior

A Fodacidade não existe antes de ser criada. 

Parece óbvio, mas não é.  Não há Fodacidade com humildade ou a ausência de galhardia.

Não há Fodacidade sem o riso fácil, o gargalhar e o zoar.  Maroto sim, oculto nunca!

A Fodacidade é a mãe primeira da antiguidade cascalhada na malemolência. É prima dileta da risada marcante, da troça rebelde, anti bons modos.

A Fodacidade ri do surdo, sacaneia o cego, pede ao cadeirante pra dar uma voltinha, sem no entanto humilhá-lo, sem tornar-se dele como um outro, um opressor. 

A Fodacidade não humilha, provoca.

Todo carioca nasce na Fodacidade até ser pego nas tramas e tranças da repartição, do eixo rodoviário, do consórcio do Fiat Palio, na querência de ser Playboy ou no desejo de ser da Globo, se fazer parte daquele riso RJTV.

Quando o carioca perde a Fodacidade, aquele jeito de saber onde é Maria da Graça e falar com desdém do Leblon, quando o carioca perde isso se torna uma espécie de paulista, mas sem sotaque e imaginação, sem vontade de quebrar tudo e sem nenhum senso de luta de classes, tá ligado?

A Fodacidade é o eixo de Paudurecência (Grelecência pras mulheres) formatador do carioquismo roots, aquele que ruleia no desandar cínico da esperança vã e que mergulha e nada de braçada na fé irracional no impossível.

A Fodacidade é prima-irmã da Cosmicidade e tem um quê de genérica do Flafluzismo.

A Fodacidade é como saber o que é um Fla x Flu por dentro, mas sem o jeito de corpo de nascença.

A Fodacidade é antes de tudo nascer no Rio e usar outras cores. 

Quem sabe o que é um Fla x Flu por dentro já manja de Cosmicidade, mas ai já é outro papo.

Solucionática: Ronaldinho Gaúcho no Galo


Victor Coelho

Eu pretendia, como próxima contribuição a esta coluna, escrever uma postagem analisando nossos tradicionais rivais, Cruzeiro e América. Mas a bomba Ronaldinho explodiu e não há como tocar no assunto agora.

Sobre o passado de glória do agora R49 nem precisa se falar demais, apenas lembro que foi o jogador capaz do impossível: fazer gol no Real Madrid em Madri e arrancar aplauso... de torcedores do Real. Mas o primeiro ponto é esse: não se pode esperar que o Ronaldinho no Galo seja o mesmo daqueles anos em que foi eleito o melhor do mundo, como não se poderia cobrar de Forlán ser no Galo o melhor jogador da Copa de 2010. Mas aí entra uma vantagem prática a favor de Ronaldo: já não precisa passar por período de (re)adaptação, pois jogou o ano inteiro no Brasil. Como não tem problema de contusão, é só pegar logo o entrosamento com o time, sua experiência ajuda.

O Galo não precisará se adaptar a Ronaldo, Ronaldo já chega pegando um time pronto e embalado – campeão mineiro invicto, vitória nas duas partidas do Brasileirão (contra a Ponte em Campinas, primeira vez na história do clube, e contra o poderoso Corinthians campão brasileiro e semifinalista da Libertadores), nove meses invicto jogando em Minas Gerais, somente uma derrota em 2012 até o momento – em que só faltava um jogador de peso para assumir a camisa 10. Não que seja um time “pronto”, mas já dava para ver (pelo menos quem não acompanha de longe ou pela mídia do Eixo) que começava a dar sinais de estar no caminho certo. 

 
Agora é esperar para ver como será em campo. A chegada de Ronaldo foi boa por ter sido discreta e o jogador foi direto treinar com o grupo, o oposto da festividade Fla-Global que fez a festa da torcida flamenguista e flamengueira pelo Brasil à fora. Claro que tem empolgação de parte da torcida atleticana, mas haverá cobrança se R49 não corresponder em campo (lembrando que mesmo Tardelli, ídolo da torcida pelo que fez em 2009, alcançando a artilharia do Brasileirão, chegou a ser vaiado no ano seguinte). E espero que o ambiente mais profissional que o clube apresenta, além do “sangue nos olhos” de Ronaldo, possibilite que o jogador jogue mais bola que jogou no Urubu. Acho que tem sim muito a contribuir em campo, se quiser.

Resta a parte financeira. O contrato de seis meses foi ótimo, assim como a notícia de que o clube pagaria “apenas” 300 mil de salário (coisa dentro da realidade do futebol e da capacidade do clube). Fica no ar o lance dos 500 mil de uma empresa de marketing ou sei lá o quê. Mas a exposição do atleta e do clube, como estamos acompanhando, já corresponde à expectativas de quem pensava no marketing. Espero que isso seja mesmo bom para o clube e dê mais motivação ao grupo – que parece ter recebido bem o jogador. Espero que não traga a crise flamenguista para nós, com possível saída (definitiva ou temporária) do jogador por conta da batalha judicial que o Urubu quer travar. Pois o mais importante hoje (e já não é de hoje) para o Galo é o time corresponder em campo à paixão de seu torcedor

Estrela Literária - Felipinho desandou o universo

por Bruno Nöthlich




Amanhã haveria jogo. Haveria se... Mas não importa as causas. Futebol está longe de ser uma ciência e das causalidades só interessam as consequências. Então, não se iludam. Cataclismos acontecem e verdadeiramente se sucedem a um domingo sem futebol. Mesmo que a partida tenha sido no sábado, o domingo passará como mera prorrogação até a segunda-feira. Ok, ok... uma quinta ou sexta após um jogo de meio de semana tem seu valor jocoso também, porém faltando do deliberante poder de aniquilar cinco dias de existência transcendental de seus colegas de trabalho às exigências e chatices dos ofícios.

Pensem no Felipinho, o velho despachante da associação dos comerciantes do município de Entraves. Vai que o franqueado da ótica Morô precisasse da autorização da prefeitura para armar uma tenda de exames gratuitos na praça? Não conseguirá desse jeito tão fácil novos clientes sem a posse de um papeleto da burocracia provinciana. Ou mesmo a dona da loja de flores querendo colocar na sua fachada uma assim tão discreta propaganda luminosa com sonoridade estonteante pelo dia das mães, sendo que tudo em Entraves é dificultoso, como fará? Eis que entra em ação o queridíssimo despachante.

Decorre que as relações entre quem ganha e quem perde não são de forma alguma entorpecidas de bom e belo. O que é belo os comerciantes fazem caro e o que é bom o despachante se faz vingado. Além disto, o despachante tem a predestinação de vibrar fora de modos para o time local de menor população de torcedores ativos. Não que o seu time fosse de jeito e maneira pequeno, compreendam, mas onde pouco se compra, pouco se investe, e menos ainda se ganha. Resultado: o time do despachante perde dominicalmente e semana dele já começa labutando entraves. Isto porque ninguém na associação dos comerciantes torce pela Sociedade Esportiva Entraves. Ao contrário, galhofavam do “entrevado” alviverde. Por isso Felipinho era o primeiro a estar no trabalho no pós-domingo e antecipando qualquer ponto batido pelos colegas. Pois se por acaso calhasse de outro antes dele chegar, certo será encontrar na sua mesa ou na porta de entrada ou mesmo no espelho do banheiro as mais sortidas referências verde e branca ao sensacional desempenho do Entraves.

Então, o dia começa, a manhã segue e um a um os membros da associação comercial recebiam nos respectivos estabelecimentos negativas, informes de adiamento, solicitações de documentação pendentes, montanhas de formulários sem os preenchimentos devidos etc etc etc. Nada que não fosse ajeitado ao longo da semana, porque o futebol possui a inenarrável força de cordializar toda coisa e todo mundo............................. porém ontem não teve futebol.
Já sabemos! Cataclismos acontecerão numa segunda-feira seguida a um fim-de-semana sem futebol. O velho Felipinho entrou na associação naquele dia por volta das dez horas. Silêncio. Os telefones não paravam de tocar. Silêncio. O sepulcral semblante calava o mundo. Shhhh. Cochichos aqui e ali ecoavam como mantra. O que fará esse homem? Desprovido de qualquer potência ele se senta e muito lento e delicado toca as duas mãos na mesa. O olhar permanece vazio no vazio. O móvel começa a se desfazer no ar. Como um ácido o estado do velho simplesmente dissolvia tudo em nada. A cadeira, o chão corrói-se, crateras se abrindo nas paredes, o nada crescendo, crescendo. Inertes as pessoas perdem densidade, corporeidade, espiritualidade, os olhos delas transparentemente sumindo. A associação comercial, o município de Entraves por inteiro desparecendo ao redor de Felipinho. E continuará o nada expandido sua entropia... até o domingo. Se houver futebol, a ordem universal será restabelecida.






















quinta-feira, 31 de maio de 2012

Solucionática - O gol do Danilinho


Por Victor Coelho

No livro Veneno Remédio: o futebol e o Brasil, José M. Wisnik destaca a ideia de que o futebol se distinguiria de outros esportes coletivos (como basquete ou vôlei) por conta da maior dinâmica do jogo: jogadas mais imprevisíveis (comparar com as jogadas do vôlei, onde se destaca mais a eficiência na execução de jogadas-modelo), não limitadas pelo tempo máximo de conclusão de jogada de ataque (como é no basquete). Somente o futebol permite mais que simplesmente dizer como foi a eficiência dos times ou sobre quem fez muitas cestas de três ou a enterrada mais brutal: o futebol permite que se conte histórias sobre o jogo, onde uma análise pode se configurar numa crônica, por exemplo.

No caso do último jogo do Galo, vitória de 1 x 0 sobre o Corinthians pela segunda rodada do Brasileirão de 2012, o gol de Danilinho me lembrou da imprevisibilidade, de uma maneira que me fez pensar também, novamente, no futebol como um tipo de arte, sem cair no clichê do “futebol arte x futebol feio” (falsa polarização pois defender em bloco também é um tipo de arte tanto quanto um drible fenomenal). 

O jogo era bastante disputado, o Corinthians – time encardido pelo entrosamento e pela moral de ser o atual campeão brasileiro e semifinalista da Libertadores – considerado favorito mesmo jogando contra o campeão mineiro invicto, na casa do adversário. O Corinthians não conseguia impor o domínio do jogo, mas chegava com mais perigo. Jogo tenso e bastante disputado, com defesas levando vantagem sobre os ataques. Tudo poderia acontecer.


E algo aconteceu. O time do Galo foi para o ataque, a bola no campo do Corinthians, até que chega aos pés do zagueiro Réver, que vê o baixinho Danilinho se livrando da marcação, na entrada da área. Como autêntico armador - que o time carece - faz passe de categoria, pelo alto, pegando a defesa do Corinthians desprevenida, incluindo o goleiro Cássio, de quase dois metros de altura.
Enquanto a bola percorria sua trajetória pelo ar, expectativa. O que faria Danilinho? Tentaria dominar a bola com o peito para depois tentar o chute, quando certamente daria tempo de o(s) zagueiro(s) ou o goleiro chegarem na marcação? Tentaria tocar de cabeça para um companheiro? Chutar para o gol de primeira seria muito difícil por conta da trajetória da bola, ao mesmo tempo descendente e alta, o que por sua vez, além de impossibilitar o chute de primeira, também impedia uma cabeçada firme. A expectativa naqueles longos segundos era aumentada pela dúvida pela posição do meia-atacante: estaria impedido?


Então o inesperado. Danilinho tranquilamente espera a conclusão do passe, observando a bola. Afasta-se para trás para que sua posição corresponda com a trajetória da bola. Mental e instintivamente calcula sua (da bola) velocidade, peso, sua distância (a dele próprio) com relação ao gol. Então, quando a bola chega, uma leve cabeçada, e apesar da pouca distância entre jogador e gol, a bola sobe de novo ao ar e encobre o gigante Cássio, que apenas observa, semiagaixado, estupefado e rendido, a bola fazer o caminho descendente para encontrar a rede. Delírio da Massa.


Naquela pequena fração de tempo, Danilinho, que ainda apresentava um futebol aquém do que se espera dele, tornou-se um gigante pelo autodomínio, confiança, foi manipulador das leis da física, senhor da matéria de seu corpo e da bola, foi o gênio criador, ponto metafísico naquele microcosmo formado por arquibancadas, gramado, traves, por corpos e mentes na disputa entre dois times. Provou que o futebol é uma maravilha, apesar do esforço que fazem para estragá-lo. 




terça-feira, 29 de maio de 2012

Leiteria - Qual o problema?


Por Gilson Moura Junior

Gosto de futebol como quem sangra. Sim, como quem sangra, qual o problema?

Não entendes? Não serias capaz de entender se aquele gol te doesse, não serias capaz de entender se aquele gol fosse teu orgasmo, tua alma saindo pela boca, lágrimas nos olhos e algo mais intenso que sua ausência de fé jamais entenderia, fortalecendo-se em ti como uma chama, como um mundo.

Ópio do povo? Que seja! Se for ópio que me enlouqueça, que me formalize como adicto, que me devore!

Quando nasci me fiz tricolor. Quando cresci e lutei contra reis, bárbaros, gorilas, soldados, pastores, ela estava tatuada na minha alma, aquela bandeira e as mesmas três cores que traduzem tradição.

As mesmas três cores que me ajudam a falar com porteiros, empregadas domésticas, balconistas, motoristas de ônibus, lavradores, putas, cães vadios, sarjetas e garçons. Marx? Não, Marx me ajuda a ver o mundo, a eles não, quem me ajuda a vê-los é Nelson Rodrigues. 

Aqueles rostos transtornados pela perda do Gol de Diego souza, que pulavam com o gol de Marcos Junior ou de Carleto, que odeiam Ronaldinho Gaúcho, que são esperançosos com a alma de Loco Abreu por sobre a estrela solitária, quem entendeu foi Nelson e não Marx.

É certo que precisamos mudar o mundo, é certo! E pra isso precisamos de Marx, mas se esquecermos de Nelson veremos em nome de quem o mudaremos?

Gosto de Futebol como quem goza. Qual o problema?

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Solucionática: Galo 1 x 0 Timão

Lucas Morais

No último domingo, o Galo entrou no estádio Independência, em Belo Horizonte, com público de 14.740 e desfalcado dos atacantes Guilherme e Neto Berola, o lateral-direito Carlos César e os volantes Leandro Donizete, Fillipe Soutto e Serginho. O Corinthians, por sua vez, desfalcado dos atacantes Emerson e Jorge Henrique e o meia Paulinho. Apesar dos desfalques em ambos os times, foi um bom jogo, com emoções mais intensas ao fim. Movimentações rápidas, muita marcação e chances de gols para os dois lados desde os primeiros minutos.


ATLÉTICO-MG: Giovanni; Marcos Rocha, Réver, Rafael Marques e Richarlyson (Leonardo Silva); Pierre, Dudu Cearense (Escudero), Bernard, e Mancini (Júnior César); Danilinho e André  
Técnico: Cuca

CORINTHIANS: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Willian Arão (Douglas), Ralf, Danilo e Alex; Willian (Liedson) e Elton (Gilsinho)  
Técnico: Tite

Com os goleiros Cássio e Giovanni defendendo bem, o jogo foi predominantemente no meio-campo, com o Atlético indo para cima no primeiro tempo, mas também tomando contra-ataques que poderiam claramente ter colocado o Corinthians à frente. A falta de criatividade do ataque atleticano facilitou o trabalho do bem armado sistema defensivo corintiano, especialmente quando o lateral-direito Marcos Rocha, em falta sobre o atacante Willian, recebeu amarelo, facilitando as jogadas ofensivas do Corinthians pela sua lateral-esquerda. Dali, o Timão teve suas três melhores chances, perdidas por Elton e Willian.

Pelo Galo, o volante Dudu Cearense voltou ao time titular e mostrou que ainda está fora de forma, mas poderá ajudar na longa trajetória do Brasileirão. André, movido por seu infantilismo, chutou uma bola quando havia sido falta para o Corinthians, provocando uma expulsão estúpida por parte do juiz, que havia, com igual estupidez, expulsado Fábio Santos por jogar a bola no adversário após a marcação de uma falta, justamente em André. Com a expulsão de André ficou nítido que, além da contratação da incógnita que atende por Jô, mais um atacante cabe nesse elenco, até para pressionar o André. O meia argentino Escudero jogou bem e dá mostras de ser um jogador que tem velocidade, consegue dar qualidade de passes e, também, assistências.

Num contra-ataque, Réver, que carregou, como regularmente faz, a bola desde a zaga até o campo adversário, lançou-a na cabeça do baixinho Danilinho, que cobriu magicamente o gigante Cássio, de cerca de 1,90m, que já estava centenas de horas sem levar gols. Mas, apesar do gol, Danilinho anda apagado em campo e precisa se empenhar muito para honrar a camisa alvinegra, como muitos de seus companheiros já fizeram. Atualmente atuando no meio-campo, Mancini mostrou afobação e teve comportamentos, mais uma vez, imaturos e ainda perdeu um gol feito logo no início do jogo. O lateral-direito Marcos Rocha, apesar do cartão sofrido, fez um bom jogo, acertando seus passes, ajudando nos desarmes e virando bem o jogo. Richarlyson e Pierre, assim como Rafael Marques e Réver, mostraram entrosamento e começam a passar segurança para a torcida, enquanto o recém-contratado Júnior César, que foi para o jogo, entrou muito bem. Bernard ainda irá amadurecer mais e precisa aprimorar a finalização.

Um dos maiores erros do Atlético, sem dúvida, foi o afobamento e/ou apavoramento no momento das conclusões de jogadas de ataque, o qual mostra ainda certa falta de confiança para matar o jogo. Também está nítido a necessidade de, além de Guilherme, lesionado, um camisa 10 responsável pela criação e organização do ataque.


São nove meses invicto como mandante, sendo que a maior parte desta série se deu em Sete Lagoas, na Arena do Jacaré. A torcida ainda não voltou a abraçar completamente o time, mas aquela que tem ido a campo está cumprindo seu papel. Dentre esses torcedores, lá estava o atacante Diego Tardelli, autor de marcas incríveis no Atlético em 2009 e 2010 e que está jogando no Catar, mas é atualmente sócio-torcedor do Galo. Todos tem visto um Galo em franca recuperação de sua grandeza, apesar de todos os equívocos das diretorias anteriores e da atual. Vale lembrar, desde 1993 não se mantém um técnico por mais de um ano. Cuca completará um ano no comando alvinegro em agosto, caso até lá não aconteça os imprevistos que vem ocorrendo nos últimos anos na Cidade do Galo.

Vale lembrar, o Galo, neste ano, só perdeu para o Goiás, em Goiânia, por 2 a 0, pela Copa do Brasil. Do returno do Brasileirão 2011 para cá, além dessa derrota para o Goiás, a última derrota havia sido o 6 a 1 para o Cruzeiro na última rodada do Brasileirão. Claro que ainda estamos apenas no início do Campeonato, que é a única competição que o Atlético precisa se preocupar, o que também é bom. Mas, acrescente a isso o fato de que o Galo, na tabela do returno do Brasileirão deste ano, irá fazer a maior parte dos jogos cascudos, encardidos e de matar cardíacos em casa, inclusive o clássico contra o Cruzeiro. Se as contratações corretas forem feitas e o grupo se fechar em torno da disputa do título, o time terá todo o apoio da torcida, que irá lotar até os pontos cegos do Independência. O clube tem estrutura e profissionais à altura dos desafios, mas precisará de sabedoria. Sabedoria que um certo Cuca tem, afinal, não foi campeão brasileiro ainda, mas sim vice-campeão, pelo outro lado da Lagoa da Pampulha.

Hoje o Atlético está compondo um elenco que, se comandado por Cuca como está indo, pode almejar a disputa do título brasileiro e, de quebra, retornar à Libertadores. O retorno a Belo Horizonte tem feito muito bem ao time e, caso as vitórias venham e o time (re)conquiste a confiança da torcida, o Galo poderá crescer muito, inesperadamente. Por fim, torço para que os jogadores e a comissão técnica entendam que o time terá que jogar muito mais futebol do que vem jogando para almejar conquistas nacionais e internacionais.