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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Leiteria - Trocando em Miúdos


Por Gilson Moura Junior

Fluminense e Internacional tem uma relação tórrida, especialmente recentemente quando se enfrentam com uma frequência assustadora e de uma forma acalorada, agarrada, quase que num transe erótico, físico, dolorido e pegado.

A nação colorada, marcada pela lógica de que a história começa em 2006, tende a nos classificar como o submundo da inexistência e uma afronta perambulante pela série A, e por vezes ignora a recente freguesia de três anos, fora que o conflito historicamente não é exatamente desequilibrado para os lados do Gigante da Beira-Rio.

Em meio aos entreveros de cada embate, Fluminense e Internacional se enfrentaram ontem  sob a mancha da zona que é a administração da CBF e sob uma chuva e um frio que se pra Gaúcho é frescura, pros Cariocas amantes de Futebol é um convite ao Pay Per View. Frio vá lá, mas Chuva é uma afronta.

O jogo em si começou mui bueno, coma taques lá e cá, uma surpreendente volta de Deco e Nem, que chegaram chegando, e com boa movimentação do digníssimo Fred, que parecia que estava feliz com seus caipisaquês em dia e sua coxa curada. No entanto no decorrer da peleja e da péssima arbitragem o que era bom acabou-se e quem curtiu arregalou-se no sono dos justos até que Lanzini desjustificou qualquer investimento milionário em sue passe mandando uma bola que era gol certo nas mãos da Pequena Sereia ( E goleiro titular do Inter nas horas vagas) Muriel.

O Fluminense e sua cosmicidade ontem não apareceram em campo, levados pela lentidão do retorno de seus baluartes e uma pequena falta de ritmo, pelo Frio e pela boa atuação defensiva do colorado, mas no entanto não nos envergonhou a esquadra com uma atuação desmeritosa, jogou até bem, até ser envolvida pela preguiça da chuva friorenta.

A sensação de que perdemos três pontos garantidos se dá pela quantidade de gols perdidos e pelas boas chances criadas, sendo que fomos superiores neste quesito em toda a peleja, mas no entanto não é bom esquecer que enfrentamos um grande time, mesmo desfalcado.

Agora é conquistar os pontos que faltam diante da Lusa  em casa, que diante do quadro em que se encontra nos enche de responsabilidade da vitória, e nos prepararmos completos para mordiscar mais três pontos diante do Atlético-Goianiense em Goiás.

Com o Brasileiro no início é bom já começar a trilhar o caminho das vitórias antes que os adversários continuem a se distanciar, especialmente o Vasco, mas devemos também considerar que as três primeiras rodadas nos tiveram com times mistos e muito desfalcados.

O Flu oficial estreou ontem, estrou bem, poderia ser melhor, e agora é partir com seriedade pra conquistar este campeonato e retornar À Libertadores. 

É nosso desejo e dever, é nossa carteira de identidade, pra não ficar a impressão de que fomos tarde.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Leiteria - A Jornada do Herói

Por Gilson Moura Junior

É o Fluminense.

Isso ai, o Fluminense, conhece? É.. aquele mesmo.. aquele que quando retorna no reino de Hades escolhe como livro de cabeceira a Jornada do Herói.

É aquele Fluminense, aquele que desnuda a emoção, a  agonia, com requintes Hitchcockianos, como se filmasse "Os Pássaros" enquanto o Imponderável chupa um Chicabon na calçada do Impossível.

O Fluminense, aquele de 2009, aquele de 2010, aquele que em 2011 foi dado como morto e só morreu quando havia virado protagonista. 

O Fluminense zoa a derrota, como um Judeu Errante que tripudia da morte retornando aos píncaros da emoção com requintes de crueldade, como um Ulisses redivivo que é um Ninguém que mata Ciclopes furiosos e autocentrados.

E o Inter, que não é o Botafogo, conheceu novamente o Fluminense na noite de ontem.

O Torcedor do Fluminense quando saiu de casa com o sabor da classificação na ponta da língua, se preparava para uma dolorosa experiencia que lhe é comum e grata, a da superação de montanhas, de inimigos imaginários, moinhos de vento, medos, depressões, falhas e do desdém que nos acompanha desde a descida aos infernos da série C. O Torcedor do Fluminense no entanto não sabia como. 

E neste misterioso caminho entre uma certeza sagrada e a dúvida sobre o roteiro, subiram as rampas do novo templo tomados de inescapável garra. Gritaram, cada um como um pedaço de alma do eterno, cada qual um momento de gigante e absoluta, comovida até, doação àquele, aquelas cores, que não só traduzem tradição, como traduzem a inescapável predestinação à glória.

Com o Fluminense, repito,  o Imponderável chupa Chicabon na calçada do Impossível.

E o Inter, sabedor de que era a noite de sua melhor partida, sabedor que não é o Botafogo, cai diante de um novo conhecimento: somos o Fluminense.

Na segunda decisão entre os clubes em vinte anos o Inter aprendeu que mesmo longe de nossos melhores dias está diante de um gigante, de um Ulisses, e que sem a ajuda do Juiz talvez nem sempre seja simples superá-lo, especialmente com línguas grandes.

 Em uma semana mais uma batalha, mais uma enorme batalha que se torna uma nova tradição, um novo clássico. O Fluminense irá à tão saudosa quanto aconchegante Buenos Aires para enfrentar um Gigante ainda maior que o Internacional, um Gigante que além disso sabe que desprezando Guerreiros se cai e o quanto isso é doloroso.

Teremos diante do Boca Juniors mais um capítulo da espinhosa história que nos levou à final de uma Libertadores, a tradição de nenhuma moleza, de nenhum Bolivar, de nenhum sub-12 do timbuctu, pela frente, mas de gigantes, de monstros, leviatãs futeboleiros.

E como Ulisses chegaremos à Terra deste Ciclope como Ninguém, como mais um que ouvindo "nunca terás o tamanho do Boca Juniors", se cala e avança.

Eles são favoritos.

E isso é bom.





quarta-feira, 9 de maio de 2012

Leiteria - A um jogo do futuro

Por Gilson Moura Junior

O Fluminense está novamente a um jogo do futuro. 

Sim, o Fluminense não vence campeonatos pensando em um longínquo devir, ele vence vencendo finais, jogando finais, finais diárias, cotidianas. E muitas vezes tornando-as árduas para si mesmo e sua torcida, ávida de um jogo magistral, de uma índole Santista jamais vista com durabilidade na gloriosa história tricolor.

Ao Fluminense não cabe um Garrincha, um Pelé, um Nilton Santos. Não que gloriosos jogadores não tenham passado pelas Laranjeiras, e nem é preciso ir longe, basta citar Telê, Didi, Rivelino, Branco, Assis, Ricardo gomes, Conca, Fred e Deco. Mas mesmo com todos eles o Fluminense sempre foi ele mesmo. Ele é seu maior ídolo. Ele é o maior ídolo de sua torcida.

É o Fluminense que inflama arquibancada e jogador e que torna-os um estandarte de vitórias e títulos.  É a bandeira tricolor que transforma Marquinho em peça fundamental, que transforma Denilson em Rei Zulu.

No domingo último o Botafogo , favorito ao clássico, percebeu isso, viu dos pés, da alma tricolor, o massacre, o massacre que levou antes dos gols à perda de cabeça de uma de suas peças, um de seus guerreiros, que, tresloucado pela pressão tricolor, cometeu o crime que permitiu a goleada.

A atuação soberba o foi , antes de mais nada, porque soberbo foi o sentido de coletivo, de Fluminense, de alma ampla, de alma tricolor. O Fluminense foi eco, foi Fred, foi Sóbis, foi Bruno, foi Carlinhos, foi o Thiago Neves que sofreu falta, deu passes e desarmou na lateral direita, foi todos.

Ao Fluminense está aberta a estrada para o titulo carioca, mas ainda assim no rosto, nas línguas dos guerreiros a vitória só será comemorada ao apitar do árbitro do fim do próximo jogo, pois Fluminense é Fluminense e por isso mesmo se cala, sapiente de seu tamanho e do desnecessário repeti-lo como mantra.


Na quinta-feira cabe ao Fluminense o difícil desafio de vencer o bi-campeão da libertadores, o Internacional, que passa por indefinições advindas de suas práticas pouco ortodoxas no âmbito das contratações de jogadores da base, que inclusive nos tirou Dalton e Marinho. Ao Fluminense cabe vencer um grande time, que segundo seu lateral-direito Nei está em vantagem, pois para ele basta vencer-nos por 1 x 0.


Ao Internacional basta nos vencer, enquanto nós necessitamos vencê-los. É uma sutil diferença, uma sutil diferença presente na diferença entre Abel Braga e Dorival Junior, é a sutil diferença entre um que vê a dificuldade e busca superá-la e outro que confia no gabarito e experiencia de seus jogadores, e só deles, para superar um "melhor" Fluminense. Sutil diferença presente na confiança do tricolor, que sabe a guerra, que sabe a dificuldade, que sabe o que é Fluminense, mas persevera na nossa imensa capacidade de superar montanhas.

Ao Flu só resta vencer, dois jogos, duas vitórias que nos darão uma Glória garantida e mais um pedaço da longa estrada para o ápice das Américas. Ao Flu só resta o próximo passo.


Na quinta-feira o favorito é o Internacional, mais tarimbado, bi-campeão, contra um time chamado Fluminense, pequeno para alguns colorados, um time que nunca venceu a Libertadores e só está em vantagem no péssimo estadual, ao vencer um Botafogo desprezado para fora das fronteiras da Guanabara, outrora favorito ao jogo e ao título.

Ao Fluminense só resta a certeza de seu nome, de seu manto, da impossibilidade como fogo que nos arde as ventas e veias.

Ao Fluminense resta um time que cresce, que sabe de si e que monta-se para ser mais que apenas um coadjuvante no delírio de torcedores e mídia que o esquecem.

Ao Fluminense resta saber-se nunca um Santos, mas um Fluminense e por si só um gigante capaz de assustar a quem o vê, ainda, como um anão.




segunda-feira, 30 de abril de 2012

Leiteiria - O primeiro passo e a História

Por Gilson Moura Junior

Fluminense e Internacional fizeram um jogo duro, difícil, no Beira-Rio. Tão difícil que a Leiteria passeou em plagas gaudérias a ponto de o destaque do jogo ter sido o goleiro menos acionado.

Cavalieri novamente mitou ao ser decisivo, ao decidir em batalha uma pequena vitória, ao defender um pênalti executado por Edinho, em uma tentativa de homícidio mal camuflada em plena área, e batido por Dátolo , aquele mesmo que nos visitou quando jogava no Boca, com a malícia confiante hermana. 

Contrariando o impossível, Cavalieri suavemente toca a bola e lança a esperança colorada na vala comum do urro primal do arquibaldo.

O "ÚUUUU" se ouviu nas muralhas da China.

A confiança bi-campeã da libertadores, naquela soberba novata dos recém entrados nos píncaros do gigantismo, mesmo assim permaneceu, mesmo tendo seu time acuado na maior parte do tempo, mesmo vendo nos pés cósmicos a vitória estar muito mais próxima, mesmo sabendo que enfrentarão nos palcos cariocas um Gigante que faz bastante tempo sabe jogar em seus domínios.

A frase do lateral-direito Nei, que considera vantagem para o Internacional jogar na casa do adversário, pois um gol torna o Colorado classificado, foi ecoada pela mídia, essa mesma que, muitas vezes carioca, prefere fingir que não nos vê.

E vamos para o segundo jogo, no Rio de Janeiro, onde perdemos o primeiro jogo por uma competição internacional em 27 anos há pouco menos de dois meses, com o favorito Internacional, o papa título Internacional, o mestre da paudurecencia copeira Internacional, na humilde residência alugada do engenhão, como franco-atiradores. Ao menos segundo Nei, segundo a mídia e segundo parte dos torcedores que fingem não ver o Fluminense.

Melhor assim. 

Assim como também é melhor que a História remonte 1971 para exigir um reparo moral ao Vovô, aquele cuja pipa não estava subindo mais e que reaparece a decidir depois de 41 anos um campeonato carioca.

Era preciso uma massagem cardíaca no vovô e muito me apraz que esta também eleve o Glorioso ao Status de Favorito da América, aos píncaros do mais belo time a jogar futebol na mui leal.

O papel de estar confortavelmente instalado na ponta da língua da antipatia popular e midiática não nos é novo, nem tampouco acre. Ao Fluminense não cabe ser a princesinha do baile, a vizinha que vem e que passa a caminho do mar deslindando-se sensualidades. Ao Fluminense não cabe a roupa titânica pré-moldada dos favoritos de prévia, queremos são os farrapos da glória, os retalhos da batalha vencida.

A faixa pré-carimbada nos causa ânsias, nos faz mal.

E vamos a duas decisões em três jogos nos próximas duas semanas. Nas duas não somos os preferidos ou os favoritos.

Ao Fluminense a desconfiança cai como Amok.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Leiteria - Rumo à irresistível vocação para a glória

Por Gilson Moura Junior

O Internacional é um dos mais tradicionais clubes do Brasil, isso não se discute, e amplia sua grandeza com suas duas libertadores e seu mundial.

O confronto de quarta-feira com o Internacional assanhou apocalípticos e integrados em debates intestinos da torcida tricolor ao ponto de dramas e dores e lágrimas chorarem por entre os mundos e fundos que compõe a cosmicidade.

"Porque tão cedo?" gritavam os apocalípticos. "Porque não? quem quer ser campeão tem de vencer a tudo" berravam integrados, otimistas e polianas.

O certo é que mais uma batalha se avizinha, o certo é que não há razão, nunca haverá ou houve nos passos que nos conduzem aos títulos.  O Fluminense tem à sua frente novamente a presença de monstros, leviatãs futebolísticos, fantasmas e horrores que śo heróis míticas podem superar.

Temer, racionalizar ou ufanar-nos de nossa, óbvia, grandeza não nos levará à Ela, na verdade o que nos levará a ter em mãos a obra de arte Libertada, construída do sangue de guerreiros, lutadores, Libertadores, é nossa irresistível vocação para a Glória.

Temos à frente Internacional, e se passarmos pro esta muralha , possivelmente Boca Juniors e quem sabe quem mais nos fará novamente ter, como em 2008, a árdua tarefa de a tudo vencer, de a tudo superar.

Em 2008 nossa arrogância em não ver nos Equatorianos adversários à altura nos custou o mais alto lugar do pódio, não podemos inverter a sensação e nos ocultar na pálida covardia dos tolos.

Nunca tememos os grandes, erramos sempre quando não enxergamos os humildes.

Temos à frente tudo o que o Fluminense precisa, guerras, apoteoses, dores, humores, sangue e força, tudo o que compõe o estandarte do mito que construímos há 112 anos.

O Internacional é um dos mais tradicionais clubes do Brasil, isso não se discute, como não deveria se discutir o gigantismo tricolor.

No Beira-Rio na Quarta-Feira, teremos mais um passo para a glória e não tenho dúvidas que o daremos com a necessária demonstração de força, não a ponto de calar os críticos, mas ao ponto de sussurrar o pavor de ver-nos finalmente conquistando  o que nos foi outrora negado, nos colocando acima das preferências clubísticas e amores ocultos.

No Beira-Rio, na Quarta-Feira, o Fluminense talvez relembre que o mundo não começou em 2006, quem sabe com um gol de Marcos Junior.