"Assim é bom discutir futebol. Com densidade, saindo do raso e do comum." Ricardo Gomes
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
O Campinho da Aldeia Velha – Creepypasta
segunda-feira, 23 de julho de 2012
O Campinho da Aldeia Velha - A sorte, essa linda!
Zé Teodoro não só nasceu com o oiti dele virado pra lua. Mais que isso. O homem é um leprechaun, um olho grego antropomórfico, a reencarnação do Buda Gautama em nossa era. Só isso explica o que aconteceu no último jogo.
Deixa eu falar logo dele, já que o assunto veio à baila tão cedo, e causou uma impressão tão forte. Digo isso por que vi o jogo (pela internet, se eu colocar tv por assinatura na minha casa eu não faço mais nada na minha vida), e posso falar. O time do Paysandu é seboso. Mas o Santa conseguiu ser pior.
A começar pela zaga, sincronizada com o tempo do jogo como uma dublagem de um filme de kung fu nível Z de Hong Kong nos anos 80. Depois do Santa ter tomado 3 a 1 é que eles lembraram que podiam fazer linha burra - e ainda assim, mais inteligente que os dois. Os volantes, bem, não marcavam e não sabiam sair com a bola, e talvez fossem mais úteis em um Gol 1000. Os meias não conseguiam marcar a saída de bola e tocar, também, nada. De uma displicência atroz, como se quisessem testar a paciência dos 24 mil torcedores que assistiram a peleja.
Deve ter sido por isso que Zé os tirou de campo e colocou 2 atacantes, pra tentar fazer um 4-2-4. Bom, nossos atacantes reservas não andam servindo de nada, a não ser tentar pedalar e perder a bola no lance seguinte.
Percebam, no entanto, que o time do Santa não é ruim, mas está faltando, na minha opinião e em primeiro lugar, concentração e comprometimento. O time anda disperso demais, mas provou no Pernambucano que, quando quer, joga. Concentração essa que, quando esteve presente durante o jogo, nos fez meter uma rajada de 2 gols em menos de 5 minutos, ambos do goleador Dênis Marques. Faltou quando este meteu uma bola na trave e quando Fabrício Ceará matou a bola com o braço antes de enfiar uma bicicleta na trave. Se tivéssemos jogado com um pouquinho de vontade a mais, o papão voltaria pra Belém com uns golzinhos na mala.
* * *
Ah, sim, teve o jogo contra o 12+1, no qual ganhamos de 2 a 1. Tenho pouco a falar, exceto que foi um dos poucos jogos onde o time demonstrou confiança. Mas um jogador chamou a atenção por seus comentários: o volante Memo. O gol do 14-1 surgiu por uma desatenção destes quando, palavras do próprio, estava ajeitando uma chuteira que havia estourado.
Eu fico particularmente puto quando vejo um jogador dar uma declaração desse tipo. Da mesma forma como fiquei puto quando o Brasil foi eliminado da Copa América e Robinho colocou a culpa no gramado. Ou quando jogadores disseram que a Jabulani (ainda que pese ser uma das bolas mais feias e sem graça que eu já vi) era incontrolável e impossível de servir a um jogo oficial.
Vamos aos fatos: em nenhum lugar do mundo nego começa jogando bola numa quadra ou gramado bonitinha e bem feitinha, padrão Fifa. Salvo aquele time da Tailândia que treinava numa plataforma flutuante, todo mundo teve a oportunidade de começar num campo de terra batida. Na Europa, na América do Norte. Nos países de Terceiro Mundo, onde nascem metade dos craques do planeta, então, o que teve de menino chutando pedra e continuando a dar bicudos com o tampo do dedo solto, sangrante, não está no gibi.
Este tipo de declaração esfarrapada pra justificar um desempenho especialmente ruim diz muito, também, sobre o que acontece com o futebol moderno. Está totalmente desconectado de suas origens. Torna-se cada vez mais um espetáculo para dar prazer (leia-se grana) aos investidores do que necessariamente uma competição esportiva que movimenta toda uma comunidade. Penso se a próxima geração acreditará que os jogos internacionais no século XIX, entre Escócia e País de Gales, por exemplo, foram jogados por equipes amadoras onde os futebolistas eram mineiros, trabalhadores da estrada de ferro e das companhias de gás, operários de estaleiros e de metalúrgicas. A plateia? Esta assistia a poucos metros da cal, sentados em morrinhos de grama em volta do campo.
Como era verde meu vale.*
*Ver o livro de Richard Llewellyn.
terça-feira, 10 de julho de 2012
O Campinho da Aldeia Velha - Voltou "daquele" jeito
| Paysandu x Luverdense |
| Tupi x Duque de Caxias |
* * *
O Santa merece um capítulo à parte. E ele é motivado, claro, por uma das personalidades que mais frequentemente aparecem por esta humilde coluna: Zé Teodoro. Zé fez duas partidas medíocres até então. Na primeira, um time apático e sonolento cedeu preciosos dois pontos ao empatar com o fraco Guarany de Sobral. Resultado aceitável segundo o coach coral, uma opinião da qual a torcida não partilha. Mas tudo bem, releve-se, foram férias forçadas por mais de um mês além do necessário. E vamos em frente.
Eu acompanhei pelo rádio (que remédio!) a segunda partida, em Salgueiro, cidade a cerca de 510 km do Recife, no sertão pernambucano. O que deu pra perceber foi que mais uma vez o time bateu cabeça e estava inseguro, como aconteceu, aliás, em muitas partidas do pernambucano. Se camisa pesa e afeta jogadores inexperientes, o goleiro, Diego Lima, parecia estar usando uma cota de malha feita com chumbo. Os zagueiros pareciam conversar entre si: um falando mongol e o outro, zulu arcaico (e quando falavam com os volantes, era em norueguês bokmal). Do meio pra frente, uma diarreia mental "crássica". O carcará abriu logo dois pra nego se orientar.
O jogo mudou no segundo tempo, mas não por mérito tático. Luciano Henrique e Dênis Marques tiveram, cada um, uma ideia digna de Arquimedes na clássica final do mundial de filosofia de 74 e fizeram 2 gols, empatando a partida. Não fosse a desorganização tática vista anteriormente, voltaríamos pro Recife comemorando e ainda no G4.
O que me deixa confiando um pouco mais no Santa é uma das principais qualidades de Zé Teodoro: a sorte. Zé nasceu com o fresado virado pra dona lua e ganhou 2 títulos estaduais e um acesso desse jeito. Bem, até o momento em que ela resolve abandoná-lo, como aconteceu no Fortaleza, alguns anos atrás. Espero que ela esteja longe, bem longe de voar para outras bandas. Mas seguro morreu de velho, por isso, abra do olho, seu Zé!
sábado, 23 de junho de 2012
O campinho da aldeia velha - um mês e nada
segunda-feira, 11 de junho de 2012
O Campinho da Aldeia Velha - Flamengo de Arcoverde: mais um ano fora da série A2
| Imagem meramente ilustrativa |
quarta-feira, 23 de maio de 2012
O campinho da Aldeia Velha - Sonho Estranho
Engraçado. Tive um sonho estranho hoje.
Sonhei que estava assistindo um treino do Santos F.C. (não, por incrível que pareça, não era do Santa Cruz). Mas haviam significativas diferenças em relação à vida real. Este Santos estava sendo comandado pelo "pofexô" Luxa. E o treino estava sendo conduzido em um terreno baldio, de terra batida, mal cuidado e onde se podiam ver pedras soltas e cacos de telha e de lajotas de cimento aqui e ali. Parecia com os campos onde (vez ou outra, nunca fui fominha por bola) batia pelada com os amigos ou os moleques dos bairros lá de Arcoverde.
Luxemburgo, de uma maneira que me impressionou muito, não estava com a sua típica arrogância. Segurava uma bola embaixo do braço, uniforme de comissão técnica, tênis nos pés, olhar grave. Aguardava os jogadores chegarem ao local de treino, de forma displiscente, aos bolos (pequenos), enquanto iam formando um círculo para a preleção inicial antes do início das atividades.
Fui comentar qualquer coisa com o treinador do alvinegro praiano, e ele me disse de forma assertiva: "Tem de cobrar mesmo desses caras. Eles estão muito relaxados, entrando em campo achando que só isso é a obrigação deles. Não pode ser assim".
Eu pessoalmente sou da crença de que sonhos podem revelar aquilo que nós consideramos formas ideais, apesar de eu não ser exatamente um grande admirador do time do litoral paulista e menos ainda de um treinador tão controverso quanto o dito cujo. Mas naquele momento hipotético Luxa encarnou aquilo que eu considero como a forma ideal de um treinador após um momento de derrota: capaz de identificar a fraqueza de um grupo, chamar-lhe a atenção, e acima de tudo com um compromisso com os objetivos de toda organização esportiva de caráter competitivo - vencer competições.
| Imagem meramente ilustrativa. |
Putaria - sim, esta é a palavra que pode ser usada pra definir os critérios de acesso, descida e participação das equipes nas séries C e D. Nos últimos dias, ambos os campeonatos foram assolados por uma enxurrada de ações judiciais de equipes que queriam delas participar, ou não, mas sempre a fórceps. Em diferentes casos, estiveram envolvidos o Rio Branco (AC), Brasil de Pelotas, Treze (PB), Santo André e outros tantos.
Tal situação revela a quantidade de erros de concepção e gestão da CBF, de uma forma tão exarcebada que nos faz pensar se isso não é de propósito. Qualquer dia desses gostaria de sonhar com as divisões inferiores do campeonato brasileiro com mais qualidade, organização e clareza nos seus regulamentos. Mas já serviria (que remédio!) a subida do Santa pra Série B.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O Campinho da Aldeia Velha - As lições que Cruijff dá
O sistema de futebol total não é perfeito, no entanto. Beckenbauer e a Alemanha de 74 souberam como pará-lo, com uma marcação forte em cima daquele que era seu pivô. A evolução dele, o chamado "tiki-taka" espanhol, foi parado, ironicamente, pela marcação fortíssima do também alemão Bayern München. Isso, no entanto, não desmerece a tática, e tampouco as máximas de seus defensores, que deveriam ser melhor observadas nestes tempos modernos.terça-feira, 13 de março de 2012
O Campinho da Aldeia Velha: Estabilidade estática relaxada
Um dos maiores avanços na ciência aeronáutica foi o desenvolvimento de aviões que eram aerodinamicamente instáveis, associado a controles eletrônicos de áilerons e élevons, as superfícies que o fazem movimentar-se no ar. O que parece ser uma receita para o fracasso (como realmente foi, nos primeiros ensaios de vôo do F-16 americano) na verdade resultou em aviões mais manobráveis e capazes de fazer malabarismos antes impensáveis no ar. Tecnologia iniciada com os americanos, teve nos russos o seu ápice, com o desenvolvimento do pouco ortodoxo Sukhoi Su-47 “Berkut”.
É impossível, ao menos pra mim, deixar de ver paralelos entre um arrojado avião aerodinamicamente instável e as táticas usadas pelo técnico Zé Teodoro no Perna
Vejam bem: Zé tentou fazer funcionar, no início do campeonato, um 4-4-2 que se mostrou manco, com resultados insatisfatórios. Eu não me recordo bem agora, mas Zé deve ter usado em alguma ocasião um 3-5-2, que vou desconsiderar por enquanto. Fato é que a coisa não estava andando por uma série de fatores, sendo o principal a qualidade, a motivação e a concentração do nosso elenco.
A necessidade é a mãe da invenção, e hoje, digo, entendo, de certa forma, o porquê de Zé ter criado seu atual
4-3-3. O esquema tem potencial, embora esteja muito sujeito a erros. É uma aposta alta, mas Zé deve ter entendido que os eventuais benefícios compensavam os riscos. Obviamente temos problemas, como a má vontade de jogar que Leandro Bambu vem demonstrado, a falta de aplicação pela qual Weslley e Chicão passam, os quilos extras de Carlinhos Bala e a insistência de Luciano Henrique em achar que é um jogador carioca – somente no que toca às baladas e ao álcool.No entanto, sempre resta a esperança de que os dirigentes do Botafogo usem de sua inteligência e realizem uma grande contratação, levando embora por custo zero Flávio Caça-Rato e Branquinho, numa tacada só.






