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domingo, 24 de junho de 2012

Solucionática: Somente seis rodadas para o Galo?



Lucas Morais

Após a vitória por 5 a 1 do Galo sobre o Náutico, o time mostra que ainda tem muito futebol a mostrar para a massa alvinegra, esta que ontem tomou alguns pontos tradicionais das ruas de Belo Horizonte para festejar o bom resultado, coisa que não se via de fato desde a época (2009-2010) em que os atacantes Tardelli e Obina goleavam o Flamengo, ou o Cruzeiro, quando o time levava sequência de vitórias sobre outros rivais e adversários. A última festa da massa foi a carreata do Independência até a sede do clube no bairro Lourdes para bebemorar o título invicto no Campeonato Mineiro, o 41º da história do clube de 100 campeonatos realizados. Mas as cicatrizes da derrota por 6 a 1 para o rival no ano passado ainda permanecem, apesar das promessas de um novo tempo para o Galo.

A alegria do torcedor não vem somente pela vitória de ontem, mas sim pelos resultados positivos obtidos contra o Corinthians e o Palmeiras. Foram duas vitórias suadas, por 1 a 0, dentro e fora de casa, respectivamente, sendo que, no segundo jogo, contra o Palmeiras, contou-se dois gols mal-anulados pelo juiz, que fez arbitragem caseira, assim como ocorreu contra o São Paulo e Corinthians. O empate em casa contra o Bahia, com um gol-surpresa de Fahel, em um rápido contra-ataque, e a derrota no Morumbi, para um decadente São Paulo, em jogo que o Galo teve tudo para vencer (exceto a necessária pontaria na hora de decidir), fizeram pesar sobre as costas do garoto de apenas 19 anos, Bernard, que deve ter tido sua orelha quase derretida de tanta bronca da massa. Entretanto, no jogo contra o Náutico Bernard criou ótima jogada, tabelada com Jô, e chutou perfeitamente ao gol, sem chances para o goleiro.

É uma pena que a arbitragem tenha favorecido o Galo com o pênalti inexistente sobre o Jô que, como todo atacante, foi malandro, mas o time tinha condições de virar, apesar do empate adverso e mereceu indiscutivelmente a vitória. O que entristece é como a CBF tem prejudicado o Galo quando este joga contra adversários do Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto quando joga com clubes nordestinos ou do Centro Oeste, é privilegiado pela arbitragem. E dizem que isso é papo de torcedor... Bem, só se o torcedor for o único a constatar essa realidade que se põe a cada Brasileirão para o Atlético.

O jogo, apesar da facilidade para os três gols que vieram após o desempate, foi bom, com o Náutico, que mescla jogadores jovens e experientes, oferecendo perigo a cada contra-ataque, mas sendo bem anulado pelo sistema defensivo atleticano. É verdade que o Atlético tinha condições de vencer o Bahia e o São Paulo, entretanto, há que se destacar que ambos jogos se deram em meio à transição do meio-campo e do ataque, com a incorporação de Jô e Ronaldinho Gaúcho quase simultaneamente, ambos sempre muito marcados pelos adversários.


Foram cinco pontos perdidos, que poderiam colocar o Galo em primeiro lugar na tabela com folga em relação ao arquirrival Cruzeiro, hoje, com 18 pontos. Mas, são somente seis (boas) rodadas de trinta e oito. Por outro lado, o time mostra ter hoje um sistema defensivo mais competitivo, com excelentes atuações de Réver e Rafael Marques, com boas transições pelas laterais de Júnior César e Marcos Rocha, ambos dando estabilidade às laterais rumo ao ataque e na marcação, enquanto Ronaldinho trabalha como organizador distribuindo as jogadas e as bolas paradas. Danilinho dá velocidade, ajuda Marcos Rocha e o batalhador Leandro Donizete na marcação, que sentiu falta se Pierre nesse sábado pela referência que é. Mas Serginho e Leandro Donizete também são volantes dignos de confiança, apesar de um erro ou outro. O goleiro Giovanni, por enquanto, tem feito boas defesas. Ressalto o “por enquanto” porque a massa ainda não se contenta com um goleiro jovem: quer um medalhão, como um Júlio Cesar por exemplo, para ter estabilidade em jogos decisivos.

Hoje, o Galo tem elenco e, com a volta do atacante Neto Berola e do (possivelmente) meia-atacante Guilherme do departamento médico, o clube terá muita força ofensiva. Fora que há alternativas, como o próprio Juninho, recém-contratado, que estava no Atlético Goianiense, o atacante da base Paulo Henrique, o próprio André, que felizmente perdeu a condição de titular absoluto no ataque, já que ficou acomodado pelo bafafá da imprensa nacional e regional. Jô tem feito um ótimo trabalho como pivô, pois dificilmente perde a bola quando esta vem de um passe certo, pelo alto ou por baixo, e consegue, quando não sofre falta, tabelar com Bernard (1o gol contra o Náutico), Ronaldinho, Danilinho ou até o Marcos Rocha.

A decepção atende hoje pelo nome de Richarlyson, que realizou um fraco primeiro tempo ontem diante do Náutico e foi sacado corretamente por Cuca logo aos 36 minutos para a entrada de Serginho, que fez um grande jogo e até perdeu gol. Richarlyson só foi ser achado por policiais militares, quando dirigia sua Porsche no Centro de Belo Horizonte, sendo pego no bafômetro e levado à delegacia, e então liberado. Richarlyson vem de uma sequência muito ruim no Atlético. É verdade que fez um jogo excepcional diante do América e teve uma ou outra sequência regular, mas o saldo geral é péssimo, em jogos importantes atua como um adversário, já que seus erros e vacilos tem sido constantes.

É certo que o fator Novo Independência, recém-inaugurado no bairro Horto, região Leste (residencial e tradicional) da capital mineira, ao trazer o futebol do Atlético novamente para Belo Horizonte traz também a grandeza do time, criando aquela química que toma conta da cidade quando o clube está brigando por coisas grandes. É verdade também que Ronaldinho Gaúcho está tomando gosto pelo momento vivido no clube, como vários outros jogadores desacreditados: “Maravilhoso, quando mais depois do jogo receber esse tipo de carinho. É tudo que a gente mais quer. Nós últimos dois anos, a torcida do Atlético sofreu bastante e, agora, em todo jogo a gente quer o estádio cheio. A gente quer fazer essa pressão e essa conexão da torcida com os jogadores tem tudo para dar certo. Com a força desse torcedor, vai ser difícil parar a gente”, disse após o jogo.

Nesse campeonato veremos a potencialidade de um time que hoje tem um treinador de ponta, com preparador de goleiros, técnico e médico da seleção brasileira, jogadores competitivos, a volta ao futebol a Belo Horizonte, dinheiro em caixa para contratações pontuais e somente duas derrotas neste ano, além de ter se livrado de alguns jogadores incompatíveis com as necessidades desse elenco. Tropeços virão e são naturais, a questão é se este time terá condições de se superar quando tudo estiver contra o Galo. O acesso à Libertadores é questão de tempo e o título exigirá muito sacrifício de cada um desta equipe. 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Solucionática - O gol do Danilinho


Por Victor Coelho

No livro Veneno Remédio: o futebol e o Brasil, José M. Wisnik destaca a ideia de que o futebol se distinguiria de outros esportes coletivos (como basquete ou vôlei) por conta da maior dinâmica do jogo: jogadas mais imprevisíveis (comparar com as jogadas do vôlei, onde se destaca mais a eficiência na execução de jogadas-modelo), não limitadas pelo tempo máximo de conclusão de jogada de ataque (como é no basquete). Somente o futebol permite mais que simplesmente dizer como foi a eficiência dos times ou sobre quem fez muitas cestas de três ou a enterrada mais brutal: o futebol permite que se conte histórias sobre o jogo, onde uma análise pode se configurar numa crônica, por exemplo.

No caso do último jogo do Galo, vitória de 1 x 0 sobre o Corinthians pela segunda rodada do Brasileirão de 2012, o gol de Danilinho me lembrou da imprevisibilidade, de uma maneira que me fez pensar também, novamente, no futebol como um tipo de arte, sem cair no clichê do “futebol arte x futebol feio” (falsa polarização pois defender em bloco também é um tipo de arte tanto quanto um drible fenomenal). 

O jogo era bastante disputado, o Corinthians – time encardido pelo entrosamento e pela moral de ser o atual campeão brasileiro e semifinalista da Libertadores – considerado favorito mesmo jogando contra o campeão mineiro invicto, na casa do adversário. O Corinthians não conseguia impor o domínio do jogo, mas chegava com mais perigo. Jogo tenso e bastante disputado, com defesas levando vantagem sobre os ataques. Tudo poderia acontecer.


E algo aconteceu. O time do Galo foi para o ataque, a bola no campo do Corinthians, até que chega aos pés do zagueiro Réver, que vê o baixinho Danilinho se livrando da marcação, na entrada da área. Como autêntico armador - que o time carece - faz passe de categoria, pelo alto, pegando a defesa do Corinthians desprevenida, incluindo o goleiro Cássio, de quase dois metros de altura.
Enquanto a bola percorria sua trajetória pelo ar, expectativa. O que faria Danilinho? Tentaria dominar a bola com o peito para depois tentar o chute, quando certamente daria tempo de o(s) zagueiro(s) ou o goleiro chegarem na marcação? Tentaria tocar de cabeça para um companheiro? Chutar para o gol de primeira seria muito difícil por conta da trajetória da bola, ao mesmo tempo descendente e alta, o que por sua vez, além de impossibilitar o chute de primeira, também impedia uma cabeçada firme. A expectativa naqueles longos segundos era aumentada pela dúvida pela posição do meia-atacante: estaria impedido?


Então o inesperado. Danilinho tranquilamente espera a conclusão do passe, observando a bola. Afasta-se para trás para que sua posição corresponda com a trajetória da bola. Mental e instintivamente calcula sua (da bola) velocidade, peso, sua distância (a dele próprio) com relação ao gol. Então, quando a bola chega, uma leve cabeçada, e apesar da pouca distância entre jogador e gol, a bola sobe de novo ao ar e encobre o gigante Cássio, que apenas observa, semiagaixado, estupefado e rendido, a bola fazer o caminho descendente para encontrar a rede. Delírio da Massa.


Naquela pequena fração de tempo, Danilinho, que ainda apresentava um futebol aquém do que se espera dele, tornou-se um gigante pelo autodomínio, confiança, foi manipulador das leis da física, senhor da matéria de seu corpo e da bola, foi o gênio criador, ponto metafísico naquele microcosmo formado por arquibancadas, gramado, traves, por corpos e mentes na disputa entre dois times. Provou que o futebol é uma maravilha, apesar do esforço que fazem para estragá-lo. 




segunda-feira, 28 de maio de 2012

Solucionática: Galo 1 x 0 Timão

Lucas Morais

No último domingo, o Galo entrou no estádio Independência, em Belo Horizonte, com público de 14.740 e desfalcado dos atacantes Guilherme e Neto Berola, o lateral-direito Carlos César e os volantes Leandro Donizete, Fillipe Soutto e Serginho. O Corinthians, por sua vez, desfalcado dos atacantes Emerson e Jorge Henrique e o meia Paulinho. Apesar dos desfalques em ambos os times, foi um bom jogo, com emoções mais intensas ao fim. Movimentações rápidas, muita marcação e chances de gols para os dois lados desde os primeiros minutos.


ATLÉTICO-MG: Giovanni; Marcos Rocha, Réver, Rafael Marques e Richarlyson (Leonardo Silva); Pierre, Dudu Cearense (Escudero), Bernard, e Mancini (Júnior César); Danilinho e André  
Técnico: Cuca

CORINTHIANS: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Willian Arão (Douglas), Ralf, Danilo e Alex; Willian (Liedson) e Elton (Gilsinho)  
Técnico: Tite

Com os goleiros Cássio e Giovanni defendendo bem, o jogo foi predominantemente no meio-campo, com o Atlético indo para cima no primeiro tempo, mas também tomando contra-ataques que poderiam claramente ter colocado o Corinthians à frente. A falta de criatividade do ataque atleticano facilitou o trabalho do bem armado sistema defensivo corintiano, especialmente quando o lateral-direito Marcos Rocha, em falta sobre o atacante Willian, recebeu amarelo, facilitando as jogadas ofensivas do Corinthians pela sua lateral-esquerda. Dali, o Timão teve suas três melhores chances, perdidas por Elton e Willian.

Pelo Galo, o volante Dudu Cearense voltou ao time titular e mostrou que ainda está fora de forma, mas poderá ajudar na longa trajetória do Brasileirão. André, movido por seu infantilismo, chutou uma bola quando havia sido falta para o Corinthians, provocando uma expulsão estúpida por parte do juiz, que havia, com igual estupidez, expulsado Fábio Santos por jogar a bola no adversário após a marcação de uma falta, justamente em André. Com a expulsão de André ficou nítido que, além da contratação da incógnita que atende por Jô, mais um atacante cabe nesse elenco, até para pressionar o André. O meia argentino Escudero jogou bem e dá mostras de ser um jogador que tem velocidade, consegue dar qualidade de passes e, também, assistências.

Num contra-ataque, Réver, que carregou, como regularmente faz, a bola desde a zaga até o campo adversário, lançou-a na cabeça do baixinho Danilinho, que cobriu magicamente o gigante Cássio, de cerca de 1,90m, que já estava centenas de horas sem levar gols. Mas, apesar do gol, Danilinho anda apagado em campo e precisa se empenhar muito para honrar a camisa alvinegra, como muitos de seus companheiros já fizeram. Atualmente atuando no meio-campo, Mancini mostrou afobação e teve comportamentos, mais uma vez, imaturos e ainda perdeu um gol feito logo no início do jogo. O lateral-direito Marcos Rocha, apesar do cartão sofrido, fez um bom jogo, acertando seus passes, ajudando nos desarmes e virando bem o jogo. Richarlyson e Pierre, assim como Rafael Marques e Réver, mostraram entrosamento e começam a passar segurança para a torcida, enquanto o recém-contratado Júnior César, que foi para o jogo, entrou muito bem. Bernard ainda irá amadurecer mais e precisa aprimorar a finalização.

Um dos maiores erros do Atlético, sem dúvida, foi o afobamento e/ou apavoramento no momento das conclusões de jogadas de ataque, o qual mostra ainda certa falta de confiança para matar o jogo. Também está nítido a necessidade de, além de Guilherme, lesionado, um camisa 10 responsável pela criação e organização do ataque.


São nove meses invicto como mandante, sendo que a maior parte desta série se deu em Sete Lagoas, na Arena do Jacaré. A torcida ainda não voltou a abraçar completamente o time, mas aquela que tem ido a campo está cumprindo seu papel. Dentre esses torcedores, lá estava o atacante Diego Tardelli, autor de marcas incríveis no Atlético em 2009 e 2010 e que está jogando no Catar, mas é atualmente sócio-torcedor do Galo. Todos tem visto um Galo em franca recuperação de sua grandeza, apesar de todos os equívocos das diretorias anteriores e da atual. Vale lembrar, desde 1993 não se mantém um técnico por mais de um ano. Cuca completará um ano no comando alvinegro em agosto, caso até lá não aconteça os imprevistos que vem ocorrendo nos últimos anos na Cidade do Galo.

Vale lembrar, o Galo, neste ano, só perdeu para o Goiás, em Goiânia, por 2 a 0, pela Copa do Brasil. Do returno do Brasileirão 2011 para cá, além dessa derrota para o Goiás, a última derrota havia sido o 6 a 1 para o Cruzeiro na última rodada do Brasileirão. Claro que ainda estamos apenas no início do Campeonato, que é a única competição que o Atlético precisa se preocupar, o que também é bom. Mas, acrescente a isso o fato de que o Galo, na tabela do returno do Brasileirão deste ano, irá fazer a maior parte dos jogos cascudos, encardidos e de matar cardíacos em casa, inclusive o clássico contra o Cruzeiro. Se as contratações corretas forem feitas e o grupo se fechar em torno da disputa do título, o time terá todo o apoio da torcida, que irá lotar até os pontos cegos do Independência. O clube tem estrutura e profissionais à altura dos desafios, mas precisará de sabedoria. Sabedoria que um certo Cuca tem, afinal, não foi campeão brasileiro ainda, mas sim vice-campeão, pelo outro lado da Lagoa da Pampulha.

Hoje o Atlético está compondo um elenco que, se comandado por Cuca como está indo, pode almejar a disputa do título brasileiro e, de quebra, retornar à Libertadores. O retorno a Belo Horizonte tem feito muito bem ao time e, caso as vitórias venham e o time (re)conquiste a confiança da torcida, o Galo poderá crescer muito, inesperadamente. Por fim, torço para que os jogadores e a comissão técnica entendam que o time terá que jogar muito mais futebol do que vem jogando para almejar conquistas nacionais e internacionais.

domingo, 20 de maio de 2012

Solucionática: o impossível se faz possível no futebol em 2012

Lucas Morais

Termina mais uma temporada na Europa. A temporada 2011-2012 foi um presente enorme para os fãs da bola.

O Athletic Bilbao, maior e mais representativo clube do País Basco e a luta por independência deste povo face ao Estado monárquico espanhol, fez uma campanha regular na Liga Espanhola e disputou a final da Liga Europa com sua histórica “filial”, o Atletico de Madrid, que foi fundado por estudantes bascos em Madri em 1903. O time basco, fundado em 1898, somente com jogadores de origem basca e sob o comando de “Loco” Bielsa, perdeu a final após uma brilhante campanha, que contou, inclusive, com a vitória sobre um Manchester United completo, com todos seus titulares em campo, sob comando de Alex Ferguson, para um Atletico comandado pelo matador colombiano Falcão. Doloroso para os bascos, mas deu a lógica: o Atletico havia feito uma campanha invicta e com maior número de gols na Liga Europa, além de boa uma campanha na Liga Espanhola.
No Estado espanhol, o incrível Barcelona do argentino Lionel Messi, dos meias catalães Xavi Hernández e Andrés Iniesta e comandados pelo também catalão Pep Guardiola, entrou meia-bomba na temporada, sem Villa, contundido, com várias transições, como o retorno do meia catalão Cesc Fábregas e a introdução do atacante chileno Alexis Sánchez, com sua zaga frequentemente machucada, com muitas limitações neste setor, mas, ainda assim, este time chegou às semifinais da Liga dos Campeões da Europa, levou Messi a bater o recorde de La Liga, com 50 gols, mas ficando atrás e perdendo em casa para o arquirrival, o Real Madrid, que também morreu nas semifinais diante de um resistente Bayern.


Se os clubes comandados por José Mourinho e Pep Guardiola passassem, poderiam ter disputado entre si a final em um inédito El Clasico na final da Liga dos Campeões. Para compensar, o time de Madri levantou a taça espanhola alcançando o recorde de 100 pontos, com mais uma ótima campanha do goleiro espanhol Iker Casillas e com um tridente ofensivo imbatível, com o português Cristiano Ronaldo, o francês Karim Benzema e argentino Gonzalo Higuaín tendo feito 82 gols na temporada, com o meia alemão Mesut Özil alternando com o brasileiro Kaká e o argentino Di María no meio campo.

Na Itália, a Juventus, invicta, volta a ser protagonista e retorna à Liga dos Campeões, na qual participou mais de vinte vezes. Trata-se de um time forte, complicado, cascudo, encardido, mas com muita qualidade, com Vucinic, Pirlo, Matri, Alessandro Del Piero e o goleiro De Sanctis em destaque. Empata muito e tem o hábito de ganhar com um gol de diferença. Virada é goleada. Essa é a Velha Senhora se reerguendo. Inclusive, disputou o jogo final pela Copa Itália contra o Napoli, do eslovaco Hamsik, do atacante uruguaio Cavani e do atacante argentino Lavezzi, que, ao menos, levantaram esta taça neste ano e salvaram a lavoura, além de quebraram a série invicta da Juve. Pela Liga dos Campeões da Europa, o time da cidade de Nápoles foi eliminado pelo atual campeão, Chelsea. Com um elenco envelhecido, o Milan, apesar da artilharia do sueco Zlatan Ibrahimović, morreu nas quartas de final da Liga dos Campeões diante de um Barcelona envolvente, mas enfrentou com muita dignidade. No campeonato italiano, disputou até o final, mas não foi capaz de se recuperar dos tropeços, igualmente à Internazionale de Milão que, ao final da competição, ressuscitou parte de seu futebol, mas também precisa de renovação em seu elenco. A Udinese mais uma vez encostou entre os primeiros colocados.

Na Alemanha, deu, mais uma vez, Borússia Dortmund, com mais uma brilhante atuação do meia japonês Kagawa, de saída para o Manchester United, o jovem atacante Mario Götze e o atacante paraguaio Lucas Barrios. Campanha impecável e irretocável na Bundesliga, enquanto o Bayern, vacilante, ficou com o vice-campeonato. Schalke de Gelsenkirchen e Borussia Mönchengladbach fizeram boas campanhas e revelaram mais jogadores, como o excelente atacante alemão Marco Reus, do Mönchengladbach.

Na Inglaterra, o “novo rico” Manchester City sofreu muito ao ver por duas vezes sua campanha, que dependeria somente de si mesmo, já que estava na liderança, ir para as mãos do maior rival durante a Premiere League, mas, após 44 anos, o meia marfinense Yaya Touré, o atacante argentino Kun Agüero, o atacante italiano Mario Ballotelli, o meia espanhol David Silva, o meia francês Samir Nasri, comandados por Roberto Mancini, dão o título ao Manchester City, tirando finalmente o título do rival Manchester United que, ano sim ano não, levanta a taça, em um jogo desesperador contra o Queen's Park Rangers na última rodada, quando sofreu dois gols e precisou fazer uma heróica virada no último lance, dos pés de Balotelli para Agüero, que sofreu falta mas insistiu e conseguiu o inacreditável, inenarrável, fantástico e decisivo gol.

A final: F.C. Bayern München vs Chelsea F.C.

O jogo foi muito estudado, como um xadrez, com ambos times anulando as principais jogadas. Robben não decidiu. Mario Gómez, sempre muito marcado, não se libertou e teve poucas chances. Müller, que não vinha bem no jogo, fez um “segundo Mário Gómez” e conseguiu cabecear ao chão em frente de Cech, que não conseguiu a defesa.

O marfinês Didier Drogba, que parece mesmo ter nascido para decisões, em mais uma partida histórica fez o gol do empate aos 88 minutos, no alto, numa bola de escanteio, quando a partida já estava encaminhada em teoria e a torcida do Bayern comemorava. Depois deste gol, Drogba comete um pênalti infantil no atacante francês Frank Ribéry, e o tcheco Peter Cech, mitológico, acerta o lado, defende o pênalti do atacante holandês Arjen Robben e coloca o Chelsea.

Recorreu, jogando fora, a um futebol defensivo e cauteloso. Armou o ferrolho. Contra o Barça, deu certo. Naquele jogo contou com muita sorte, marcação, nervosismo e a categoria de Ramires e o inesquecível gol de Fernando Torres, no Camp Nou.

Pênaltis

Lahm fez. Mata, não. Gómez fez e David Luiz foi categórico. Neuer e Cole fizeram com tanta perfeição que, enquanto a bola não encontrava as redes, a impressão era de que ambos errariam. Emoção total a cada décimo de segundo. Eis que, Schweinsteiger, que se recuperou há poucos meses de uma grave lesão no joelho e esteve muito bem por todo esse jogo, manda na trave, com paradinha antes, tentando tirar do Cech. A torcida do Bayern desaba. Então, Drogba portando a incontingência do gol, mandou forte no canto, canto oposto do escolhido por Manuel Neuer. Decisivo, afinal, foi sua vida e sua razão de viver em jogo.

Ramires, que não pôde jogar a final pelo Chelsea, por estar suspenso, cobriu-se com a bandeira do Brasil já pensando em quando seu filho poderá assistir seu mágico gol e entender o que representou aquela virada, com um a menos, sobre o Barça, no Camp Nou, na vitória da semifinal que habilitou o Chelsea a disputar a taça com o Bayern.

O meia brasileiro confessou, em entrevista aos repórteres da ESPN Brasil, que assiste todos os dias seu gol encobrindo categoricamente o goleiro catalão Victor Valdés.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Solucionática: Galo fraco e freguês

 Lucas Morais



A camisa do Atlético vale hoje menos que este horroroso uniforme verde e amarelo do Goiás. Parabéns ao Goiás, aliás. Com os veteranos Iarley, atacante, e Harlei, goleiro, e um time de jogadores jovens, o time goiano conseguiu impor 2 a 0, em casa, pela Copa do Brasil, dando apenas uma única chance de gol do lado alvinegro. Já no jogo de volta, no Independência, em Belo Horizonte, a equipe goiana soube aproveitar os contra-ataques, quase matando o jogo já nos primeiros minutos de jogo, apesar dos dois gols atleticanos que viriam a seguir. Portanto, mérito total para o Goiás.

O Galo está semelhante ao Fluminense dos anos de 1990. Caso não ocorram mudanças internas radicais, o time poderá sofrer novo rebaixamento logo, logo. Olhando-se os nomes do elenco, é um bom elenco. Nada mais que isso, “bom”. Entretanto, tem “treta” aí no meio. Problemas internos tomam conta, mesmo com a aparência de um ambiente de trabalho tranquilo. Tranquilidade? Não. Jogadores se xingando em campo, o time vem jogando somente um tempo com mais regularidade (regularidade esta que soma, no máximo, 25 minutos, mesmo no Campeonato Mineiro), enquanto sacrifica outro tempo para o toque de bola covarde, isto é, nada contra manter a posse de bola, mas quando essa posse passa a representar a ausência de opções e ousadia no ataque, essa posse de bola passa a ser sintoma de um time comodista, conformado, que se apequena até diante dos pequenos, já que não busca o resultado, os gols, e, quando busca, com base na pressão da torcida, sempre depende de Neto “Resolve” Berola (ou outro “milagre”), que tem sérios problemas físicos que o impedem de jogar por mais de 25 minutos. Há graves problemas de bastidores, de vestiário. Disto a imprensa esportiva, mineira e nacional, sequer trata ou apura.

Como um time que possui “o melhor centro de treinamento do Brasil”, possui o maior patrocinador do futebol nacional (Banco BMG) e saldo para contratação de, pelo menos, três jogadores muito bons, tem e terá como arena tanto os novos Independência e o Mineirão, com um bom treinador como o Cuca e um bom preparador físico como Carlinhos Neves (Seleção Brasileira), com um elenco, no mínimo, razoável, pode, com todo respeito a estes clubes, conseguir ser freguês de times como o Goiás e o Botafogo? Com jogadores perdendo corridas para o veterano Iarley? Ora, basta assistir a qualquer, digo, qualquer jogo de times como o Internacional, Fluminense, Corinthians, Santos, São Paulo, Botafogo, Vasco, Bahia, Coritiba, entre outros, para ver, por contraste, que há graves problemas no vestiários atleticano. Qualquer veterano do Vasco possui mais pique que meio time do Atlético. Que tal? Será problema somente de elenco? Será que o sistema de treinos está correto? Será que a preparação física está dando certo? Como times como o Fluminense, que  nem possui um centro de treinamento com  qualidade da Cidade do Galo, possui jogadores em muitíssimo maior rendimento que o Atlético?

Galo é Galo?

Afora o ufanismo propagado pela rádio Itatiaia e os comentaristas atleticanos, o clima interno do Atlético mais se assemelha ao decadente Flamengo. “Galo é Galo”? Galo foi Galo, “forte e vingador”, até meados da década de 1980. De lá para cá, o Galo tem sido cada vez menos Galo. Portanto, que história é essa, que ufanismo irracional é esse de “Galo é Galo”? O time Galo está menor que o América. Só não está efetivamente menor em função de torcida e recursos financeiros, pois, de resto, não há dúvidas que é o time alviverde belo-horizontino que merece, dentre todos os demais times mineiros, o título de campeão mineiro em seu centenário. Torço mesmo para que o Galo perca desta vez.

Não há o que comemorar caso o time alvinegro seja campeão. Desde 1971, só comemorou-se duas Sul-Americanas, na época, Conmebol, que disputavam os terceiros e quartos colocados das ligas nacionais sul-americanas. Afora isto, não há o que comemorar, apesar de todo e qualquer atleticano saber que é um time que tem e teve tudo para ser um gigante, mas foi sempre administrado de modo arcaico e equivocado. Os títulos de Campeão Mineiro só tem servido para abafar os problemas e refugiar a suposta “grandeza” do clube em um título totalmente inexpressivo. Afinal, em que ajudou o título mineiro ao quase rebaixado Cruzeiro de 2011?

O Galo está na água, a tendência é só descer. Bahia, Figueirense e Ponte Preta estão com times melhores que o Atlético. No Brasileirão, a disputa contra o rebaixamento deverá incluir o Atlético, Portuguesa, Náutico, Sport, Atlético Goianiense e, talvez, Cruzeiro, dado que o time celeste não é fraco, apesar de estar mal-entrosado, haver também problemas de vestiário, financeiro, contratações etc. Muda-se o treinador, contrata-se para as posições corretas e o Cruzeiro volta a se manter na zona intermediária, podendo melhorar rapidamente.

Todo atleticano sabe das carências, limitações e erros do time. A diretoria, por sua vez, ao invés de buscar soluções mais radicais, como o afastamento de determinados jogadores, a contratação certeira para as posições mais carentes (cadê o “olheiro” Eduardo Maluf?), o tratamento para conciliação das crises no vestiário, continua perpetuando sua fórmula de “dessa vez vai”, mascarando as limitações com uma invicta, mas pífia, campanha no Campeonato Mineiro, em que somente América, Cruzeiro e Atlético disputam de fato, com o Tupi comendo pelas beiradas em função do bom time que possui para disputar a Série C do Brasileirão.

Ontem o Independência não esteve lotado. Fosse em outros tempos, até mesmo as ruas ao redor do estádio estariam tomadas pela torcida. Desde o 6 a 1 sofrido contra o Cruzeiro na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2011, que contou com muitas ações suspeitas nos bastidores, inação técnica e de direção, o clube vem se apequenando inexoravelmente. A amarga estreia no Independência reforçou esse rumo. Daqui em diante, é só ladeira. E, “daqui”, entenda-se década de 1980.

Um time completamente aburguesado, com seus jogadores ganhando salários acima de 150 mil reais por mês para apresentar um trabalho ridiculamente fraco, displicente e apático, cujo valor real é igual a times da Série B, enquanto esses jogadores estão nitidamente pouco se importando para o coração dos torcedores e para a urgente necessidade de batalhar, com sangue nos olhos, pela conquista de expressivos títulos nacionais e internacionais, que (re)coloquem o time na esteira dos verdadeiros grandes clubes nacionais e internacionais, como historicamente foi o Galo.

Ora, que modernidade é essa, Alexandre Kalil? Como se contrata jogadores para o Atlético? Por quê? Para quê? Como se dá a preparação física desses jogadores? Como que um time que gasta tanto dinheiro em contratações, salários, centro de treinamento, treinador etc, cai sempre para o Goiás na Copa do Brasil, para o Botafogo na Copa Sul-Americana, para quase todos os grandes no Brasileirão, para o Cruzeiro na final do Campeonato Mineiro, e daí em diante? Será que o treinador Cuca emburreceu ou está lidando com problemas muito maiores que sua capacidade de gerenciamento de crises?

Espero, mesmo, que o América seja o campeão do Campeonato Mineiro deste ano, não só em honra ao seu centenário, mas porque, dentre os times mineiros, é o único que possui hoje dignidade e mérito para tal título. Apesar de sua torcida não ser mais aquela de antes dos anos de 1950, seu time hoje é um grande, com todas as limitações que há. Mescla-se, corretamente, a juventude de seus jogadores oriundos da base com a experiência de veteranos como o atacante Fábio Jr. e o goleiro Neneca. O time tem sangue, coração e sabe de suas limitações. Os jogos contra o Cruzeiro na semifinal do Estadual mostraram isto.

Enquanto isso, temos que escutar que “Galo é Galo”, do mesmo modo que flamenguistas usam o “Mengão é Mengão” para abafar todas as crises, adversidades e péssimos resultados.

E agora, Kalil? Que tal parar de se comportar como um moleque de voz grossa, falar menos, fazer muito mais e efetivamente modernizar o futebol do Atlético? Será que este presidente assiste a Copa Libertadores? Será que ele tem acompanhado o futebol dos grandes clubes brasileiros? Ou será que continuará acreditando que dirige um Real Madrid enquanto em campo o time mostra ser algo muitíssimo inferior ao seu segundo rival belo-horizontino?

Ah, e não nos enganemos. A culpa não é só da diretoria. É da torcida também, que não é santa e muitas vezes acaba atuando contra o próprio time, já que se faz permanentemente iludida, acomodada, conformista e passiva, do jeito que todo e qualquer o adversário ou rival gosta. E, assim, de ano em ano, o Galo vai se tornando um pinto inofensivo.

domingo, 15 de abril de 2012

Solucionática - Por Partes, Como Jack....

Por Lucas Morais

O futebol é realmente uma caixa de surpresas. Se a Terra gira uma vez a cada 24 horas, a bola gira milhares de vezes em 90 minutos.

Vamos por partes.


A derrota do Fluminense para o Boca Juniors veio no melhor momento, do melhor modo possível. Uma derrota para o gigante argentino que, sem Riquelme, mostrou ter time para disputar francamente o título sul-americano, enquanto o Fluminense mostra problemas no sistema defensivo, com os volantes errando muito, o que propiciou o primeiro gol do Boca e fez com que o próprio ataque finalizasse mal e trabalhasse mal a bola pela afobação. Fred e Thiago Neves foram facilmente anulados e, assim, coube a Deco e Nem a criação e a tentativa de fazer a diferença, que também foi anulada com muita qualidade. Digo que foi no melhor momento porque agora Abel sabe as potencialidades e limites de seu time, terá tempo para trabalhar e minimizar os problemas, enquanto precisa trabalhar mais a eficácia do ataque do time, que tem muita qualidade.

A eliminação precoce do Flamengo na Libertadores, após jogar como time grande contra o Lanús, vencendo em casa por 3 a 0, com Ronaldinho finalmente justificando que pode atuar efetivamente como um camisa 10 vez ou outra, foi espetacular. Apesar de estarmos falando da fase de grupos, foi esplêndido ver a crise finalmente tomar lugar na Gávea. Afinal, "Flamengo é Flamengo", mas não nesta noite. O Emelec mostrou garra de dar inveja a qualquer torcedor, de qualquer clube. Mesmo quando tudo parecia estar perdido, foram lá e, nos últimos minutos, arrancaram o gol da classificação, na raça. Foi desses "raros" momentos que, quando ocorrem, especialmente quando se vivencia, nos faz pensar "como o futebol é fantástico!".

Fantástico também será a Champions League nas próximas semanas. Sucinto e direto, acredito na final entre os madridistas e os culés. O Barcelona, apesar de já não estar no auge de seu futebol, tem time, filosofia, estratégia e armas para colocar o Chelsea na roda, em Londres, e talvez até arrancar uma diferença de um ou dois gols.

Já no outro jogo, o Real Madrid, que hoje é o virtual campeão da Liga das Estrelas, quebrou já seus recordes ofensivos e vão para esta fase final com sangue nos olhos, com os jogadores loucos para ganharem do arquirrival catalão, o Barça, tanto na Champions League quanto na Liga. O Bayern já perdeu todas as chances na Bundesliga, onde o Borússia Dortmund será campeão após ter ganhado do rival. E neste final de semana, novamente o gigante alemão obteve um resultado ruim, empatando com o Schalke e deixando Dortmund a uma vitória do título antecipado. Outro grande problema é que o coração da equipe se chama Schweinsteiger, meio campo, e vem de duas sérias contusões, o que fez com que perdesse seu brilhante ritmo. Isso entre outros problemas. O Bayern dificilmente terá condições de suportar a pressão do tridente madridista, Ronaldo-Benzema-Higuaín, caso joguem juntos. 

É o melhor ataque da história do Real. Com os gols deste sábado (14), Cristiano (41 gols), Higuaín (21) e Benzema (18) somam 80 dos 107 gols do Real Madrid e se tornam o trio mais goleador da história. A marca do ataque, aliás, iguala o recorde do time de 1989-90, que também marcou 107 vezes – ainda restam cinco rodadas neste ano pela Liga. Portanto, acredito que o Real de Mourinho é o favorito tanto para a Champions quanto para a Liga, mas o Barcelona pode estragar a festa, especialmente se Messi estiver inspirado. Afinal, em segundos o craque poderá incendiar a guerra nas quatro linhas, como costuma fazer. Aliás, Messi é o jogador que mais gols fez em Casillas, enquanto o jogador que este goleiro mais sofreu gols é também Messi. Curioso, não?


No italiano, Juventus e Milan disputarão ponto a ponto, com a tendência da invicta Juventus leve a taça, já que o Milan tem tropeçado. No inglês, tudo está aberto para os dois Manchester, enquanto os clubes londrinos brigam pelas vagas da Champions.