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segunda-feira, 12 de março de 2012

Da Ideia Informa: Sai: Ricardo Teixeira. Entra: Cura?

Editorial - Lucas Morais e Gilson Moura Henrique Junior


Com a queda de Ricardo Teixeira da Confederação Brasileira de Futebol, o dia de hoje mostra ser fruto de profundas mudanças no futebol brasileiro e terá profundos impactos sobre este. É que as placas tectônicas econômicas-políticas mexeram tanto que precisaram renovar a sua superestrutura. Em miúdos: a CBF ficou obsoleta para as novas forças econômicas que emergem.

O futebol brasileiro hoje conta com empresas do porte de BMG, Unimed, Bradesco, 9Nine, Traffic e Sonda. É sabido que estas e outras empresas usam clubes como intermediários, vitrines, sócios, entre outras coisas. 

Esse é justamente o momento capital em que essas e outras empresas dos bastidores do futebol brasileiro terão sua chance para impor a sua força, a força do capital, enquanto as arcaicas federações, sustentadas como capitanias hereditárias e estruturadas com base na troca de favores, tendem a perder poder político nesse novo contexto que se abre, em que os clubes de futebol provavelmente atuarão como porta-vozes das empresas associadas.

Para este novo cenário, torna-se necessário um ator que transite entre o espaço institucional do Estado brasileiro, o Governo, e também entre o capital (empresas) e os clubes, permitindo uma relação entre os clubes e o capital com maior independência, sem a intervenção da Confederação nas competições, permitindo inclusive o surgimento de uma liga onde o fluxo de capitais seja caudaloso. Além disso, a saída pode ser tentadora para uma CBF que pode passar a cuidar especificamente da seleção, seu produto mais lucrativo. Fernando Sarney é um dos nomes cogitados, o que pode indicar que a ideia de uma relação da CBF com o Estado brasileiro com, digamos, maior intimidade, especialmente em momentos pré-Copa.

Atualmente, pode-se perceber 9Nine, Traffic, Sonda, cada uma a seu modo, intermediando rios de dinheiro com jogadores, imagem, placa de publicidade, mercadorias diversas, planos de sócio torcedor e direitos de transmissão. A Globo está pressionada, já que a Fox, de Rupert Murdoch, e os demais monopólios internacionais da comunicação podem, agora, adquirir direitos de transmissão para TVs abertas. Em dois anos o pau vai comer solto, e muita água correrá por debaixo da ponte. Já temos os principais players em campo, cabe acompanhar e pressionar pelas mudanças que privilegiem a melhoria do futebol nacional.


O Brasil está experimentando nos anos recentes uma modernização e renovada inserção na economia política internacional. Nada mais natural que o futebol também entre neste novo cenário, e também passe por mudanças

Até por quê, vamos combinar: o capitalismo no futebol precisa escoar suas mercadorias, já que os negócios nas potências capitalistas não vão nada bem.

Se saem de cena enfraquecidas as oligarquias da CBF, entram fortalecidas as empresas do futebol brasileiro e internacional.

Leiteria - O Futebol, O Chefão, as medalhas e o amante.


Por Gilson Moura Henrique Junior


Hoje é dia de festa, ao menos uma festinha com os amigos levando latinhas e comentando os melhores momentos dos anos Teixeira. Nem que seja só pra no dia seguinte sacar que o buraco é embaixíssimo, quase underground.

Hoje é dia de festa menos porque alguma revolução ocorreu no futebol e mais porque alguma mudança ocorreu no futebol. Uma mudança pequena, mas que pode ser o germe de mudanças maiores.

Mudanças estas que não, não serão de sopetão, como quase nada é no mundo, em especial neste país ao sul do Equador, mas que serão fato, em breve. Talvez com menos espalhafato do que o necessário, mas com talvez mais mudança estrutural do que o apontado.

Está errado quem aponta que o naipe dos dirigentes envolvidos é baixo, que a rapaziada ali é mais suspeita que os compas do Kaizer Soze? Não, não está. Mas os camaradas acompanhantes do Zé da Medalha e seus opositores também não são mais os poderosos Capos de outrora, não tem mais nenhum "Caixa d'água" perambulando com seu Eurico debaixo do braço. Nenhum sujeito desses tem mais poder real e de barganha com intervenção inclusive governamental do que a junção de meia dúzia de dirigentes de clube.

Já não tinham em 1989, têm menos ainda hoje. A força da grana que ergue e destrói cosias belas tá aí e o povo do merréis não curte muito as tramitações lentas dos movimentos políticos das FERJ da vida. Se uma carta muda arbitragens, um movimento com sei lá, quatro grandes clubes já causa efervescência séria no mar do Futebol e obriga a rolar o clássico conchavo. Se em cenário Teixeiriano, com todo seu poder, nego foi obrigado a se mexer e tirar muito dinheiro do Bolso, e pelo jeito saúde pra dar e vender, pra segurar a peteca de uma mega mudança de transmissora de jogos do Campeonato Brasileiro, imagine em um quadro de dirigentes de federação rachados sob uma figura frágil de um Marin conduzido pelo inepto Del Nero.

A marcha do capetal não tá aí pra dar mole pra bandido e tá afim de ganhar dinheiro, inclusive com o naming rights sendo ditos pelas emissoras que transmitem as competições, e tá vendo que os clubes sacaram que valem grana e que tomaram baile dos aliados Teixeira, Globo, Mulambo e Gambá. Sabem também que as federações sustentaram Teixeira e por tabela a "espanholização" do campeonato Brasileiro.

O que isso significa? muita coisa. E em primeiro e mais importante lugar significa tensionamento. E o tensionamento causa mudanças, que podem ser pequenas, mas podem também ser pequenas e contínuas. O tensionamento obriga aos envolvidos a resolverem-no com maior ou menor atrito, a  negociarem ou partirem pro pau, e em tudo isso dedos e anéis dançam a dança das cadeiras.

Ninguém hoje tem o monopólio da força e do poder no futebol Brasileiro, nem a Globo. Tudo acaba por ter de ser renegociado, tudo acaba por mover Federações contentes e descontentes, clubes com gente menos ligada aos "laços" entre federações e mais ao faturamento comercial , emissoras de TV em guerra por audiência, atletas, patrocinadores. Muitas gente com pontos em contato, mas muita divergência.


O medo de "bater de frente" e ser prejudicado no Brasileiro acaba. E o acordo de silêncio de emissoras para com o Chefão idem. Aliado a isso o que se iniciou de mobilização com a presença do chefão que a tudo silenciava ganha fôlego porque mesmo com o silencio da mídia poderosa o barulho se ouviu pelas bicadas do Twitter e redes sociais. Além disso o Governo mostrou que pode e vai atuar no futebol se preciso via os trâmites que lhe competem. E se isso não é "puro", ou seja, se o governo não faz determinadas coisas "por amor', ao menos demarca um espaço de tensionamento a ele que o obrigue a dar respostas, e isso se estende agora ao futebol. 

Minhas apostas? Em primeiro lugar que não vai ter unanimidade tão cedo no futebol brasileiro e que isso vai obrigar aos clubes, por via de parceiros, patrocinadores e laços comerciais, a buscarem uma aliança que lhes dê a segurança que os contratos obrigam. Sem isso todos vão de vala, pra falência.

Em segundo lugar entendo que as federações vão reduzir de tamanho e de influência com as possíveis ligas que devem surgir a partir dos clubes maiores. Isso também pode abrir a temporada de caça ao capital no Futebol, e isso tende a exterminar clubes com menor expressão, mas ai é outro problema.