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terça-feira, 20 de março de 2012

Assistência - Passes pra gol da semana

Dicas de leituras, Cinema, Livros que são verdadeiros passes açucarados pro gol de placa da sua mente. Passes pro delirar da geral da inteligencia, informações, dicas, deleites.

Vai, é só fazer!




Na Lei da Copa, cerveja ainda é questão de soberania nacional. Beberam?

O deputado federal Gilmar Tatto, do PT, afirmou à rádio Estadão ESPN que a Lei Geral da Copa será aprovada e sua expectativa é que isso ocorra ainda nesta semana. Na entrevista, relatou a dificuldade do acordo, o que relata parte do fiasco da articulação do governo, especialmente em aceitar a venda de bebidas alcoólicas nos estádios no período do Mundial.

Essa é só uma parte do fracasso. Há outra muito mais grave: ninguém se lembra como e por que a cerveja foi proibida nosm estádios.




Contrariando Eclesiastes


É óbvio que esta culta e religiosa plateia, apreciadora de uma boa exegese, sabe que o lento processo civilizatório baiano foi erigido a partir da seguinte e retórica indagação largada por Eclesiastes há mais de doismilanos. Às aspas. “Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?”(Sentiu a pancada, herege? Então, vá fumar um cigarro e retorne, pois hoje vai ser fenomenologia pra mais de metro.)

Onde? No Impedimento

Dica de Filme: O Milagre de Berna (Critica do Site Adoro Cinema)



Dois eventos marcaram a história da Alemanha no pós-2ª Guerra Mundial: a queda do Muro de Berlim e a histórica vitória da Seleção da Alemanha na Copa do Mundo de 1954, que ficou conhecido como o milagre de Berna, numa referência à cidade suíça onde ocorreu o jogo. As lembranças do jogo, que deu à Alemanha seu 1º título mundial, são mostradas através da família Lubenski, que vive na pequena cidade de Essen-Katernberg.



Dica de Livro: Gigantes do Futebol Brasileiro (resenha do site Universidade Aberta do Futebol Brasileiro)


A obra que virou referência da literatura esportiva em 1965 e mostra os perfis de 21 craques brasileiros ganhou uma nova edição.

Com ilustrações de Ique, ela chega aos leitores com atualizações importantes: inclusões dos perfis de Didi, bicampeão mundial com o Brasil em 1958 e 62, e de Ademir Menezes, artilheiro da Copa do Mundo de 1950. Ausências na edição original reconhecidas como erros por João Máximo.

"Didi foi uma falha universal, unânime. Mas o Ademir foi uma falha pessoal minha. Porque foi um jogador da minha geração, (do meu tempo) de adolescente. Foi um ídolo do futebol brasileiro da ocasião. E uma figura humana maravilhosa", disse o jornalista.

Outros craques que atuaram após 1965 também mereceram inclusão no seleto grupo, como Zico, Falcão, Romário e Ronaldo.

A edição 2011 apresenta perfis de Freidenreich, Fausto, Domingos da Guia, Leônidas da Silva, Tim, Romeu, Zizinho, Heleno de Freitas, Ademir, Danilo Alvim, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Pelé, Gerson, Rivellino, Tostão, Falcão, Zico, Romário e Ronaldo.

Em relação ao livro de 65, a única exclusão foi a de Jair Rosa Pinto, titular da seleção brasileira no Mundial de 50. Devido à falta de autorização da viúva do ex-jogador.

Marcos de Castro contou como surgiu a ideia de elaborar a atualização do livro.

"Nasceu em um dia que olhei para estante e vi o livro envelhecido. Achei que podia merecer uma nova edição. Então, levei para Luciana Villas-Boas, executiva da editora Record, que se entusiasmou pela ideia. Depois, levei o João Máximo e tivemos uma longa conversa. Acertamos novas figuras. O que não esperava é que ficasse tão rica, bonita e toda colorida", disse Marcos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Da Ideia Informa: Sai: Ricardo Teixeira. Entra: Cura?

Editorial - Lucas Morais e Gilson Moura Henrique Junior


Com a queda de Ricardo Teixeira da Confederação Brasileira de Futebol, o dia de hoje mostra ser fruto de profundas mudanças no futebol brasileiro e terá profundos impactos sobre este. É que as placas tectônicas econômicas-políticas mexeram tanto que precisaram renovar a sua superestrutura. Em miúdos: a CBF ficou obsoleta para as novas forças econômicas que emergem.

O futebol brasileiro hoje conta com empresas do porte de BMG, Unimed, Bradesco, 9Nine, Traffic e Sonda. É sabido que estas e outras empresas usam clubes como intermediários, vitrines, sócios, entre outras coisas. 

Esse é justamente o momento capital em que essas e outras empresas dos bastidores do futebol brasileiro terão sua chance para impor a sua força, a força do capital, enquanto as arcaicas federações, sustentadas como capitanias hereditárias e estruturadas com base na troca de favores, tendem a perder poder político nesse novo contexto que se abre, em que os clubes de futebol provavelmente atuarão como porta-vozes das empresas associadas.

Para este novo cenário, torna-se necessário um ator que transite entre o espaço institucional do Estado brasileiro, o Governo, e também entre o capital (empresas) e os clubes, permitindo uma relação entre os clubes e o capital com maior independência, sem a intervenção da Confederação nas competições, permitindo inclusive o surgimento de uma liga onde o fluxo de capitais seja caudaloso. Além disso, a saída pode ser tentadora para uma CBF que pode passar a cuidar especificamente da seleção, seu produto mais lucrativo. Fernando Sarney é um dos nomes cogitados, o que pode indicar que a ideia de uma relação da CBF com o Estado brasileiro com, digamos, maior intimidade, especialmente em momentos pré-Copa.

Atualmente, pode-se perceber 9Nine, Traffic, Sonda, cada uma a seu modo, intermediando rios de dinheiro com jogadores, imagem, placa de publicidade, mercadorias diversas, planos de sócio torcedor e direitos de transmissão. A Globo está pressionada, já que a Fox, de Rupert Murdoch, e os demais monopólios internacionais da comunicação podem, agora, adquirir direitos de transmissão para TVs abertas. Em dois anos o pau vai comer solto, e muita água correrá por debaixo da ponte. Já temos os principais players em campo, cabe acompanhar e pressionar pelas mudanças que privilegiem a melhoria do futebol nacional.


O Brasil está experimentando nos anos recentes uma modernização e renovada inserção na economia política internacional. Nada mais natural que o futebol também entre neste novo cenário, e também passe por mudanças

Até por quê, vamos combinar: o capitalismo no futebol precisa escoar suas mercadorias, já que os negócios nas potências capitalistas não vão nada bem.

Se saem de cena enfraquecidas as oligarquias da CBF, entram fortalecidas as empresas do futebol brasileiro e internacional.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Leiteria - A Bola da Modernidade



Por Gilson Moura Henrique Junior

Em torno de 1908, o alvissareiro prefeito carioca Pereira Passos, o homem do “Bota Abaixo”, afirmava seu entusiasmo com o futebol como sendo esse a arma da “educação” do populacho, que passaria a se organizar como os times e seus Sportsmen se organizavam. O esporte como arma sanitária, de vida saudável, nascia como paradigma da diferença entre a sociedade com saúde, vulgarmente chamada de elite ou “os ricos”, e a sociedade doente, vulgarmente chamada de povo ou “os pobres”. A elite praticava esportes, trazia o vento do moderno futebol, filho dileto da revolução industrial, a um Rio colonial que tentava ser uma Paris dos trópicos.

A animação de Pereira Passos com o esporte era eco da empolgação de uma elite que se entendia como superior por ser branca, rica e por conter, em seu pensamento, uma naturalidade óbvia: “Somos o mais puro extrato da evolução, diferente do populacho negro e mulato que emporcalha a cidade!”, poderiam dizer seus representantes.

A leitura de obras como “Footballmania”, de Leonardo Affonso Pereira, e “Trabalho, lar e Botequim”, de Sidney Chalhoub, é uma  boa forma de entender um processo que juntava o trator, como instrumento de remodelação da cidade, e a arma ideológica da divisão da cidade em duas, prévia da “Cidade Partida”, de Zuenir Ventura, e das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) da dupla Cabral-Paes. A percepção da popularização do futebol como forma de purificação social era clara: só esbarrou na estranha mania de romper com planos que o povão tem. O moderno futebol dos Sportsmen, que iria varrer a indolência ibérica e incluir na alma do povo a civilização inglesa e francesa, foi antropofagicamente transformada nos “sururus” esportivos das praças, terrenos baldios e  praias, ofendendo o nariz empinado de uma elite que se pretendia burguesa e controladora de um Rio que teimava em se virar para sair do cordão de isolamento que separava a “Cidade Aquilombada” da “Cidade Aburguesada”. E um dos meios utilizados pela população para esse rompimento foi o irônico e moderno futebol.

Mais de cem anos depois, essa ironia se torna uma espécie de 18 Brumário do Rio de Janeiro, com a farsa ganhando forma na realização de antigos sonhos, com a ordem sendo distribuída a pontapés seletivos na bunda de uma população cada vez mais lançada nas distâncias higienizadoras dos subúrbios, com a cidade sendo pontuada de fronteiras econômicas via aluguéis e preços e com o moderno e popular futebol tornando-se artigo de luxo para uma elite que tem nojo de trem, da hora do rush e que acha o uso do transporte público uma ofensa pessoal. As vésperas dos eventos $esportivos$, edita-se um “bota-abaixo” pós-moderno de Pereira Passos, com Vilas Taboinhas e Gamboas sendo tomadas por uma burguesia saudosa da antiga cidade aburguesada e da proximidade de uma corte inexistente, a cidade e o país vivem a retomada pela elite de seu sonho de consumo, o futebol dos Sportsmen, dos negros e dos pobres sendo atores somente no palco, mas fora das arquibancadas, com o fim das gerais, dos ladrilheiros, do Beijoqueiro e de outros personagens populares que invadiam maracanãs sem a pompa e a circunstância dos playboys de Playstation.

O Rio e o Brasil globalizado entram no clube do espetáculo da construção civil, apelidado de Copa do Mundo; nessa “modernização” do futebol como elitização do público e entretenimento, o Futebusiness, com suas estrelas globais hollywoodianas. Nesta fase de abertura de novos mercados e novos canteiros de obras mundiais, o projeto de lucro do capital “coincidentemente” procura países cuja “civilização” não seja atingida pela fome de cifrões. Assim, as escolhas de Catar e Rússia para sedes de copa do mundo não são fatos isolados. A construção de estádios ditos arenas, com poltronas no lugar de assentos de arquibancada, diminuição de público, aumento do preço dos ingressos – ou seja, na transformação do estádio numa grande sala de estar para um público de classe média consumidor de pay-per-view – são fatos primos, irmãos. Lá como cá, o produto não é mais pra qualquer bico.

A FIFA, com seu poder da grana e da modernização exclusiva, busca quem pode se dobrar, para triplicar o lucro, as leis, as tradições e as vontades. A Europa já não tem espaço para isso e, mais contestadora, perde espaço para quem tem muito que gastar e nada a explicar. Por isso, em sequência, Brasil, Rússia e Catar como hospedeiros do parasita FIFA não é coincidência. A aceitação de governos e elites do projeto também não, já que o futebol é apenas a fumaça que esconde o trânsito da economia entre pernas, gols e paixões, e faz do preço dos ingressos arma de exclusão e de transformação do público em consumidores diferentes daqueles que construíram a cultura do futebol.

Sai o torcedor de arquibancada, amor e bunda no cimento, e entra o sujeito do sofá e ar-condicionado que aceita, pelo conforto, a transformação do futebol em ópera, com DVD nas poltronas-estádios como salas de estar. Assim, adios para o povão que vê Globo Esporte e lê “O Dia” na banca, sem comprar, pra ver quem o time contratou. Quem o substitui é o comprador de pay-per-view, que quer sentir-se em casa ao entrar no estádio e paga por isso.


O ingresso caro financia essa frescura e esta é a concepção do futebol-entretenimento, apartado de sua história e de sua cultura, numa geleia geral, universal, “moderna” e capitalista, tal qual os filmes, as boates e as músicas, na pasteurização da aldeia global. É um retorno a 1908, no Brasil e no discurso do moderno como sinônimo de elitista, excludente, retomando o futebol como arma da elite para educar um povo “insalubre”, como ela o via, negro demais, pobre demais. Porém, agora pela força da grana que ergue e destrói coisas belas, se está conseguindo tirar o comum, o pobre e o negro do estádio, e colocando em seu lugar torcedores modernos, iguais, na Inglaterra ou no Maraca.

Torcedores modernos são aqueles que podem e querem financiar um entretenimento globalizado, semelhante ao cinema, ao teatro, ao show da Madonna. Sem nenhuma preocupação com o que se faz daquilo que é a paixão de tantos; sem muita preocupação em como se faz o prato que lhe é servido, feito à custa do dinheiro do mesmo povo que é excluído do estádio; sem a menor preocupação com o que foi feito do povo que ali vivia e de com a construção do novo se pareceu com a remoção do velho na Belle Epóque tupiniquim.

Esse futebol é o Futebusiness, primo do futebol Sanitário de Pereira Passos e da elite fluminense que queria ver-se livre dos Sururus da Gamboa. E iludindo a patuleia, furtando-a na verba e na cultura, devorando-a sem cerimônia na destruição pasteurizada do entretenimento que mata aqueles que alimentaram instituições com seu grito, bandeiras, movimentos e grana, e que hoje foram removidos das casas e do jogo, que se transforma numa ópera chinfrim com preceitos televisivos. Enquanto o mundo explode as buchas, negras e mulatas caem com a retomada da cidade aburguesada, desigual e elitista. Seus quilombos erigidos da fragilidade de nossa divisão se perdem. O futebol assume novamente o papel de arma de exclusão, da educação que extermina sururus, eternizando uma sociedade centenária e cruel.