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terça-feira, 15 de maio de 2012

Leiteria - Estadual não se comemora, se coleciona

Por Gilson Moura Henrique Júnior

Parece arrogância e talvez até seja. Ainda mais diante do fato de que ganhamos dois apenas, na última década, um apenas na anterior e esse é nosso primeiro na década atual.

De nossos inescapáveis 31 títulos estaduais, 27 foram ganhos entre 1902 e 1985, de lá pra cá pouco tivemos sucesso na conquista deste torneio que perde em importância mais ou menos no decorrer deste mesmo período.  

Pode ser mera coincidência, pode ser, mas é interessante notar que enquanto ganhávamos estaduais à vera, a rodo, a Dupla Flamengo e Vasco ganhava Brasileiros e Libertadores e cresciam em tamanho de torcida e impacto em renda, ganho de patrocínio e dinheiro de TV.

Depois da descida ao inferno e da subida na base do orfeísmo carpado, demoramos três anos para a primeira decisão de estadual e primeiro titulo, quatro para a segunda decisão  (Perdemos para o Fla em 2004), cinco para o segundo título e 13 para o terceiro titulo Estadual em 2012. No entanto chegamos à uma final de Copa do Brasil (2005) , uma final de Libertadores (2008), uma final de copa Sulamericana (2009), conquistamos uma Copa do Brasil (2007) e  um Brasileiro (2010) da fuga do inferno para cá.

Aproveitando nossa mudança de foco para fora do estado o Flamengo conseguiu nos ultrapassar na hegemonia regional, porém ampliamos nosso impacto no âmbito nacional e internacional sendo cogitados sempre como equipes que se não são favoritas não são desprezadas, sempre se classificando no minimo para as oitavas de final de torneios internacionais e sendo favoritos todo ano para o Brasileiro.

Quer dizer que ganhar o estadual é ruim? não, não acho ruim, mas é insuficiente, não coça, não muda o patamar do Flu, que coleciona títulos  locais e tinha sua hegemonia até 2008. O foco da torcida e do clube é sem dúvida o titulo da libertadores e/ou do Brasileiro.

São títulos para nos manter no caminho de um protagonismo nacional, por baixo, e sendo sempre tidos como referência no exterior. Foi o caminho que levou o SPFC a um projeto de décadas que culminou em três libertadores e três mundiais, colocação como favorito a títulos nacionais e internacionais quase sempre, em um ciclo só interrompido nos 3 últimos anos de uma entressafra ocorrida pós tri-campeonato Brasileiro em 2008. Foi o caminho que tirou o Inter de um clube estagnado a um gigante com duas libertadores e uma torcida mala que acha que o mundo começou em 2006.

A conquista estadual nos dá mais a medida de nossos rivais diretos e de que temos time para a disputa do Brasileiro, com ajustes, e reduz a pressão idiota de conselheiros e dirigentes para a conquista do estadual do que nos dá algum tipo de "gás" ou muda o foco para os jogos decisivos da Libertadores.

Conquistar o estadual em cima do Botafogo foi mais uma dica para o rival se reforçar do que um ganho para nossa equipe, que acumula mais uma taça para nossa coleção de estaduais e ainda perde jogador importante para o decisivo jogo da libertadores com SÓ o Boca Juniors. 

Para o jogo de quarta iremos sem Fred, contundido na decisão das oitavas contra o Internacional, e Deco,que sentiu a coxa na decisão com o Botafogo no último Domingo.  Além deles temos a ausência já prevista de Valência, Diguinho e Nem. Ou seja, o osso da Bombonera terá de ser encarado com a galera liderada pro Wagner, Jean, He-Man e Edinho e liderada pela raça do Abel, pelo talento de Thiago Neves, pelo coração da torcida, pela cosmicidade rodrigueana e pela fé em João de Deus.

Não vai ser mole, o Boca é favorito e por isso prevejo o Fluminense classificado para as semifinais após dois jogos cardíacos, doloridos, heróicos. 

Não porque somos superiores, apenas porque somos o Fluminense.

sábado, 5 de maio de 2012

Leiteria - Esperando o Vovô

Por Gilson Moura Junior

Há milênios o carioca não é decidido em campo.

Todos os títulos disputados no Rio de Janeiro, desde o primeiro chute em uma bola valendo pontos, nos idos de 1906, foram decididos nas mãos  das Moiras Gregas ou Nornes Nórdicas.

Todos sem exceção foram mais que apenas um jogo, sempre. todos nasceram e cresceram constituídos da mitologia que se erguia das mãos, pés e peles dos nascidos e vividos sob o sol desta terra.

O campeonato carioca existe para além do tempo, e sempre, sempre, teve e tem em si o suave perfume da eternidade.

Neste domingo nasce mais um capítulo da eternidade ao dar ao Clássico o protagonismo poucas vezes visto nem decisẽos de um campeonato de tal envergadura divinal como o Carioca.

Protagonista de apenas quatro decisões deste mais que centenário campeonato, o Clássico Vovô surge novamente como um momento de afirmação e reafirmação para ambos os disputantes, por vezes ocultados pela grandiloquência populista de emissoras e jornais, torcedores e seguidores do oba oba luso-mulambo.

E neste domingo, um domingo que espera, um domingo que anseia, decidirá não mais um campeonato,mas o campeonato que remete ao primeiro passo do homem no planeta futebol em terras Tupinambás, o campeonato que lembra que se não fossem os irmãos Cox ainda estaríamos remando.

As equipes, bem, elas terão seus heróis, quase todos, inteiros ou quase isso. Teremos o Maestro Deco, o Imponente Uruguaio Loco, o surpreendente Fred, o decisivo Thiago Neves, o seguro Jefferson, o insinuante Maicosuel, todos em campo, prontos para concretizarem a glória em suas mãos.

Fora de campo, deuses e homens, mortos, vivos, entidades, se juntarão a Manés, Nelsons, Lagos, Portos e criarão aquela sensação de atemporalidade que só quem nasce nestas plagas da Mui Leal entende.

É chegada a hora de mais um vovô.

Que bom!


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Leiteiria - O primeiro passo e a História

Por Gilson Moura Junior

Fluminense e Internacional fizeram um jogo duro, difícil, no Beira-Rio. Tão difícil que a Leiteria passeou em plagas gaudérias a ponto de o destaque do jogo ter sido o goleiro menos acionado.

Cavalieri novamente mitou ao ser decisivo, ao decidir em batalha uma pequena vitória, ao defender um pênalti executado por Edinho, em uma tentativa de homícidio mal camuflada em plena área, e batido por Dátolo , aquele mesmo que nos visitou quando jogava no Boca, com a malícia confiante hermana. 

Contrariando o impossível, Cavalieri suavemente toca a bola e lança a esperança colorada na vala comum do urro primal do arquibaldo.

O "ÚUUUU" se ouviu nas muralhas da China.

A confiança bi-campeã da libertadores, naquela soberba novata dos recém entrados nos píncaros do gigantismo, mesmo assim permaneceu, mesmo tendo seu time acuado na maior parte do tempo, mesmo vendo nos pés cósmicos a vitória estar muito mais próxima, mesmo sabendo que enfrentarão nos palcos cariocas um Gigante que faz bastante tempo sabe jogar em seus domínios.

A frase do lateral-direito Nei, que considera vantagem para o Internacional jogar na casa do adversário, pois um gol torna o Colorado classificado, foi ecoada pela mídia, essa mesma que, muitas vezes carioca, prefere fingir que não nos vê.

E vamos para o segundo jogo, no Rio de Janeiro, onde perdemos o primeiro jogo por uma competição internacional em 27 anos há pouco menos de dois meses, com o favorito Internacional, o papa título Internacional, o mestre da paudurecencia copeira Internacional, na humilde residência alugada do engenhão, como franco-atiradores. Ao menos segundo Nei, segundo a mídia e segundo parte dos torcedores que fingem não ver o Fluminense.

Melhor assim. 

Assim como também é melhor que a História remonte 1971 para exigir um reparo moral ao Vovô, aquele cuja pipa não estava subindo mais e que reaparece a decidir depois de 41 anos um campeonato carioca.

Era preciso uma massagem cardíaca no vovô e muito me apraz que esta também eleve o Glorioso ao Status de Favorito da América, aos píncaros do mais belo time a jogar futebol na mui leal.

O papel de estar confortavelmente instalado na ponta da língua da antipatia popular e midiática não nos é novo, nem tampouco acre. Ao Fluminense não cabe ser a princesinha do baile, a vizinha que vem e que passa a caminho do mar deslindando-se sensualidades. Ao Fluminense não cabe a roupa titânica pré-moldada dos favoritos de prévia, queremos são os farrapos da glória, os retalhos da batalha vencida.

A faixa pré-carimbada nos causa ânsias, nos faz mal.

E vamos a duas decisões em três jogos nos próximas duas semanas. Nas duas não somos os preferidos ou os favoritos.

Ao Fluminense a desconfiança cai como Amok.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Leiteria - A pipa do Vovô não sobe mais

Por Gilson Moura Junior

Não vi o Vovô. 

Fui comemorar meu aniversário em um bar com amigos e perdi o Vovô.

Não, não cometi nenhuma infração relacionada ao estatuto do idoso, mas perdi o clássico Vovô, o mais antigo do Rio e se não fosse o Fla x Flu, um dos mais importantes dado o pioneirismo que tira homens do remo e  os colocou prontos para a prática do velho e violento esporte bretão.

Não se pode desprezar o Vovô, claro, mas diante das circunstâncias que tornaram a quase familiar disputa entre Fla e Flu numa metáfora da existência e definição da cosmicidade enquanto futebol, diante da luta de classes e raças que é o Vasco x Fluminense, diante da feroz luta entre populares que é Vasco x Fla, o  Vovô acaba ficando no segundo plano.

Não que o vovô não seja simpático, muito pelo contrário, ele é um velhinho admirável e é um dos clássicos mais pegados da mui leal ciudad de São Sebastião do Rio de Janeiro e seria mais vistoso se o nosso amigo desapegado às cores não fosse um tantinho humilde na titulagem e voluptuoso na participação lacrimosas no cenário futeboleiro nacional onde figura como uma espécie de primo pobre e triste.

Não vi o Vovô também porque o Botafogo cansa um pouco a gente com suas promessas de bons times que viram o inverso no decorrer dos anos e ficam putos com os caras do Treze da Paraíba por tentarem cavadinha diante de seu goleirão tenso pela dificuldade inesperada.

Não vi o vovô porque fora o surto de felicidade rápido diante da conquista da Guanabara e vitória em clássico contra  o Vasco, duas chatices que demoraram pra ocorrer novamente, não consigo pensar em outra coisa que não a Libertadores e cansa um pouco o desinteressante estadual e sua repetição e atrapalhamento que só fica bom nas semifinais e finais de turno e de torneio.

Não vi o Vovô e ouvi dizer que não perdi muita coisa além dos gols feitos por Elkenson e Fred, que aliás parece filme repetido porque ambos ganharam gosto em marcar gols exatamente nestes adversários. Foram belos e parecidos gols, vi no VT.

Não vi o Vovô e pouca gente parece ter se animado a ir ao Estádio.

O Vovô está só,ficando menor, ficando mais chato, ficando menos atraente

A torcida do Botafogo não vê o Vovô, espera ir bem na Copa do Brasil. A torcida do Fluminense só pensa no Boca.

Parece que a pipa do vovô não sobe mais.