Por Victor Freire
Zé Teodoro não só nasceu com o oiti dele virado pra lua. Mais que isso. O homem é um leprechaun, um olho grego antropomórfico, a reencarnação do Buda Gautama em nossa era. Só isso explica o que aconteceu no último jogo.
Deixa eu falar logo dele, já que o assunto veio à baila tão cedo, e causou uma impressão tão forte. Digo isso por que vi o jogo (pela internet, se eu colocar tv por assinatura na minha casa eu não faço mais nada na minha vida), e posso falar. O time do Paysandu é seboso. Mas o Santa conseguiu ser pior.
A começar pela zaga, sincronizada com o tempo do jogo como uma dublagem de um filme de kung fu nível Z de Hong Kong nos anos 80. Depois do Santa ter tomado 3 a 1 é que eles lembraram que podiam fazer linha burra - e ainda assim, mais inteligente que os dois. Os volantes, bem, não marcavam e não sabiam sair com a bola, e talvez fossem mais úteis em um Gol 1000. Os meias não conseguiam marcar a saída de bola e tocar, também, nada. De uma displicência atroz, como se quisessem testar a paciência dos 24 mil torcedores que assistiram a peleja.
Deve ter sido por isso que Zé os tirou de campo e colocou 2 atacantes, pra tentar fazer um 4-2-4. Bom, nossos atacantes reservas não andam servindo de nada, a não ser tentar pedalar e perder a bola no lance seguinte.
Percebam, no entanto, que o time do Santa não é ruim, mas está faltando, na minha opinião e em primeiro lugar, concentração e comprometimento. O time anda disperso demais, mas provou no Pernambucano que, quando quer, joga. Concentração essa que, quando esteve presente durante o jogo, nos fez meter uma rajada de 2 gols em menos de 5 minutos, ambos do goleador Dênis Marques. Faltou quando este meteu uma bola na trave e quando Fabrício Ceará matou a bola com o braço antes de enfiar uma bicicleta na trave. Se tivéssemos jogado com um pouquinho de vontade a mais, o papão voltaria pra Belém com uns golzinhos na mala.
* * *
Ah, sim, teve o jogo contra o 12+1, no qual ganhamos de 2 a 1. Tenho pouco a falar, exceto que foi um dos poucos jogos onde o time demonstrou confiança. Mas um jogador chamou a atenção por seus comentários: o volante Memo. O gol do 14-1 surgiu por uma desatenção destes quando, palavras do próprio, estava ajeitando uma chuteira que havia estourado.
Eu fico particularmente puto quando vejo um jogador dar uma declaração desse tipo. Da mesma forma como fiquei puto quando o Brasil foi eliminado da Copa América e Robinho colocou a culpa no gramado. Ou quando jogadores disseram que a Jabulani (ainda que pese ser uma das bolas mais feias e sem graça que eu já vi) era incontrolável e impossível de servir a um jogo oficial.
Vamos aos fatos: em nenhum lugar do mundo nego começa jogando bola numa quadra ou gramado bonitinha e bem feitinha, padrão Fifa. Salvo aquele time da Tailândia que treinava numa plataforma flutuante, todo mundo teve a oportunidade de começar num campo de terra batida. Na Europa, na América do Norte. Nos países de Terceiro Mundo, onde nascem metade dos craques do planeta, então, o que teve de menino chutando pedra e continuando a dar bicudos com o tampo do dedo solto, sangrante, não está no gibi.
Este tipo de declaração esfarrapada pra justificar um desempenho especialmente ruim diz muito, também, sobre o que acontece com o futebol moderno. Está totalmente desconectado de suas origens. Torna-se cada vez mais um espetáculo para dar prazer (leia-se grana) aos investidores do que necessariamente uma competição esportiva que movimenta toda uma comunidade. Penso se a próxima geração acreditará que os jogos internacionais no século XIX, entre Escócia e País de Gales, por exemplo, foram jogados por equipes amadoras onde os futebolistas eram mineiros, trabalhadores da estrada de ferro e das companhias de gás, operários de estaleiros e de metalúrgicas. A plateia? Esta assistia a poucos metros da cal, sentados em morrinhos de grama em volta do campo.
Como era verde meu vale.*
*Ver o livro de Richard Llewellyn.
"Assim é bom discutir futebol. Com densidade, saindo do raso e do comum." Ricardo Gomes
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
O campinho da aldeia velha - um mês e nada
Por Victor Freire
Quase um mês e nada resolveu-se.
A situação é a seguinte: como todos sabem, uma série de clubes entraram na justiça comum solicitando sua inclusão na série C do campeonato brasileiro, e o que deveria ter se resolvido rapidamente transformou-se no maior imbróglio já visto no futebol tupiniquim, ao menos abaixo da fronteira da série B. A competição, que deveria iniciar-se no dia 27/05, já está atrasada em um mês, e ao que parece a série D vai começar antes.
Em reunião ocorrida no último dia 19, Rio Branco e Brasil de Pelotas desistiram de suas ações na justiça de seus estados, embora o estado do Acre tenha decidido que vai figurar no pólo ativo na ação outrora conduzida pelo principal time de sua capital. O grande problema até agora vem sendo apresentado pelo Treze Futebol Clube, de Campina Grande, também conhecido como Galo da Borborema.
O time não desiste de sua ação e insiste em impedir a realização de um campeonato nacional com uma liminar emitida por uma justiça estadual, que em meu entender não deveria possuir esta competência. Eles pleiteiam o acesso na série C baseados em sua colocação na série D (entro em mais detalhes logo abaixo) do ano passado e em um acordo estranho realizado pela CBF com o Rio Branco, que em teoria deveria ter sido rebaixado no grupo norte da terceira divisão por escalação irregular, mas teve seus pontos zerados no meio da competição e ainda assim conseguiu permanecer, sendo rebaixado no seu grupo o Araguaína.
Desta forma, o Treze considera que o Rio Branco na verdade deveria ser rebaixado junto com o Araguaína e a vaga deveria ser repassada a ele, quinto colocado, levando-se em consideração a pontuação do time na segunda fase da série D. O problema com esse argumento é que o regulamento da quarta divisão é claro ao considerar que, para efeitos de classificação final dos clubes no campeonato, serão consideradas ambas as fases. Por este critério, o time paraibano é sexto, e não quinto colocado, como afirmam.
Não obstante essa situação, o Treze ainda demonstra que agiu de má-fé, uma vez que só entrou com o pedido após a realização do campeonato paraibano deste ano, onde não foi às finais: viu a vaga para a série D do estado cair no colo do Sousa, segundo colocado que decidiu o campeonato com o Campinense, rival do Treze e que foi rebaixado à mesma quarta divisão de maneira injusta, em um arrumadinho que beneficiou o Fortaleza no último jogo, contra o CRB.
A CBF poderia simplesmente passar por cima da liminar que foi concedida ao time na justiça paraibana e aguardar o trânsito em julgado da ação. Mesmo a multa só será paga após a decisão do STJ, e a entidade máxima do futebol ainda pode levá-la ao STF se decidir impetrar um mandado de segurança para resguardar o direito líquido e certo dos outros clubes, devidamente classificados, de jogar o campeonato. Mas não o faz, já que isso não incomoda os clubes que estão na série B e A. Uma pena que a CBF e sua nova administração, na figura do sr. José Maria Marín, não liguem com as divisões mais baixas do futebol nacional, que possuem sua importância.
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