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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Leiteria - Orgulho de ser tricolor

Por Gilson Moura Junior

Ontem nossa vitória foi inenarrável, mágica, mística, imensa. 

Ontem vencemos de uma forma que o poucos verão ou veem normalmente, vencemos com força, com raça, com coragem, com alma. Vencemos como quem antes de mais nada sabe o significado das três cores que traduzem tradição.

Vencemos como mais que ufanistas, que amantes acríticos, que idiotas felizes em participar de turbas anencéfalas e cuja maior lembrança do time é de fazer parte da "maior torcida do mundu".

Vencemos ontem, vencemos sim, vencemos porque para além do placar ganhamos a nós mesmos, nós, o time, o olho, o Abel.

A classificação? foi do imenso Boca, imenso, respeitado, gigante, tão gigante que não precisava do jorro coletivo de babação que recebeu após achar um gol ao fim. A vitória? Foi nossa. Não, não vencemos nem o jogo jogado, apesar de imensamente melhores que o adversário gigantesco, fomos melhores e perdemos, como antes ocorreu o inverso tantas vezes. Fomos melhores e caímos diante de um gigante, um gigante que nos acostumamos a enfrentar de igual pra igual, sem tremor nos olhos ou na alma. 

Vencemos não no jogo, não no placar ou na competição, mas no orgulho de sermos parte desta três cores, três cores que traduzem mais que tradição, mas honra, coragem, entrega.

Vencemos, Senhores e Senhoras! Vencemos e temos de estar orgulhosos dessa vitória.

Domingo tem jogo, mais uma taça pra disputar e trazer pra casa.

Não é hora de luto! É hora de orgulho, honra e amor!

É por isso que eu canto, que visto esse manto, orgulho de ser tricolor.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Leiteria - Tá no Sangue

Por Gilson Moura Junior

Na quarta-feira teremos um daqueles jogos que positivamente faria um torcedor comum tremer de medo, suar frio, entender a dor do tenebroso dom da realidade em passar a perna no sonho. 

Nós, no entanto, desacostumados ao comum, olhamos no olho do pavor, do fim, da beira do mundo derramando mar num caos invisível e sorrimos aquele sorriso de "E, dai?". 

Não somos feitos do comum, é vero, no entanto também não sambamos Martinho da Vila na Ópera ao sentarmos em cima de uma confiança tola numa classificação. Não faz diferença, nós sabemos o Fluminense, nós sabemos o olhar daqueles que tem as três cores que traduzem tradição tatuadas na alma, nós sabemos que veremos o Fluminense em campo, o Boca também verá, pode até nos superar em placar, vencer o jogo, mas não superará o que é o Fluminense, aquele que distorce os parâmetros do comum.

 O Boca, o mundo, verá novamente aquilo que torna o futebol algo admitido como um parâmetro do real independente de leis que Newton já dizia. Tá no olho do Abel, tá no Gol de Leandro Euzébio no último fim de semana, na explosão do menino Wallace, na coragem do garoto Marcos Junior, nas câimbras do menino Fábio Braga.

Tá no solitário gol da primeira vitória dentre tantas neste Brasileirão 2012. Tá na alma do torcedor que sorri por saber-se batalha, que sorri por saber-se muitos, por saber-se não apenas uma pálida visão do clichê banhada na descrença de rivais que , tolos, ignoram a história, o mundo onde se os fatos nos diminuem, pior pros fatos.

Na quarta-feira teremos mais uma vez ele em campo, a camisa tricolor carregada por abnegados atores, que tidos como reservas nos causam alegria do desafio.  Podemos cair, podemos perder, podemos morrer, mas assinaremos na alma de cada um o temor de desafiar-nos a alcançar o impossível.

Tá no olho do Abel, tá na alma, tá no sangue.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Leiteria - Nine out Ten

"Walking down portobello road to the sound of reggae...

I'm alive..." *

É uma sensação, um grito, algo dito como que pela pele. Não sei, algo me diz que o Fluminense vencerá. Estamos sem o 9 e o 10. Estamos sem o 5, sem o 8. Estamos com os não vistos, os sumidos, os desacordados, aqueles que saem do porão, como Mickey em 1970, como Tartá em 2010, como Adriano Magrão em 2007.

É uma sensação, um espirro de presunção cassândrica.

Parece que teremos diante de nós um Golias, e hoje somos um David, um David ferido, não por ser fustigado pela mídia, pelos rivais, pelo desprezo por nosso modo de jogar, por nossa cara de alvo pintada na ponta de um canhão calibrado, mas por termos partes nossas, partes fundamentais, na convalescênça que a violência adversária acabaria nos colocando.

Parece que nove entre dez analistas, nove entre dez rivais, nove entre dez argentinos, nove entre dez torcedores nos vê como derrotados, como que no fim de nossa estrada.

E isso me lembra 2007 e isso me lembra Petkovic dizendo que se o Fluminense não vencesse em 2010 jamais venceria, me lembra 2008 quando nove entre dez habitantes do planeta bola nos dizia que jamais o Fluminense venceria um campeão da Libertadores.

Isso me lembra que estamos em Buenos Aires com Wagner e He-Man, como já tivemos Adriano Magrão, Tartá e Mickey, como já fomos patinhos feios, como quem não quer nada.

Hoje o Boca é Favorito e isso é bom.



* Trecho inicial da Canção "Nine Out Ten" De Caetano Veloso, gravada no disco Transa...

terça-feira, 15 de maio de 2012

Leiteria - Estadual não se comemora, se coleciona

Por Gilson Moura Henrique Júnior

Parece arrogância e talvez até seja. Ainda mais diante do fato de que ganhamos dois apenas, na última década, um apenas na anterior e esse é nosso primeiro na década atual.

De nossos inescapáveis 31 títulos estaduais, 27 foram ganhos entre 1902 e 1985, de lá pra cá pouco tivemos sucesso na conquista deste torneio que perde em importância mais ou menos no decorrer deste mesmo período.  

Pode ser mera coincidência, pode ser, mas é interessante notar que enquanto ganhávamos estaduais à vera, a rodo, a Dupla Flamengo e Vasco ganhava Brasileiros e Libertadores e cresciam em tamanho de torcida e impacto em renda, ganho de patrocínio e dinheiro de TV.

Depois da descida ao inferno e da subida na base do orfeísmo carpado, demoramos três anos para a primeira decisão de estadual e primeiro titulo, quatro para a segunda decisão  (Perdemos para o Fla em 2004), cinco para o segundo título e 13 para o terceiro titulo Estadual em 2012. No entanto chegamos à uma final de Copa do Brasil (2005) , uma final de Libertadores (2008), uma final de copa Sulamericana (2009), conquistamos uma Copa do Brasil (2007) e  um Brasileiro (2010) da fuga do inferno para cá.

Aproveitando nossa mudança de foco para fora do estado o Flamengo conseguiu nos ultrapassar na hegemonia regional, porém ampliamos nosso impacto no âmbito nacional e internacional sendo cogitados sempre como equipes que se não são favoritas não são desprezadas, sempre se classificando no minimo para as oitavas de final de torneios internacionais e sendo favoritos todo ano para o Brasileiro.

Quer dizer que ganhar o estadual é ruim? não, não acho ruim, mas é insuficiente, não coça, não muda o patamar do Flu, que coleciona títulos  locais e tinha sua hegemonia até 2008. O foco da torcida e do clube é sem dúvida o titulo da libertadores e/ou do Brasileiro.

São títulos para nos manter no caminho de um protagonismo nacional, por baixo, e sendo sempre tidos como referência no exterior. Foi o caminho que levou o SPFC a um projeto de décadas que culminou em três libertadores e três mundiais, colocação como favorito a títulos nacionais e internacionais quase sempre, em um ciclo só interrompido nos 3 últimos anos de uma entressafra ocorrida pós tri-campeonato Brasileiro em 2008. Foi o caminho que tirou o Inter de um clube estagnado a um gigante com duas libertadores e uma torcida mala que acha que o mundo começou em 2006.

A conquista estadual nos dá mais a medida de nossos rivais diretos e de que temos time para a disputa do Brasileiro, com ajustes, e reduz a pressão idiota de conselheiros e dirigentes para a conquista do estadual do que nos dá algum tipo de "gás" ou muda o foco para os jogos decisivos da Libertadores.

Conquistar o estadual em cima do Botafogo foi mais uma dica para o rival se reforçar do que um ganho para nossa equipe, que acumula mais uma taça para nossa coleção de estaduais e ainda perde jogador importante para o decisivo jogo da libertadores com SÓ o Boca Juniors. 

Para o jogo de quarta iremos sem Fred, contundido na decisão das oitavas contra o Internacional, e Deco,que sentiu a coxa na decisão com o Botafogo no último Domingo.  Além deles temos a ausência já prevista de Valência, Diguinho e Nem. Ou seja, o osso da Bombonera terá de ser encarado com a galera liderada pro Wagner, Jean, He-Man e Edinho e liderada pela raça do Abel, pelo talento de Thiago Neves, pelo coração da torcida, pela cosmicidade rodrigueana e pela fé em João de Deus.

Não vai ser mole, o Boca é favorito e por isso prevejo o Fluminense classificado para as semifinais após dois jogos cardíacos, doloridos, heróicos. 

Não porque somos superiores, apenas porque somos o Fluminense.

sábado, 14 de abril de 2012

Leiteria - Agora Falando Sério...

Por Gilson Moura Henrique Junior

Eu queria não falar... 

Assim começou a  quinta-feira tricolor. 

A quinta-feira dolorida por uma derrota possível, mas não esperada, foi marcada ainda pela soberba adversária, pelas frases recorrentes dos comentaristas do óbvio que repetem nas derrotas que "O Boca é muito mais tradicional que o Fluminense" o omitem nas derrotas que "O Boca Juniors não tem tido sorte contra o Fluminense".

A quinta-feira foi dolorida de ler até gente boa caindo na esparrela de sinal trocado ao comportar-se com o Fluminense da mesma forma que os que tratam o Lanus ou o Olímpia como Olarias. 

A vida é assim, feita de decepções e percalços.

A verdade é que fomos derrotados pelo Boca Juniors que jogou contra o Fluminense de verdade, dois times reais com seus erros e acertos reais, dois times que buscam ser campeões da libertadores e que lutam pela primeira posição da chave.

Em campo dois times que se esforçaram para superarem seu adversário e que teve no time argentino um time superior taticamente e inclusive tecnicamente ao Fluminense que apesar de ter entrado ativo e levando a sério o confronto, não estava bem tecnicamente e cometeu as mesmas falhas táticas que já vinha cometendo.

Em resumo? O Boca foi melhor. Não esperem análises táticas fluentes em estatiquês ou crucificações. Perde-se em copas e campeonatos e antes perder agora que nas oitavas, quartas ou finais.

E gostei do time, achei que sim foi bem diante de um perigoso adversário e que falhou no último passe e nas finalizações. Estamos caminhando, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Agora é galgar mais um passo na direção da liderança, temos de vencer o Arsenal em Buenos aires.

É hora de falar sério, mas eu queria não falar...