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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Solucionática: Mais que um camisa 10

Por Felipe Alves

Apesar do que boa parte da mídia esportiva fez parecer, o Pacaembu testemunhou neste final de semana algo mais do que a simples estréia com o manto alvinegro da mais recente persona non grata da Gávea. Mesmo longe da massa apaixonada que torce contra o vento, o Galo teve uma atuação contra o vendaval oriundo dos sopradores de apito e levantadores de bandeira e se viu forçado a anotar três tentos para ter apenas um deles validado pelos distintos senhores. Ossos do ofício e três pontos justos para uma atuação que se não foi brilhante, foi aguerrida e manteve o tom do bom início de campeonato do atual campeão mineiro.

Com apenas um gol sofrido em quatro rodadas, Cuca parece ter acertado um bom sistema defensivo, que conta com um excepcional zagueiro que fez a sua quarta partida impecável seguida, um leão no meio-campo que com certeza deixou a torcida alviverde saudosa dos tempos em que vestia sua camisa, além de homens de frente voluntariosos apesar de pequenos, prontos a dar o primeiro combate e recompor a marcação quando da subida de algum dos homens de trás. Esse bom sistema defensivo herdado das últimas rodadas do Brasileirão 2011 recebeu ainda bons reforços nas laterais principalmente do lado direito, assumido por um prata da casa que fez ótimo campeonato pelo rival no ano passado.

À frente permanecem as falhas de finalização, principalmente do nosso pequeno projeto de craque, que acabaram compensadas pela ótima jogada seguida de linda assistência para o nosso centroavante, destaque das duas últimas partidas, anotar nosso único gol validado. Reforço ofuscado pela contratação-bomba da última semana, ele vem mostrando que veio pra briga e o ex-menino da Vila que se cuide e saia do comodismo pra garantir seu lugar.

Quanto ao ex-R10 e agora R49, fez uma estréia discreta porém promissora, o que já era esperado. A maior parte dos poréns acerca de sua contratação estão mais ligados aos fatores extracampo do que à qualidade do seu futebol dentro dele. Analisando friamente, seu desempenho no clube da Pat não foi ruim como alguns alardearam, se nos atentarmos aos números. 

Se a quizumba não se instalar, não duvidem que será extremamente útil para fazer o Galo alçar voos mais altos. A esperança está no fato de que ele não veio carregar o time, como alguns esperavam que ele fizesse no Rio. Veio para ser mais um toque de qualidade de um elenco que vem se afirmando e se mostrando cada vez mais entrosado e bem treinado, apesar do lapso que custou a eliminação da Copa do Brasil. Se a invencibilidade no estadual ainda deixava dúvidas, as três vitórias desse início de Brasileirão, sendo duas fora de casa e uma contra o atual campeão, já começam a inspirar mais confiança numa boa campanha. A ver se as atuações se manterão nesse bom nível com regularidade quando o Brasileirão estiver na potência total.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Solucionática: Ronaldinho Gaúcho no Galo


Victor Coelho

Eu pretendia, como próxima contribuição a esta coluna, escrever uma postagem analisando nossos tradicionais rivais, Cruzeiro e América. Mas a bomba Ronaldinho explodiu e não há como tocar no assunto agora.

Sobre o passado de glória do agora R49 nem precisa se falar demais, apenas lembro que foi o jogador capaz do impossível: fazer gol no Real Madrid em Madri e arrancar aplauso... de torcedores do Real. Mas o primeiro ponto é esse: não se pode esperar que o Ronaldinho no Galo seja o mesmo daqueles anos em que foi eleito o melhor do mundo, como não se poderia cobrar de Forlán ser no Galo o melhor jogador da Copa de 2010. Mas aí entra uma vantagem prática a favor de Ronaldo: já não precisa passar por período de (re)adaptação, pois jogou o ano inteiro no Brasil. Como não tem problema de contusão, é só pegar logo o entrosamento com o time, sua experiência ajuda.

O Galo não precisará se adaptar a Ronaldo, Ronaldo já chega pegando um time pronto e embalado – campeão mineiro invicto, vitória nas duas partidas do Brasileirão (contra a Ponte em Campinas, primeira vez na história do clube, e contra o poderoso Corinthians campão brasileiro e semifinalista da Libertadores), nove meses invicto jogando em Minas Gerais, somente uma derrota em 2012 até o momento – em que só faltava um jogador de peso para assumir a camisa 10. Não que seja um time “pronto”, mas já dava para ver (pelo menos quem não acompanha de longe ou pela mídia do Eixo) que começava a dar sinais de estar no caminho certo. 

 
Agora é esperar para ver como será em campo. A chegada de Ronaldo foi boa por ter sido discreta e o jogador foi direto treinar com o grupo, o oposto da festividade Fla-Global que fez a festa da torcida flamenguista e flamengueira pelo Brasil à fora. Claro que tem empolgação de parte da torcida atleticana, mas haverá cobrança se R49 não corresponder em campo (lembrando que mesmo Tardelli, ídolo da torcida pelo que fez em 2009, alcançando a artilharia do Brasileirão, chegou a ser vaiado no ano seguinte). E espero que o ambiente mais profissional que o clube apresenta, além do “sangue nos olhos” de Ronaldo, possibilite que o jogador jogue mais bola que jogou no Urubu. Acho que tem sim muito a contribuir em campo, se quiser.

Resta a parte financeira. O contrato de seis meses foi ótimo, assim como a notícia de que o clube pagaria “apenas” 300 mil de salário (coisa dentro da realidade do futebol e da capacidade do clube). Fica no ar o lance dos 500 mil de uma empresa de marketing ou sei lá o quê. Mas a exposição do atleta e do clube, como estamos acompanhando, já corresponde à expectativas de quem pensava no marketing. Espero que isso seja mesmo bom para o clube e dê mais motivação ao grupo – que parece ter recebido bem o jogador. Espero que não traga a crise flamenguista para nós, com possível saída (definitiva ou temporária) do jogador por conta da batalha judicial que o Urubu quer travar. Pois o mais importante hoje (e já não é de hoje) para o Galo é o time corresponder em campo à paixão de seu torcedor