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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Campinho da Aldeia Velha – Creepypasta


Por Victor Freire

Eu sou facilmente impressionável por coisas que vejo, e por isso eu odeio creepypasta, além de dar graças a Deus por não ser médium vidente. Também pelo mesmo motivo não vai ter imagem nenhuma ilustrando esse post, e peço aos meus editores que por favor, não tentem ilustrá-lo.

Creepypasta, para quem não sabe, são as lendas urbanas que volta e meia sobem à superfície da internet vindas da podridão da Deep Web, contendo imagens e textos que sugestionam o leitor a ficar terrivelmente assustado. São diversos os exemplos disso, e quem quiser procurar pra ver do que se trata, fique à vontade. Eu que não vou atrás dessas merdas.

Mas a merda, como se sabe, vem atrás da gente. E eu me dei conta do creepypasta da vez que está a me assombrar ontem à tarde, ao ver o resultado da rodada, quando cheguei do aniversário das amigas de minha namorida.

Trata-se da não-promoção do Santa, ou até mesmo do seu novo descenso à série D.

Para reforçar esta terrível situação aterrorizante, os paralelos com o Fortaleza de 2009, quando ficou no meio da tabela do seu grupo na Série C, são imensos. Uma sequência de empates e derrotas. O time, que no papel era melhor do que seus adversários à subida, não conseguiu engrenar em 8 partidas jogadas. E está até hoje onde está.

Um doce a quem adivinhar quem era o técnico e o que ele dizia na época para justificar sua postura em campo, sem reconhecer que o time necessitava de ofensividade, não de retranca.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Campinho da Aldeia Velha - Voltou "daquele" jeito

Por Victor Freire

Paysandu x Luverdense
O imbroglio jurídico em que se transformou a série C do Campeonato Brasileiro de 2012 está longe de ter um fim, mas ao menos começou, com o Treze FC e o Rio Branco FC com asteriscos ao lado dos seus nomes. Após duas rodadas, vamos ao que interessa: de acordo com o artigo na Wikipedia, uma fonte mais fidedigna que o www.futebolinterior.com.br, temos o G4 do grupo 1 composto por Paysandu, Icasa, Salgueiro e Águia de Marabá, respectivamente com 6, 4, 4, e 4 pontos. O Santa está na 6ª colocação, com 2 pontos. Na rebarba, Fortaleza, que fez uma blitz mudança de técnico após o último jogo, e o galo da Borborema, que promete ser o bonus stage deste campeonato.

Tupi x Duque de Caxias
No grupo 2, os cariocas Macaé e Madureira estão no topo, com 6 pontos cada, seguidos pelo Chapecoense e pelo Santo André, ambos com 4 pontos. Em último, empatados, Oeste-SP e Tupi, sem nem um ponto. Deste grupo não sei muito, mas sei do primeiro: o Salgueiro vem surpreendendo e é um sério candidato ao ascenso, e o Paysandu parece ter recuperado o gosto pelo jogo. O Águia de Marabá começa a mostrar que vai ser aquele time pequeno chato de vencer, e o Santa, bem...

 *     *     *

O Santa merece um capítulo à parte. E ele é motivado, claro, por uma das personalidades que mais frequentemente aparecem por esta humilde coluna: Zé Teodoro. Zé fez duas partidas medíocres até então. Na primeira, um time apático e sonolento cedeu preciosos dois pontos ao empatar com o fraco Guarany de Sobral. Resultado aceitável segundo o coach coral, uma opinião da qual a torcida não partilha. Mas tudo bem, releve-se, foram férias forçadas por mais de um mês além do necessário. E vamos em frente.

Eu acompanhei pelo rádio (que remédio!) a segunda partida, em Salgueiro, cidade a cerca de 510 km do Recife, no sertão pernambucano. O que deu pra perceber foi que mais uma vez o time bateu cabeça e estava inseguro, como aconteceu, aliás, em muitas partidas do pernambucano. Se camisa pesa e afeta jogadores inexperientes, o goleiro, Diego Lima, parecia estar usando uma cota de malha feita com chumbo. Os zagueiros pareciam conversar entre si: um falando mongol e o outro, zulu arcaico (e quando falavam com os volantes, era em norueguês bokmal). Do meio pra frente, uma diarreia mental "crássica". O carcará abriu logo dois pra nego se orientar.

O jogo mudou no segundo tempo, mas não por mérito tático. Luciano Henrique e Dênis Marques tiveram, cada um, uma ideia digna de Arquimedes na clássica final do mundial de filosofia de 74 e fizeram 2 gols, empatando a partida. Não fosse a desorganização tática vista anteriormente, voltaríamos pro Recife comemorando e ainda no G4.

O que me deixa confiando um pouco mais no Santa é uma das principais qualidades de Zé Teodoro: a sorte. Zé nasceu com o fresado virado pra dona lua e ganhou 2 títulos estaduais e um acesso desse jeito. Bem, até o momento em que ela resolve abandoná-lo, como aconteceu no Fortaleza, alguns anos atrás. Espero que ela esteja longe, bem longe de voar para outras bandas. Mas seguro morreu de velho, por isso, abra do olho, seu Zé!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O campinho da Aldeia Velha - Sonho Estranho

Por Victor Freire

Engraçado. Tive um sonho estranho hoje.

Sonhei que estava assistindo um treino do Santos F.C. (não, por incrível que pareça, não era do Santa Cruz). Mas haviam significativas diferenças em relação à vida real. Este Santos estava sendo comandado pelo "pofexô" Luxa. E o treino estava sendo conduzido em um terreno baldio, de terra batida, mal cuidado e onde se podiam ver pedras soltas e cacos de telha e de lajotas de cimento aqui e ali. Parecia com os campos onde (vez ou outra, nunca fui fominha por bola) batia pelada com os amigos ou os moleques dos bairros lá de Arcoverde.

Luxemburgo, de uma maneira que me impressionou muito, não estava com a sua típica arrogância. Segurava uma bola embaixo do braço, uniforme de comissão técnica, tênis nos pés, olhar grave. Aguardava os jogadores chegarem ao local de treino, de forma displiscente, aos bolos (pequenos), enquanto iam formando um círculo para a preleção inicial antes do início das atividades.

Deduzi, por algum motivo estranho, que aquela seria uma manhã, cedo, de segunda ou quinta-feira, pós-rodada. As palavras do treinador ao seu grupo só vieram confirmar minhas impressões: Luxa deu uma bronca enorme no time por causa de uma derrota sofrida no dia anterior. Chamou-os de preguiçosos, cobrou empenho, profissionalismo e dedicação dos jogadores. Lembrou-os de que o principal propósito de estarem jogando bola é de proporcionarem resultados e satisfazer a torcida. Dispensou o grupo e ficou supervisionando a realização de um treino tático.

Fui comentar qualquer coisa com o treinador do alvinegro praiano, e ele me disse de forma assertiva: "Tem de cobrar mesmo desses caras. Eles estão muito relaxados, entrando em campo achando que só isso é a obrigação deles. Não pode ser assim".

Eu pessoalmente sou da crença de que sonhos podem revelar aquilo que nós consideramos formas ideais, apesar de eu não ser exatamente um grande admirador do time do litoral paulista e menos ainda de um treinador tão controverso quanto o dito cujo. Mas naquele momento hipotético Luxa encarnou aquilo que eu considero como a forma ideal de um treinador após um momento de derrota: capaz de identificar a fraqueza de um grupo, chamar-lhe a atenção, e acima de tudo com um compromisso com os objetivos de toda organização esportiva de caráter competitivo - vencer competições.

Imagem meramente ilustrativa.
O grupo também mereceu um destaque: não havia ali demonstrações de estrelismo ou vaidade quando tomaram a esparrela de seu treinador. Todos ali permaneceram calados enquanto o chefe passava suas impressões, embora nem todos parecessem concordar com ele. Ao final, cada um voltou para seus afazeres enquanto jogadores em treinamento.

Putaria - sim, esta é a palavra que pode ser usada pra definir os critérios de acesso, descida e participação das equipes nas séries C e D. Nos últimos dias, ambos os campeonatos foram assolados por uma enxurrada de ações judiciais de equipes que queriam delas participar, ou não, mas sempre a fórceps. Em diferentes casos, estiveram envolvidos o Rio Branco (AC), Brasil de Pelotas, Treze (PB), Santo André e outros tantos.

Tal situação revela a quantidade de erros de concepção e gestão da CBF, de uma forma tão exarcebada que nos faz pensar se isso não é de propósito. Qualquer dia desses gostaria de sonhar com as divisões inferiores do campeonato brasileiro com mais qualidade, organização e clareza nos seus regulamentos. Mas já serviria (que remédio!) a subida do Santa pra Série B.