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terça-feira, 3 de julho de 2012

Solucionática: O Galo canta que o céu é o limite


Lucas Morais

O Galo é um time com tradição em pontos corridos, como em 1971, quando tornou-se o primeiro campeão brasileiro, em 1977, quando foi vice-campeão invicto, em 1980 vice-campeão, em 1999, também vice-campeão. No início do Brasileiro de 2012, após a sétima rodada, o time volta a ocupar a primeira colocação, fato que não ocorria desde 2009, quando Roth tirou água de pedra de um elenco limitado e logrou 14 rodadas na liderança.

No Estádio Olímpico, em Porto Alegre, mais de 33 mil gremistas, e pouco mais de cem atleticanos, foram torcer para os seus times, enquanto a torcida tricolor xingava de todas as maneiras possíveis o ex-ídolo, Ronaldinho Gaúcho. Era também o reencontro do Galo com Luxemburgo, de Rafael Marques e Escudero com o ex-clube, a estreia de Marcelo Grohe, novo goleiro gremista, após a saída de Victor, comprado por três milhões de euros pelo Atlético. E era também o reencontro de Jô, ex-atacante do Inter, com as redes, após a jogada mágica do garoto Bernard (foto). A partida tinha também um valor simbólico alto, já que quem vencesse despontaria na luta pela liderança.

Título?

Há quem não veja o Galo como candidato ao título, receando que possa perder a força durante o campeonato, deixando a ponta e, em seguida, fazendo mais uma campanha mediana, talvez dessa vez distinta dos dois últimos anos, em que limitou-se a fugas heroicas contra o rebaixamento para a Série B. Há também quem pense que Cuca seja um treinador fraco, deprimente, e que não possui espírito de campeão: um cavalo paraguaio que poderá, no máximo, almejar a sexta ou sétima colocação. Porém, para o Atlético, em face das campanhas de 2004 para cá, uma campanha mediana marcaria o reinício das boas campanhas alvinegras, isto é, o saldo não seria ruim, exceto pela torcida, sempre ansiosa já pelo título.

Futebol em Belo Horizonte: o retorno do Independência

Para o futebol belorizontino, o ano de 2012 marca o retorno do futebol à capital mineira, com a inauguração do Novo Independência, no bairro Horto, zona leste, próxima ao Centro. Desde as primeiras rodadas até a sétima, os clubes mineiros estiveram na ponta da tabela, à exceção do Cruzeiro, que começou o campeonato com empates. Portanto, 2012 marca um reinício para esses clubes, que no ano passado se limitaram a fugir do rebaixamento, tendo o Cruzeiro escapado na última rodada, diante do arquirrival, por 6 a 1, enquanto o Coelho não sobreviveu diante do São Paulo no Morumbi e foi rebaixado.

No Independência, o formato-caldeirão prevalece e a torcida influencia mais nas quatro linhas do que em estádios como o Engenhão do Rio de Janeiro, onde a torcida fica longe do campo. O jogo ganha em emoção e, se a torcida apoiar, ao invés de cornetar irracionalmente, o time tem tudo para se unir, se superar e brigar.

A briga, a tática, a luta contra CBF, Globo, diretoria, tudo e todos

Pelos resultados recentes, o Galo aponta a tendência de que será um dos times que brigarão até o fim do campeonato pelo título, afinal, a contratação do goleiro Victor é justamente para eliminar uma carência histórica, datada desde a saída de Diego Alves em 2007. Entretanto, Diego não era considerado naquela época um grande goleiro, apesar de se destacar. O último grande goleiro do Atlético foi Taffarel, já que Velloso jogou com mais idade. Victor tende a somar muito com um elenco que já possui qualidade antes de sua chegada.

Há no torcedor atleticano um sentimento diferente em relação ao time. Os jogadores estão mais maduros, o time focado e capaz de resistir pressões psicológicas fortes, como nas vitórias contra o Palmeiras, Corinthians, Grêmio e, inclusive, a Ponte Preta, que perdeu graças a uma cabeçada sortuda do meia-atacante Damián Escudero. Detalhe: o Galo nunca havia ganhado da Macaca no Moisés Lucarelli.

Outro elemento a se destacar é que Cuca tem alterado em diversos momentos o esquema tático, mas com o time mantendo a pegada e o foco sem problemas. O time está bem compacto, veloz, marcando com eficiência e ciente de que pode almejar coisa grande nesse campeonato. Há que melhorar, para variar, as finalizações.

Caso a Alexandre Kalil não atrapalhe Cuca, deixando-o trabalhar em paz como vem sendo feito até aqui, esse time terá plenas condições de chegar, ao menos, na zona de classificação para a Libertadores. Fluminense, Vasco, Inter, Grêmio e São Paulo são, igualmente, candidatos plenos à classificação para a Libertadores e título.

Há sempre que lembrar que o Galo luta, também, contra a arbitragem. Dos jogos que vi, posso afirmar tranquilamente que os árbitros dos jogos contra o Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Grêmio foram para lá de caseiros, enquanto, contra o Náutico, a arbitragem puxou pelo mais fraco: pênalti inexistente em Jô e goleada na sequência. Veremos o quanto esse fator será importante mais adiante, especialmente nas rodadas finais. Afinal, no Brasileiro, duas vitórias são seis pontos.

E os jogadores? Ah, e o Ronaldinho?

Na imprensa nacional há quem prefira se limitar na desqualificação a Ronaldinho Gaúcho pelo seu histórico de baladeiro, assim como Jô, enquanto desdenham do jovem garoto Bernard, de 19 anos, que hoje joga com um ídolo que o inspira e faz seu futebol crescer, tal como ocorreu com ninguém menos que Messi, como pode ser visto neste vídeo de seu primeiro gol profissional pelo Barcelona, aos 17 anos.

Por ora, é muitíssimo cedo para se falar em título, o que é óbvio, mas não para falarmos de Libertadores, apesar de o que um clube deve mirar sempre seja o título. O campeonato é longo, haverá contusões, expulsões, cartões amarelos, vermelhos, e também o retorno de jogadores do departamento médico e contratações pontuais que Cuca sabe tão bem fazer.

No saldo geral, após muitos anos o clube volta a Belo Horizonte sendo visto, percebido e comentado como um dos candidatos a disputar até o fim pelo título, dado que o clube hoje possui elenco, centro de treinamento de alta qualidade, preparador físico, de goleiro e médico da Seleção, um goleiro (Victor), um zagueiro (Réver) e dois atacantes (Bernard e Jô) que podem ser selecionáveis. Um plantel competitivo, de casa nova e reinaugurando sua relação com a sua apaixonada torcida, mas que só nas últimas rodadas saberá o tamanho de suas pernas.

O plantel

Goleiros: Victor, Giovanni, Renan Ribeiro.
Laterais : Marcos Rocha, Júnior Cesar, Carlos Cesar, Triguinho.
Zagueiros: Réver, Rafael Marques, Leonardo Silva, Sidimar, Luiz Eduardo
Volantes: Pierre, Leandro Donizete, Fillipe Soutto, Serginho, Richarlyson.
Meias: Ronaldinho, Bernard, Danilinho, Escudero.
Atacantes: Jô, Guilherme, André, Juninho, Neto Berola, Paulo Henrique.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Leiteria - Uma explosão atlântica

Por Gilson Moura Henrique Junior

Existem momentos em que o futebol garante dias, sorrisos, medos e ódios.

Há no germe do ludopédio a máxima da insanidade e da criação de clássicos da tragicomédia humana, como se a mistura de tudo o que foi escrito na literária vida humana, na história dos tempos se resumisse e jactasse da dramaticidade cômica em um resumo mutante chamado Futebol.

Há no futebol uma condensação de loucuras, amore,s ódios e horrores, que destrutivos ou genialmente criativos movem a roda do destino e remitologizam o viver.

Saem Hércules, Teseu e Perseu, entram Garrincha, Pelé, Messi, Cristiano Ronaldo, Deco, Luis Fabiano, Danilo, Juninho Pernambucano.

É no futebol que heroísmos sangram por sofrerem um carrinho maldoso ou belezas são construídas com corpos no ar em uma bicicleta, chutes cruzados mortais, ou aquele gol que faz das multidões explosões atlânticas, enchentes amazônicas na roda viva do poeta, no coração dos poetas cantores deste Brasil Varonil.

É no Futebol que a jornada do Herói se concretiza em jornadas épicas como a  do Fluminense em 2009, em solidas campanhas como a do Corinthians na libertadores deste ano, onde a queda de um gigante como o São Paulo, tri Brasileiro em 2007/08/09 e hoje um time sem alma.

É no Futebol que jovens como Wellington Nem tornam-se esperança, veteranos como Juninho Pernambucano e Deco são marcos fundadores de esperança de torcidas que se espalham apaixonadas por um país que ama com todos os seus sotaques, antes de tudo, o viver as cores de cada tradição chamada clube.

Ontem mais uma torcida se alegrou com uma vitória que a eleva, pela primeira vez, a finalista de uma Libertadores. Mais uma torcida chega perto do píncaro máximo, de fixar sua bandeira no ponto mais alto dos Andes e encheu a cidade de São Paulo de uma mistura de alegria e ódio que faz do Futebol a marca de uma megalópole.

E é o Futebol que gera essa corrente de emoções que nos faz humanos, que nos faz guerreiros, mosqueteiros, galos, santos.

E é nessa explosão atlântica que deita nossa fé e nosso orgulho, nossa forma de ser humanos, tricolores, alvinegros.

Que bom!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Leiteria - Orgulho de ser tricolor

Por Gilson Moura Junior

Ontem nossa vitória foi inenarrável, mágica, mística, imensa. 

Ontem vencemos de uma forma que o poucos verão ou veem normalmente, vencemos com força, com raça, com coragem, com alma. Vencemos como quem antes de mais nada sabe o significado das três cores que traduzem tradição.

Vencemos como mais que ufanistas, que amantes acríticos, que idiotas felizes em participar de turbas anencéfalas e cuja maior lembrança do time é de fazer parte da "maior torcida do mundu".

Vencemos ontem, vencemos sim, vencemos porque para além do placar ganhamos a nós mesmos, nós, o time, o olho, o Abel.

A classificação? foi do imenso Boca, imenso, respeitado, gigante, tão gigante que não precisava do jorro coletivo de babação que recebeu após achar um gol ao fim. A vitória? Foi nossa. Não, não vencemos nem o jogo jogado, apesar de imensamente melhores que o adversário gigantesco, fomos melhores e perdemos, como antes ocorreu o inverso tantas vezes. Fomos melhores e caímos diante de um gigante, um gigante que nos acostumamos a enfrentar de igual pra igual, sem tremor nos olhos ou na alma. 

Vencemos não no jogo, não no placar ou na competição, mas no orgulho de sermos parte desta três cores, três cores que traduzem mais que tradição, mas honra, coragem, entrega.

Vencemos, Senhores e Senhoras! Vencemos e temos de estar orgulhosos dessa vitória.

Domingo tem jogo, mais uma taça pra disputar e trazer pra casa.

Não é hora de luto! É hora de orgulho, honra e amor!

É por isso que eu canto, que visto esse manto, orgulho de ser tricolor.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Gazeta Mundo Cão - Sexy Hot* & injustiçado

                 Por Ane Brasil                                                                                                                                

Era um domingo tedioso qualquer de 2009 e a minha cerveja estava estupidamente gelada. Tinha futebol na TV e... que mais pode uma mulher querer de um domingo tedioso? Ah, sim, meu time ganhando. O jogo era no Beira Rio e, diante da derrota do Grêmio a macacada pedia em coro: Fica Celso Roth! Fica Celso Roth.

Sim, Celso Roth, o então técnico do Grêmio estava num cai-não-cai por conta de uma campanha irregular no time rival. Ao ver aquele mar vermelho ovacionando o sujeito eu pensei: pobre diabo.

Quando a TV focou o banco do Grêmio só pude ver um tiozinho atarracado, meio carrancudo, compenetrado num time composto, essencialmente,  por cabeças de bagre. Ele parecia imune à provocação da torcida colorada. 

Por alguns segundos um sentimento de compaixão - talvez provocado pelo álcool - percorreu meu ser... apesar de ser gremistas (sic) o tiozinho antipático não merecia tanto.
O óbvio aconteceu: Celso Roth não ficou, fez suas malas e foi nem sei pra onde.

Passado um ano, se tanto, o mesmo sujeito casmurro é anunciado como o novo técnico do Internacional, substituto de ninguém mais ninguém menos que Abel Braga. Meu mundo caiu. Como assim, Celso Roth? Sim, ele mesmo! Imaginava o sujeito casmurro fazendo uma carinha marota ao perguntar: ué, não foram vocês a gritarem "fica Celso Roth? cá estou eu".

E lá estava ele mesmo. E para comandar um time de excelente qualidade técnica  (Rafael Sobis, Alecsandro, Guiñazu, Tinga, D'Alessandro...)E qual não foi a surpresa de ver o time avançando na Libertadores e foi indo e foi indo e ... e estamos na final e ... e Sexy Hot estava sorrindo na beira do gramado. Uau! Rafael Sobis dança frevo, ganhamos a Libertadores, houve festa nas ruas e gente correndo para as colinas.

 Sim, Celso Roth era um técnico retranqueiro, antipático com a imprensa, duro com os jogadores... era um sujeito a ser detestado, mas, com a boa fase do time e o título inédito, passou à condição de queridinho da torcida.

Porém, como reza a lei de Murphy, tudo o que é bom dura pouco: a retranca passou a não funcionar  mais, o time foi perdendo potencial ofensivo... e, no meio do caminho, havia um GRE-NAL. E o destino foi irônico e cruel com Celso Roth, que, pela segunda vez, ouviu um estádio lotado gritar "FICA CELSO ROTH'... mas, dessa vez, o estádio era o Olímpico e era a torcida do Grêmio que entoava o cântico maldito. E, de novo, o óbvio acontece: não ficou.

E então, como uma piada de mau gosto, leio a notícia da contratação de Celso Roth pelo Grêmio!

E por que diabos eu estou contando essa história mesmo? Ah, sim, por conta da ingratidão de Inter e Grêmio: desde a década de 90 que o sujeito vai de cá pra lá e de lá pra cá, tanto um quanto o outro tem títulos conquistados sob o comando de Celso Roth... mas só lembram de ovacioná-lo quando estão na torcida adversária.


* Sim, eu adoro o trocadalho do carilho com o nome do sujeito


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Leiteria - Tá no Sangue

Por Gilson Moura Junior

Na quarta-feira teremos um daqueles jogos que positivamente faria um torcedor comum tremer de medo, suar frio, entender a dor do tenebroso dom da realidade em passar a perna no sonho. 

Nós, no entanto, desacostumados ao comum, olhamos no olho do pavor, do fim, da beira do mundo derramando mar num caos invisível e sorrimos aquele sorriso de "E, dai?". 

Não somos feitos do comum, é vero, no entanto também não sambamos Martinho da Vila na Ópera ao sentarmos em cima de uma confiança tola numa classificação. Não faz diferença, nós sabemos o Fluminense, nós sabemos o olhar daqueles que tem as três cores que traduzem tradição tatuadas na alma, nós sabemos que veremos o Fluminense em campo, o Boca também verá, pode até nos superar em placar, vencer o jogo, mas não superará o que é o Fluminense, aquele que distorce os parâmetros do comum.

 O Boca, o mundo, verá novamente aquilo que torna o futebol algo admitido como um parâmetro do real independente de leis que Newton já dizia. Tá no olho do Abel, tá no Gol de Leandro Euzébio no último fim de semana, na explosão do menino Wallace, na coragem do garoto Marcos Junior, nas câimbras do menino Fábio Braga.

Tá no solitário gol da primeira vitória dentre tantas neste Brasileirão 2012. Tá na alma do torcedor que sorri por saber-se batalha, que sorri por saber-se muitos, por saber-se não apenas uma pálida visão do clichê banhada na descrença de rivais que , tolos, ignoram a história, o mundo onde se os fatos nos diminuem, pior pros fatos.

Na quarta-feira teremos mais uma vez ele em campo, a camisa tricolor carregada por abnegados atores, que tidos como reservas nos causam alegria do desafio.  Podemos cair, podemos perder, podemos morrer, mas assinaremos na alma de cada um o temor de desafiar-nos a alcançar o impossível.

Tá no olho do Abel, tá na alma, tá no sangue.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Leiteria - Nine out Ten

"Walking down portobello road to the sound of reggae...

I'm alive..." *

É uma sensação, um grito, algo dito como que pela pele. Não sei, algo me diz que o Fluminense vencerá. Estamos sem o 9 e o 10. Estamos sem o 5, sem o 8. Estamos com os não vistos, os sumidos, os desacordados, aqueles que saem do porão, como Mickey em 1970, como Tartá em 2010, como Adriano Magrão em 2007.

É uma sensação, um espirro de presunção cassândrica.

Parece que teremos diante de nós um Golias, e hoje somos um David, um David ferido, não por ser fustigado pela mídia, pelos rivais, pelo desprezo por nosso modo de jogar, por nossa cara de alvo pintada na ponta de um canhão calibrado, mas por termos partes nossas, partes fundamentais, na convalescênça que a violência adversária acabaria nos colocando.

Parece que nove entre dez analistas, nove entre dez rivais, nove entre dez argentinos, nove entre dez torcedores nos vê como derrotados, como que no fim de nossa estrada.

E isso me lembra 2007 e isso me lembra Petkovic dizendo que se o Fluminense não vencesse em 2010 jamais venceria, me lembra 2008 quando nove entre dez habitantes do planeta bola nos dizia que jamais o Fluminense venceria um campeão da Libertadores.

Isso me lembra que estamos em Buenos Aires com Wagner e He-Man, como já tivemos Adriano Magrão, Tartá e Mickey, como já fomos patinhos feios, como quem não quer nada.

Hoje o Boca é Favorito e isso é bom.



* Trecho inicial da Canção "Nine Out Ten" De Caetano Veloso, gravada no disco Transa...

terça-feira, 15 de maio de 2012

Leiteria - Estadual não se comemora, se coleciona

Por Gilson Moura Henrique Júnior

Parece arrogância e talvez até seja. Ainda mais diante do fato de que ganhamos dois apenas, na última década, um apenas na anterior e esse é nosso primeiro na década atual.

De nossos inescapáveis 31 títulos estaduais, 27 foram ganhos entre 1902 e 1985, de lá pra cá pouco tivemos sucesso na conquista deste torneio que perde em importância mais ou menos no decorrer deste mesmo período.  

Pode ser mera coincidência, pode ser, mas é interessante notar que enquanto ganhávamos estaduais à vera, a rodo, a Dupla Flamengo e Vasco ganhava Brasileiros e Libertadores e cresciam em tamanho de torcida e impacto em renda, ganho de patrocínio e dinheiro de TV.

Depois da descida ao inferno e da subida na base do orfeísmo carpado, demoramos três anos para a primeira decisão de estadual e primeiro titulo, quatro para a segunda decisão  (Perdemos para o Fla em 2004), cinco para o segundo título e 13 para o terceiro titulo Estadual em 2012. No entanto chegamos à uma final de Copa do Brasil (2005) , uma final de Libertadores (2008), uma final de copa Sulamericana (2009), conquistamos uma Copa do Brasil (2007) e  um Brasileiro (2010) da fuga do inferno para cá.

Aproveitando nossa mudança de foco para fora do estado o Flamengo conseguiu nos ultrapassar na hegemonia regional, porém ampliamos nosso impacto no âmbito nacional e internacional sendo cogitados sempre como equipes que se não são favoritas não são desprezadas, sempre se classificando no minimo para as oitavas de final de torneios internacionais e sendo favoritos todo ano para o Brasileiro.

Quer dizer que ganhar o estadual é ruim? não, não acho ruim, mas é insuficiente, não coça, não muda o patamar do Flu, que coleciona títulos  locais e tinha sua hegemonia até 2008. O foco da torcida e do clube é sem dúvida o titulo da libertadores e/ou do Brasileiro.

São títulos para nos manter no caminho de um protagonismo nacional, por baixo, e sendo sempre tidos como referência no exterior. Foi o caminho que levou o SPFC a um projeto de décadas que culminou em três libertadores e três mundiais, colocação como favorito a títulos nacionais e internacionais quase sempre, em um ciclo só interrompido nos 3 últimos anos de uma entressafra ocorrida pós tri-campeonato Brasileiro em 2008. Foi o caminho que tirou o Inter de um clube estagnado a um gigante com duas libertadores e uma torcida mala que acha que o mundo começou em 2006.

A conquista estadual nos dá mais a medida de nossos rivais diretos e de que temos time para a disputa do Brasileiro, com ajustes, e reduz a pressão idiota de conselheiros e dirigentes para a conquista do estadual do que nos dá algum tipo de "gás" ou muda o foco para os jogos decisivos da Libertadores.

Conquistar o estadual em cima do Botafogo foi mais uma dica para o rival se reforçar do que um ganho para nossa equipe, que acumula mais uma taça para nossa coleção de estaduais e ainda perde jogador importante para o decisivo jogo da libertadores com SÓ o Boca Juniors. 

Para o jogo de quarta iremos sem Fred, contundido na decisão das oitavas contra o Internacional, e Deco,que sentiu a coxa na decisão com o Botafogo no último Domingo.  Além deles temos a ausência já prevista de Valência, Diguinho e Nem. Ou seja, o osso da Bombonera terá de ser encarado com a galera liderada pro Wagner, Jean, He-Man e Edinho e liderada pela raça do Abel, pelo talento de Thiago Neves, pelo coração da torcida, pela cosmicidade rodrigueana e pela fé em João de Deus.

Não vai ser mole, o Boca é favorito e por isso prevejo o Fluminense classificado para as semifinais após dois jogos cardíacos, doloridos, heróicos. 

Não porque somos superiores, apenas porque somos o Fluminense.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Leiteria - A Jornada do Herói

Por Gilson Moura Junior

É o Fluminense.

Isso ai, o Fluminense, conhece? É.. aquele mesmo.. aquele que quando retorna no reino de Hades escolhe como livro de cabeceira a Jornada do Herói.

É aquele Fluminense, aquele que desnuda a emoção, a  agonia, com requintes Hitchcockianos, como se filmasse "Os Pássaros" enquanto o Imponderável chupa um Chicabon na calçada do Impossível.

O Fluminense, aquele de 2009, aquele de 2010, aquele que em 2011 foi dado como morto e só morreu quando havia virado protagonista. 

O Fluminense zoa a derrota, como um Judeu Errante que tripudia da morte retornando aos píncaros da emoção com requintes de crueldade, como um Ulisses redivivo que é um Ninguém que mata Ciclopes furiosos e autocentrados.

E o Inter, que não é o Botafogo, conheceu novamente o Fluminense na noite de ontem.

O Torcedor do Fluminense quando saiu de casa com o sabor da classificação na ponta da língua, se preparava para uma dolorosa experiencia que lhe é comum e grata, a da superação de montanhas, de inimigos imaginários, moinhos de vento, medos, depressões, falhas e do desdém que nos acompanha desde a descida aos infernos da série C. O Torcedor do Fluminense no entanto não sabia como. 

E neste misterioso caminho entre uma certeza sagrada e a dúvida sobre o roteiro, subiram as rampas do novo templo tomados de inescapável garra. Gritaram, cada um como um pedaço de alma do eterno, cada qual um momento de gigante e absoluta, comovida até, doação àquele, aquelas cores, que não só traduzem tradição, como traduzem a inescapável predestinação à glória.

Com o Fluminense, repito,  o Imponderável chupa Chicabon na calçada do Impossível.

E o Inter, sabedor de que era a noite de sua melhor partida, sabedor que não é o Botafogo, cai diante de um novo conhecimento: somos o Fluminense.

Na segunda decisão entre os clubes em vinte anos o Inter aprendeu que mesmo longe de nossos melhores dias está diante de um gigante, de um Ulisses, e que sem a ajuda do Juiz talvez nem sempre seja simples superá-lo, especialmente com línguas grandes.

 Em uma semana mais uma batalha, mais uma enorme batalha que se torna uma nova tradição, um novo clássico. O Fluminense irá à tão saudosa quanto aconchegante Buenos Aires para enfrentar um Gigante ainda maior que o Internacional, um Gigante que além disso sabe que desprezando Guerreiros se cai e o quanto isso é doloroso.

Teremos diante do Boca Juniors mais um capítulo da espinhosa história que nos levou à final de uma Libertadores, a tradição de nenhuma moleza, de nenhum Bolivar, de nenhum sub-12 do timbuctu, pela frente, mas de gigantes, de monstros, leviatãs futeboleiros.

E como Ulisses chegaremos à Terra deste Ciclope como Ninguém, como mais um que ouvindo "nunca terás o tamanho do Boca Juniors", se cala e avança.

Eles são favoritos.

E isso é bom.





quarta-feira, 9 de maio de 2012

Leiteria - A um jogo do futuro

Por Gilson Moura Junior

O Fluminense está novamente a um jogo do futuro. 

Sim, o Fluminense não vence campeonatos pensando em um longínquo devir, ele vence vencendo finais, jogando finais, finais diárias, cotidianas. E muitas vezes tornando-as árduas para si mesmo e sua torcida, ávida de um jogo magistral, de uma índole Santista jamais vista com durabilidade na gloriosa história tricolor.

Ao Fluminense não cabe um Garrincha, um Pelé, um Nilton Santos. Não que gloriosos jogadores não tenham passado pelas Laranjeiras, e nem é preciso ir longe, basta citar Telê, Didi, Rivelino, Branco, Assis, Ricardo gomes, Conca, Fred e Deco. Mas mesmo com todos eles o Fluminense sempre foi ele mesmo. Ele é seu maior ídolo. Ele é o maior ídolo de sua torcida.

É o Fluminense que inflama arquibancada e jogador e que torna-os um estandarte de vitórias e títulos.  É a bandeira tricolor que transforma Marquinho em peça fundamental, que transforma Denilson em Rei Zulu.

No domingo último o Botafogo , favorito ao clássico, percebeu isso, viu dos pés, da alma tricolor, o massacre, o massacre que levou antes dos gols à perda de cabeça de uma de suas peças, um de seus guerreiros, que, tresloucado pela pressão tricolor, cometeu o crime que permitiu a goleada.

A atuação soberba o foi , antes de mais nada, porque soberbo foi o sentido de coletivo, de Fluminense, de alma ampla, de alma tricolor. O Fluminense foi eco, foi Fred, foi Sóbis, foi Bruno, foi Carlinhos, foi o Thiago Neves que sofreu falta, deu passes e desarmou na lateral direita, foi todos.

Ao Fluminense está aberta a estrada para o titulo carioca, mas ainda assim no rosto, nas línguas dos guerreiros a vitória só será comemorada ao apitar do árbitro do fim do próximo jogo, pois Fluminense é Fluminense e por isso mesmo se cala, sapiente de seu tamanho e do desnecessário repeti-lo como mantra.


Na quinta-feira cabe ao Fluminense o difícil desafio de vencer o bi-campeão da libertadores, o Internacional, que passa por indefinições advindas de suas práticas pouco ortodoxas no âmbito das contratações de jogadores da base, que inclusive nos tirou Dalton e Marinho. Ao Fluminense cabe vencer um grande time, que segundo seu lateral-direito Nei está em vantagem, pois para ele basta vencer-nos por 1 x 0.


Ao Internacional basta nos vencer, enquanto nós necessitamos vencê-los. É uma sutil diferença, uma sutil diferença presente na diferença entre Abel Braga e Dorival Junior, é a sutil diferença entre um que vê a dificuldade e busca superá-la e outro que confia no gabarito e experiencia de seus jogadores, e só deles, para superar um "melhor" Fluminense. Sutil diferença presente na confiança do tricolor, que sabe a guerra, que sabe a dificuldade, que sabe o que é Fluminense, mas persevera na nossa imensa capacidade de superar montanhas.

Ao Flu só resta vencer, dois jogos, duas vitórias que nos darão uma Glória garantida e mais um pedaço da longa estrada para o ápice das Américas. Ao Flu só resta o próximo passo.


Na quinta-feira o favorito é o Internacional, mais tarimbado, bi-campeão, contra um time chamado Fluminense, pequeno para alguns colorados, um time que nunca venceu a Libertadores e só está em vantagem no péssimo estadual, ao vencer um Botafogo desprezado para fora das fronteiras da Guanabara, outrora favorito ao jogo e ao título.

Ao Fluminense só resta a certeza de seu nome, de seu manto, da impossibilidade como fogo que nos arde as ventas e veias.

Ao Fluminense resta um time que cresce, que sabe de si e que monta-se para ser mais que apenas um coadjuvante no delírio de torcedores e mídia que o esquecem.

Ao Fluminense resta saber-se nunca um Santos, mas um Fluminense e por si só um gigante capaz de assustar a quem o vê, ainda, como um anão.




segunda-feira, 30 de abril de 2012

Leiteiria - O primeiro passo e a História

Por Gilson Moura Junior

Fluminense e Internacional fizeram um jogo duro, difícil, no Beira-Rio. Tão difícil que a Leiteria passeou em plagas gaudérias a ponto de o destaque do jogo ter sido o goleiro menos acionado.

Cavalieri novamente mitou ao ser decisivo, ao decidir em batalha uma pequena vitória, ao defender um pênalti executado por Edinho, em uma tentativa de homícidio mal camuflada em plena área, e batido por Dátolo , aquele mesmo que nos visitou quando jogava no Boca, com a malícia confiante hermana. 

Contrariando o impossível, Cavalieri suavemente toca a bola e lança a esperança colorada na vala comum do urro primal do arquibaldo.

O "ÚUUUU" se ouviu nas muralhas da China.

A confiança bi-campeã da libertadores, naquela soberba novata dos recém entrados nos píncaros do gigantismo, mesmo assim permaneceu, mesmo tendo seu time acuado na maior parte do tempo, mesmo vendo nos pés cósmicos a vitória estar muito mais próxima, mesmo sabendo que enfrentarão nos palcos cariocas um Gigante que faz bastante tempo sabe jogar em seus domínios.

A frase do lateral-direito Nei, que considera vantagem para o Internacional jogar na casa do adversário, pois um gol torna o Colorado classificado, foi ecoada pela mídia, essa mesma que, muitas vezes carioca, prefere fingir que não nos vê.

E vamos para o segundo jogo, no Rio de Janeiro, onde perdemos o primeiro jogo por uma competição internacional em 27 anos há pouco menos de dois meses, com o favorito Internacional, o papa título Internacional, o mestre da paudurecencia copeira Internacional, na humilde residência alugada do engenhão, como franco-atiradores. Ao menos segundo Nei, segundo a mídia e segundo parte dos torcedores que fingem não ver o Fluminense.

Melhor assim. 

Assim como também é melhor que a História remonte 1971 para exigir um reparo moral ao Vovô, aquele cuja pipa não estava subindo mais e que reaparece a decidir depois de 41 anos um campeonato carioca.

Era preciso uma massagem cardíaca no vovô e muito me apraz que esta também eleve o Glorioso ao Status de Favorito da América, aos píncaros do mais belo time a jogar futebol na mui leal.

O papel de estar confortavelmente instalado na ponta da língua da antipatia popular e midiática não nos é novo, nem tampouco acre. Ao Fluminense não cabe ser a princesinha do baile, a vizinha que vem e que passa a caminho do mar deslindando-se sensualidades. Ao Fluminense não cabe a roupa titânica pré-moldada dos favoritos de prévia, queremos são os farrapos da glória, os retalhos da batalha vencida.

A faixa pré-carimbada nos causa ânsias, nos faz mal.

E vamos a duas decisões em três jogos nos próximas duas semanas. Nas duas não somos os preferidos ou os favoritos.

Ao Fluminense a desconfiança cai como Amok.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Leiteria - Rumo à irresistível vocação para a glória

Por Gilson Moura Junior

O Internacional é um dos mais tradicionais clubes do Brasil, isso não se discute, e amplia sua grandeza com suas duas libertadores e seu mundial.

O confronto de quarta-feira com o Internacional assanhou apocalípticos e integrados em debates intestinos da torcida tricolor ao ponto de dramas e dores e lágrimas chorarem por entre os mundos e fundos que compõe a cosmicidade.

"Porque tão cedo?" gritavam os apocalípticos. "Porque não? quem quer ser campeão tem de vencer a tudo" berravam integrados, otimistas e polianas.

O certo é que mais uma batalha se avizinha, o certo é que não há razão, nunca haverá ou houve nos passos que nos conduzem aos títulos.  O Fluminense tem à sua frente novamente a presença de monstros, leviatãs futebolísticos, fantasmas e horrores que śo heróis míticas podem superar.

Temer, racionalizar ou ufanar-nos de nossa, óbvia, grandeza não nos levará à Ela, na verdade o que nos levará a ter em mãos a obra de arte Libertada, construída do sangue de guerreiros, lutadores, Libertadores, é nossa irresistível vocação para a Glória.

Temos à frente Internacional, e se passarmos pro esta muralha , possivelmente Boca Juniors e quem sabe quem mais nos fará novamente ter, como em 2008, a árdua tarefa de a tudo vencer, de a tudo superar.

Em 2008 nossa arrogância em não ver nos Equatorianos adversários à altura nos custou o mais alto lugar do pódio, não podemos inverter a sensação e nos ocultar na pálida covardia dos tolos.

Nunca tememos os grandes, erramos sempre quando não enxergamos os humildes.

Temos à frente tudo o que o Fluminense precisa, guerras, apoteoses, dores, humores, sangue e força, tudo o que compõe o estandarte do mito que construímos há 112 anos.

O Internacional é um dos mais tradicionais clubes do Brasil, isso não se discute, como não deveria se discutir o gigantismo tricolor.

No Beira-Rio na Quarta-Feira, teremos mais um passo para a glória e não tenho dúvidas que o daremos com a necessária demonstração de força, não a ponto de calar os críticos, mas ao ponto de sussurrar o pavor de ver-nos finalmente conquistando  o que nos foi outrora negado, nos colocando acima das preferências clubísticas e amores ocultos.

No Beira-Rio, na Quarta-Feira, o Fluminense talvez relembre que o mundo não começou em 2006, quem sabe com um gol de Marcos Junior.