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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Moção de repúdio à administração do Clube Atlético Mineiro



Belo Horizonte, 16 de agosto de 2012.

Senhor presidente,

Nós, da Torcida Galo Marx, repudiamos com veemência o apoio oficial do Clube Atlético Mineiro à campanha pela reeleição do prefeito de Belo Horizonte, senhor Márcio Lacerda.

Entendemos que o Atlético é uma instituição plural, representada de forma massiva em todas as camadas da nossa sociedade, sem distinção de etnia, credo ou ideologia política. Por toda nossa história, representantes de todas essas camadas têm se destacado prestando serviços ao nosso Clube, como jogadores, funcionários ou dirigentes. Por isso, a atitude de V. Sa. de atrelar o nome de nossa instituição a um determinado candidato numa eleição, atitude essa que é reincidente e, por isso, mais grave, é um flagrante desrespeito a todos os conselheiros, sócios e, sobretudo, torcedores que simpatizam com, manifestam seu apoio a ou militam para eleger outros candidatos.

Atenciosamente,

TORCIDA GALO MARX

Ademir Ribeiro de Sousa Júnior
André Henrique de Brito Veloso
Carlos Alberto Oliveira
Cláudio Victor Carneiro de Mendonça
Cristiano Pena Magalhães Marques
Dário Mendes Porcellato
Douglas Cristiano Silva
Eduardo Duarte e Araújo
Ellen Naiara Oliveira Rodrigues
Ennio Rodrigues
Felipe de Assis Alves
Felipe Silva Amaral
Fellipe Miranda Martins 
Fernando Murta Ferreira Duca
Firmina Maria Rodrigues
Flavia Fidelis de Paula
Flora Gomes Cândido
Frederico Matias
Gustavo Barros de Faria
Gustavo de Oliveira Bicalho
Gustavo Laine Araújo de Oliveira
Isabela Regina Pereira Melo
Leonardo Falabella
Luara Ramos
Lucas de Mendonça MoraisLucas Teotonio Josafá Simão
Luciano Jorge de Jesus
Luiz Felipe Corrêa Prado
Luiz Henrique Moreira
Marcela Santos
Marcelo B. Miranda Borel
Pedro Andrade Coelho
Rafael Barros Gomes
Rafael Biondi
Raiam Maia e Maia
Raphael Oliveira do Nascimento
Ricardo M. Burgarelli
Roberto Martini Junior
Vanessa Sander Serra e Meira.
Victor de Oliveira Pinto Coelho
Vítor Rodrigo Dias
Thiago Cesar Viana
Tiago Marcadagua


À sua senhoria o senhor
ALEXANDRE KALIL
Presidente do Clube Atlético Mineiro

terça-feira, 3 de julho de 2012

Solucionática: O Galo canta que o céu é o limite


Lucas Morais

O Galo é um time com tradição em pontos corridos, como em 1971, quando tornou-se o primeiro campeão brasileiro, em 1977, quando foi vice-campeão invicto, em 1980 vice-campeão, em 1999, também vice-campeão. No início do Brasileiro de 2012, após a sétima rodada, o time volta a ocupar a primeira colocação, fato que não ocorria desde 2009, quando Roth tirou água de pedra de um elenco limitado e logrou 14 rodadas na liderança.

No Estádio Olímpico, em Porto Alegre, mais de 33 mil gremistas, e pouco mais de cem atleticanos, foram torcer para os seus times, enquanto a torcida tricolor xingava de todas as maneiras possíveis o ex-ídolo, Ronaldinho Gaúcho. Era também o reencontro do Galo com Luxemburgo, de Rafael Marques e Escudero com o ex-clube, a estreia de Marcelo Grohe, novo goleiro gremista, após a saída de Victor, comprado por três milhões de euros pelo Atlético. E era também o reencontro de Jô, ex-atacante do Inter, com as redes, após a jogada mágica do garoto Bernard (foto). A partida tinha também um valor simbólico alto, já que quem vencesse despontaria na luta pela liderança.

Título?

Há quem não veja o Galo como candidato ao título, receando que possa perder a força durante o campeonato, deixando a ponta e, em seguida, fazendo mais uma campanha mediana, talvez dessa vez distinta dos dois últimos anos, em que limitou-se a fugas heroicas contra o rebaixamento para a Série B. Há também quem pense que Cuca seja um treinador fraco, deprimente, e que não possui espírito de campeão: um cavalo paraguaio que poderá, no máximo, almejar a sexta ou sétima colocação. Porém, para o Atlético, em face das campanhas de 2004 para cá, uma campanha mediana marcaria o reinício das boas campanhas alvinegras, isto é, o saldo não seria ruim, exceto pela torcida, sempre ansiosa já pelo título.

Futebol em Belo Horizonte: o retorno do Independência

Para o futebol belorizontino, o ano de 2012 marca o retorno do futebol à capital mineira, com a inauguração do Novo Independência, no bairro Horto, zona leste, próxima ao Centro. Desde as primeiras rodadas até a sétima, os clubes mineiros estiveram na ponta da tabela, à exceção do Cruzeiro, que começou o campeonato com empates. Portanto, 2012 marca um reinício para esses clubes, que no ano passado se limitaram a fugir do rebaixamento, tendo o Cruzeiro escapado na última rodada, diante do arquirrival, por 6 a 1, enquanto o Coelho não sobreviveu diante do São Paulo no Morumbi e foi rebaixado.

No Independência, o formato-caldeirão prevalece e a torcida influencia mais nas quatro linhas do que em estádios como o Engenhão do Rio de Janeiro, onde a torcida fica longe do campo. O jogo ganha em emoção e, se a torcida apoiar, ao invés de cornetar irracionalmente, o time tem tudo para se unir, se superar e brigar.

A briga, a tática, a luta contra CBF, Globo, diretoria, tudo e todos

Pelos resultados recentes, o Galo aponta a tendência de que será um dos times que brigarão até o fim do campeonato pelo título, afinal, a contratação do goleiro Victor é justamente para eliminar uma carência histórica, datada desde a saída de Diego Alves em 2007. Entretanto, Diego não era considerado naquela época um grande goleiro, apesar de se destacar. O último grande goleiro do Atlético foi Taffarel, já que Velloso jogou com mais idade. Victor tende a somar muito com um elenco que já possui qualidade antes de sua chegada.

Há no torcedor atleticano um sentimento diferente em relação ao time. Os jogadores estão mais maduros, o time focado e capaz de resistir pressões psicológicas fortes, como nas vitórias contra o Palmeiras, Corinthians, Grêmio e, inclusive, a Ponte Preta, que perdeu graças a uma cabeçada sortuda do meia-atacante Damián Escudero. Detalhe: o Galo nunca havia ganhado da Macaca no Moisés Lucarelli.

Outro elemento a se destacar é que Cuca tem alterado em diversos momentos o esquema tático, mas com o time mantendo a pegada e o foco sem problemas. O time está bem compacto, veloz, marcando com eficiência e ciente de que pode almejar coisa grande nesse campeonato. Há que melhorar, para variar, as finalizações.

Caso a Alexandre Kalil não atrapalhe Cuca, deixando-o trabalhar em paz como vem sendo feito até aqui, esse time terá plenas condições de chegar, ao menos, na zona de classificação para a Libertadores. Fluminense, Vasco, Inter, Grêmio e São Paulo são, igualmente, candidatos plenos à classificação para a Libertadores e título.

Há sempre que lembrar que o Galo luta, também, contra a arbitragem. Dos jogos que vi, posso afirmar tranquilamente que os árbitros dos jogos contra o Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Grêmio foram para lá de caseiros, enquanto, contra o Náutico, a arbitragem puxou pelo mais fraco: pênalti inexistente em Jô e goleada na sequência. Veremos o quanto esse fator será importante mais adiante, especialmente nas rodadas finais. Afinal, no Brasileiro, duas vitórias são seis pontos.

E os jogadores? Ah, e o Ronaldinho?

Na imprensa nacional há quem prefira se limitar na desqualificação a Ronaldinho Gaúcho pelo seu histórico de baladeiro, assim como Jô, enquanto desdenham do jovem garoto Bernard, de 19 anos, que hoje joga com um ídolo que o inspira e faz seu futebol crescer, tal como ocorreu com ninguém menos que Messi, como pode ser visto neste vídeo de seu primeiro gol profissional pelo Barcelona, aos 17 anos.

Por ora, é muitíssimo cedo para se falar em título, o que é óbvio, mas não para falarmos de Libertadores, apesar de o que um clube deve mirar sempre seja o título. O campeonato é longo, haverá contusões, expulsões, cartões amarelos, vermelhos, e também o retorno de jogadores do departamento médico e contratações pontuais que Cuca sabe tão bem fazer.

No saldo geral, após muitos anos o clube volta a Belo Horizonte sendo visto, percebido e comentado como um dos candidatos a disputar até o fim pelo título, dado que o clube hoje possui elenco, centro de treinamento de alta qualidade, preparador físico, de goleiro e médico da Seleção, um goleiro (Victor), um zagueiro (Réver) e dois atacantes (Bernard e Jô) que podem ser selecionáveis. Um plantel competitivo, de casa nova e reinaugurando sua relação com a sua apaixonada torcida, mas que só nas últimas rodadas saberá o tamanho de suas pernas.

O plantel

Goleiros: Victor, Giovanni, Renan Ribeiro.
Laterais : Marcos Rocha, Júnior Cesar, Carlos Cesar, Triguinho.
Zagueiros: Réver, Rafael Marques, Leonardo Silva, Sidimar, Luiz Eduardo
Volantes: Pierre, Leandro Donizete, Fillipe Soutto, Serginho, Richarlyson.
Meias: Ronaldinho, Bernard, Danilinho, Escudero.
Atacantes: Jô, Guilherme, André, Juninho, Neto Berola, Paulo Henrique.

domingo, 24 de junho de 2012

Solucionática: Somente seis rodadas para o Galo?



Lucas Morais

Após a vitória por 5 a 1 do Galo sobre o Náutico, o time mostra que ainda tem muito futebol a mostrar para a massa alvinegra, esta que ontem tomou alguns pontos tradicionais das ruas de Belo Horizonte para festejar o bom resultado, coisa que não se via de fato desde a época (2009-2010) em que os atacantes Tardelli e Obina goleavam o Flamengo, ou o Cruzeiro, quando o time levava sequência de vitórias sobre outros rivais e adversários. A última festa da massa foi a carreata do Independência até a sede do clube no bairro Lourdes para bebemorar o título invicto no Campeonato Mineiro, o 41º da história do clube de 100 campeonatos realizados. Mas as cicatrizes da derrota por 6 a 1 para o rival no ano passado ainda permanecem, apesar das promessas de um novo tempo para o Galo.

A alegria do torcedor não vem somente pela vitória de ontem, mas sim pelos resultados positivos obtidos contra o Corinthians e o Palmeiras. Foram duas vitórias suadas, por 1 a 0, dentro e fora de casa, respectivamente, sendo que, no segundo jogo, contra o Palmeiras, contou-se dois gols mal-anulados pelo juiz, que fez arbitragem caseira, assim como ocorreu contra o São Paulo e Corinthians. O empate em casa contra o Bahia, com um gol-surpresa de Fahel, em um rápido contra-ataque, e a derrota no Morumbi, para um decadente São Paulo, em jogo que o Galo teve tudo para vencer (exceto a necessária pontaria na hora de decidir), fizeram pesar sobre as costas do garoto de apenas 19 anos, Bernard, que deve ter tido sua orelha quase derretida de tanta bronca da massa. Entretanto, no jogo contra o Náutico Bernard criou ótima jogada, tabelada com Jô, e chutou perfeitamente ao gol, sem chances para o goleiro.

É uma pena que a arbitragem tenha favorecido o Galo com o pênalti inexistente sobre o Jô que, como todo atacante, foi malandro, mas o time tinha condições de virar, apesar do empate adverso e mereceu indiscutivelmente a vitória. O que entristece é como a CBF tem prejudicado o Galo quando este joga contra adversários do Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto quando joga com clubes nordestinos ou do Centro Oeste, é privilegiado pela arbitragem. E dizem que isso é papo de torcedor... Bem, só se o torcedor for o único a constatar essa realidade que se põe a cada Brasileirão para o Atlético.

O jogo, apesar da facilidade para os três gols que vieram após o desempate, foi bom, com o Náutico, que mescla jogadores jovens e experientes, oferecendo perigo a cada contra-ataque, mas sendo bem anulado pelo sistema defensivo atleticano. É verdade que o Atlético tinha condições de vencer o Bahia e o São Paulo, entretanto, há que se destacar que ambos jogos se deram em meio à transição do meio-campo e do ataque, com a incorporação de Jô e Ronaldinho Gaúcho quase simultaneamente, ambos sempre muito marcados pelos adversários.


Foram cinco pontos perdidos, que poderiam colocar o Galo em primeiro lugar na tabela com folga em relação ao arquirrival Cruzeiro, hoje, com 18 pontos. Mas, são somente seis (boas) rodadas de trinta e oito. Por outro lado, o time mostra ter hoje um sistema defensivo mais competitivo, com excelentes atuações de Réver e Rafael Marques, com boas transições pelas laterais de Júnior César e Marcos Rocha, ambos dando estabilidade às laterais rumo ao ataque e na marcação, enquanto Ronaldinho trabalha como organizador distribuindo as jogadas e as bolas paradas. Danilinho dá velocidade, ajuda Marcos Rocha e o batalhador Leandro Donizete na marcação, que sentiu falta se Pierre nesse sábado pela referência que é. Mas Serginho e Leandro Donizete também são volantes dignos de confiança, apesar de um erro ou outro. O goleiro Giovanni, por enquanto, tem feito boas defesas. Ressalto o “por enquanto” porque a massa ainda não se contenta com um goleiro jovem: quer um medalhão, como um Júlio Cesar por exemplo, para ter estabilidade em jogos decisivos.

Hoje, o Galo tem elenco e, com a volta do atacante Neto Berola e do (possivelmente) meia-atacante Guilherme do departamento médico, o clube terá muita força ofensiva. Fora que há alternativas, como o próprio Juninho, recém-contratado, que estava no Atlético Goianiense, o atacante da base Paulo Henrique, o próprio André, que felizmente perdeu a condição de titular absoluto no ataque, já que ficou acomodado pelo bafafá da imprensa nacional e regional. Jô tem feito um ótimo trabalho como pivô, pois dificilmente perde a bola quando esta vem de um passe certo, pelo alto ou por baixo, e consegue, quando não sofre falta, tabelar com Bernard (1o gol contra o Náutico), Ronaldinho, Danilinho ou até o Marcos Rocha.

A decepção atende hoje pelo nome de Richarlyson, que realizou um fraco primeiro tempo ontem diante do Náutico e foi sacado corretamente por Cuca logo aos 36 minutos para a entrada de Serginho, que fez um grande jogo e até perdeu gol. Richarlyson só foi ser achado por policiais militares, quando dirigia sua Porsche no Centro de Belo Horizonte, sendo pego no bafômetro e levado à delegacia, e então liberado. Richarlyson vem de uma sequência muito ruim no Atlético. É verdade que fez um jogo excepcional diante do América e teve uma ou outra sequência regular, mas o saldo geral é péssimo, em jogos importantes atua como um adversário, já que seus erros e vacilos tem sido constantes.

É certo que o fator Novo Independência, recém-inaugurado no bairro Horto, região Leste (residencial e tradicional) da capital mineira, ao trazer o futebol do Atlético novamente para Belo Horizonte traz também a grandeza do time, criando aquela química que toma conta da cidade quando o clube está brigando por coisas grandes. É verdade também que Ronaldinho Gaúcho está tomando gosto pelo momento vivido no clube, como vários outros jogadores desacreditados: “Maravilhoso, quando mais depois do jogo receber esse tipo de carinho. É tudo que a gente mais quer. Nós últimos dois anos, a torcida do Atlético sofreu bastante e, agora, em todo jogo a gente quer o estádio cheio. A gente quer fazer essa pressão e essa conexão da torcida com os jogadores tem tudo para dar certo. Com a força desse torcedor, vai ser difícil parar a gente”, disse após o jogo.

Nesse campeonato veremos a potencialidade de um time que hoje tem um treinador de ponta, com preparador de goleiros, técnico e médico da seleção brasileira, jogadores competitivos, a volta ao futebol a Belo Horizonte, dinheiro em caixa para contratações pontuais e somente duas derrotas neste ano, além de ter se livrado de alguns jogadores incompatíveis com as necessidades desse elenco. Tropeços virão e são naturais, a questão é se este time terá condições de se superar quando tudo estiver contra o Galo. O acesso à Libertadores é questão de tempo e o título exigirá muito sacrifício de cada um desta equipe. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Solucionática: Mais que um camisa 10

Por Felipe Alves

Apesar do que boa parte da mídia esportiva fez parecer, o Pacaembu testemunhou neste final de semana algo mais do que a simples estréia com o manto alvinegro da mais recente persona non grata da Gávea. Mesmo longe da massa apaixonada que torce contra o vento, o Galo teve uma atuação contra o vendaval oriundo dos sopradores de apito e levantadores de bandeira e se viu forçado a anotar três tentos para ter apenas um deles validado pelos distintos senhores. Ossos do ofício e três pontos justos para uma atuação que se não foi brilhante, foi aguerrida e manteve o tom do bom início de campeonato do atual campeão mineiro.

Com apenas um gol sofrido em quatro rodadas, Cuca parece ter acertado um bom sistema defensivo, que conta com um excepcional zagueiro que fez a sua quarta partida impecável seguida, um leão no meio-campo que com certeza deixou a torcida alviverde saudosa dos tempos em que vestia sua camisa, além de homens de frente voluntariosos apesar de pequenos, prontos a dar o primeiro combate e recompor a marcação quando da subida de algum dos homens de trás. Esse bom sistema defensivo herdado das últimas rodadas do Brasileirão 2011 recebeu ainda bons reforços nas laterais principalmente do lado direito, assumido por um prata da casa que fez ótimo campeonato pelo rival no ano passado.

À frente permanecem as falhas de finalização, principalmente do nosso pequeno projeto de craque, que acabaram compensadas pela ótima jogada seguida de linda assistência para o nosso centroavante, destaque das duas últimas partidas, anotar nosso único gol validado. Reforço ofuscado pela contratação-bomba da última semana, ele vem mostrando que veio pra briga e o ex-menino da Vila que se cuide e saia do comodismo pra garantir seu lugar.

Quanto ao ex-R10 e agora R49, fez uma estréia discreta porém promissora, o que já era esperado. A maior parte dos poréns acerca de sua contratação estão mais ligados aos fatores extracampo do que à qualidade do seu futebol dentro dele. Analisando friamente, seu desempenho no clube da Pat não foi ruim como alguns alardearam, se nos atentarmos aos números. 

Se a quizumba não se instalar, não duvidem que será extremamente útil para fazer o Galo alçar voos mais altos. A esperança está no fato de que ele não veio carregar o time, como alguns esperavam que ele fizesse no Rio. Veio para ser mais um toque de qualidade de um elenco que vem se afirmando e se mostrando cada vez mais entrosado e bem treinado, apesar do lapso que custou a eliminação da Copa do Brasil. Se a invencibilidade no estadual ainda deixava dúvidas, as três vitórias desse início de Brasileirão, sendo duas fora de casa e uma contra o atual campeão, já começam a inspirar mais confiança numa boa campanha. A ver se as atuações se manterão nesse bom nível com regularidade quando o Brasileirão estiver na potência total.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Solucionática: Ronaldinho Gaúcho no Galo


Victor Coelho

Eu pretendia, como próxima contribuição a esta coluna, escrever uma postagem analisando nossos tradicionais rivais, Cruzeiro e América. Mas a bomba Ronaldinho explodiu e não há como tocar no assunto agora.

Sobre o passado de glória do agora R49 nem precisa se falar demais, apenas lembro que foi o jogador capaz do impossível: fazer gol no Real Madrid em Madri e arrancar aplauso... de torcedores do Real. Mas o primeiro ponto é esse: não se pode esperar que o Ronaldinho no Galo seja o mesmo daqueles anos em que foi eleito o melhor do mundo, como não se poderia cobrar de Forlán ser no Galo o melhor jogador da Copa de 2010. Mas aí entra uma vantagem prática a favor de Ronaldo: já não precisa passar por período de (re)adaptação, pois jogou o ano inteiro no Brasil. Como não tem problema de contusão, é só pegar logo o entrosamento com o time, sua experiência ajuda.

O Galo não precisará se adaptar a Ronaldo, Ronaldo já chega pegando um time pronto e embalado – campeão mineiro invicto, vitória nas duas partidas do Brasileirão (contra a Ponte em Campinas, primeira vez na história do clube, e contra o poderoso Corinthians campão brasileiro e semifinalista da Libertadores), nove meses invicto jogando em Minas Gerais, somente uma derrota em 2012 até o momento – em que só faltava um jogador de peso para assumir a camisa 10. Não que seja um time “pronto”, mas já dava para ver (pelo menos quem não acompanha de longe ou pela mídia do Eixo) que começava a dar sinais de estar no caminho certo. 

 
Agora é esperar para ver como será em campo. A chegada de Ronaldo foi boa por ter sido discreta e o jogador foi direto treinar com o grupo, o oposto da festividade Fla-Global que fez a festa da torcida flamenguista e flamengueira pelo Brasil à fora. Claro que tem empolgação de parte da torcida atleticana, mas haverá cobrança se R49 não corresponder em campo (lembrando que mesmo Tardelli, ídolo da torcida pelo que fez em 2009, alcançando a artilharia do Brasileirão, chegou a ser vaiado no ano seguinte). E espero que o ambiente mais profissional que o clube apresenta, além do “sangue nos olhos” de Ronaldo, possibilite que o jogador jogue mais bola que jogou no Urubu. Acho que tem sim muito a contribuir em campo, se quiser.

Resta a parte financeira. O contrato de seis meses foi ótimo, assim como a notícia de que o clube pagaria “apenas” 300 mil de salário (coisa dentro da realidade do futebol e da capacidade do clube). Fica no ar o lance dos 500 mil de uma empresa de marketing ou sei lá o quê. Mas a exposição do atleta e do clube, como estamos acompanhando, já corresponde à expectativas de quem pensava no marketing. Espero que isso seja mesmo bom para o clube e dê mais motivação ao grupo – que parece ter recebido bem o jogador. Espero que não traga a crise flamenguista para nós, com possível saída (definitiva ou temporária) do jogador por conta da batalha judicial que o Urubu quer travar. Pois o mais importante hoje (e já não é de hoje) para o Galo é o time corresponder em campo à paixão de seu torcedor

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Solucionática - O gol do Danilinho


Por Victor Coelho

No livro Veneno Remédio: o futebol e o Brasil, José M. Wisnik destaca a ideia de que o futebol se distinguiria de outros esportes coletivos (como basquete ou vôlei) por conta da maior dinâmica do jogo: jogadas mais imprevisíveis (comparar com as jogadas do vôlei, onde se destaca mais a eficiência na execução de jogadas-modelo), não limitadas pelo tempo máximo de conclusão de jogada de ataque (como é no basquete). Somente o futebol permite mais que simplesmente dizer como foi a eficiência dos times ou sobre quem fez muitas cestas de três ou a enterrada mais brutal: o futebol permite que se conte histórias sobre o jogo, onde uma análise pode se configurar numa crônica, por exemplo.

No caso do último jogo do Galo, vitória de 1 x 0 sobre o Corinthians pela segunda rodada do Brasileirão de 2012, o gol de Danilinho me lembrou da imprevisibilidade, de uma maneira que me fez pensar também, novamente, no futebol como um tipo de arte, sem cair no clichê do “futebol arte x futebol feio” (falsa polarização pois defender em bloco também é um tipo de arte tanto quanto um drible fenomenal). 

O jogo era bastante disputado, o Corinthians – time encardido pelo entrosamento e pela moral de ser o atual campeão brasileiro e semifinalista da Libertadores – considerado favorito mesmo jogando contra o campeão mineiro invicto, na casa do adversário. O Corinthians não conseguia impor o domínio do jogo, mas chegava com mais perigo. Jogo tenso e bastante disputado, com defesas levando vantagem sobre os ataques. Tudo poderia acontecer.


E algo aconteceu. O time do Galo foi para o ataque, a bola no campo do Corinthians, até que chega aos pés do zagueiro Réver, que vê o baixinho Danilinho se livrando da marcação, na entrada da área. Como autêntico armador - que o time carece - faz passe de categoria, pelo alto, pegando a defesa do Corinthians desprevenida, incluindo o goleiro Cássio, de quase dois metros de altura.
Enquanto a bola percorria sua trajetória pelo ar, expectativa. O que faria Danilinho? Tentaria dominar a bola com o peito para depois tentar o chute, quando certamente daria tempo de o(s) zagueiro(s) ou o goleiro chegarem na marcação? Tentaria tocar de cabeça para um companheiro? Chutar para o gol de primeira seria muito difícil por conta da trajetória da bola, ao mesmo tempo descendente e alta, o que por sua vez, além de impossibilitar o chute de primeira, também impedia uma cabeçada firme. A expectativa naqueles longos segundos era aumentada pela dúvida pela posição do meia-atacante: estaria impedido?


Então o inesperado. Danilinho tranquilamente espera a conclusão do passe, observando a bola. Afasta-se para trás para que sua posição corresponda com a trajetória da bola. Mental e instintivamente calcula sua (da bola) velocidade, peso, sua distância (a dele próprio) com relação ao gol. Então, quando a bola chega, uma leve cabeçada, e apesar da pouca distância entre jogador e gol, a bola sobe de novo ao ar e encobre o gigante Cássio, que apenas observa, semiagaixado, estupefado e rendido, a bola fazer o caminho descendente para encontrar a rede. Delírio da Massa.


Naquela pequena fração de tempo, Danilinho, que ainda apresentava um futebol aquém do que se espera dele, tornou-se um gigante pelo autodomínio, confiança, foi manipulador das leis da física, senhor da matéria de seu corpo e da bola, foi o gênio criador, ponto metafísico naquele microcosmo formado por arquibancadas, gramado, traves, por corpos e mentes na disputa entre dois times. Provou que o futebol é uma maravilha, apesar do esforço que fazem para estragá-lo. 




segunda-feira, 28 de maio de 2012

Solucionática: Galo 1 x 0 Timão

Lucas Morais

No último domingo, o Galo entrou no estádio Independência, em Belo Horizonte, com público de 14.740 e desfalcado dos atacantes Guilherme e Neto Berola, o lateral-direito Carlos César e os volantes Leandro Donizete, Fillipe Soutto e Serginho. O Corinthians, por sua vez, desfalcado dos atacantes Emerson e Jorge Henrique e o meia Paulinho. Apesar dos desfalques em ambos os times, foi um bom jogo, com emoções mais intensas ao fim. Movimentações rápidas, muita marcação e chances de gols para os dois lados desde os primeiros minutos.


ATLÉTICO-MG: Giovanni; Marcos Rocha, Réver, Rafael Marques e Richarlyson (Leonardo Silva); Pierre, Dudu Cearense (Escudero), Bernard, e Mancini (Júnior César); Danilinho e André  
Técnico: Cuca

CORINTHIANS: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Willian Arão (Douglas), Ralf, Danilo e Alex; Willian (Liedson) e Elton (Gilsinho)  
Técnico: Tite

Com os goleiros Cássio e Giovanni defendendo bem, o jogo foi predominantemente no meio-campo, com o Atlético indo para cima no primeiro tempo, mas também tomando contra-ataques que poderiam claramente ter colocado o Corinthians à frente. A falta de criatividade do ataque atleticano facilitou o trabalho do bem armado sistema defensivo corintiano, especialmente quando o lateral-direito Marcos Rocha, em falta sobre o atacante Willian, recebeu amarelo, facilitando as jogadas ofensivas do Corinthians pela sua lateral-esquerda. Dali, o Timão teve suas três melhores chances, perdidas por Elton e Willian.

Pelo Galo, o volante Dudu Cearense voltou ao time titular e mostrou que ainda está fora de forma, mas poderá ajudar na longa trajetória do Brasileirão. André, movido por seu infantilismo, chutou uma bola quando havia sido falta para o Corinthians, provocando uma expulsão estúpida por parte do juiz, que havia, com igual estupidez, expulsado Fábio Santos por jogar a bola no adversário após a marcação de uma falta, justamente em André. Com a expulsão de André ficou nítido que, além da contratação da incógnita que atende por Jô, mais um atacante cabe nesse elenco, até para pressionar o André. O meia argentino Escudero jogou bem e dá mostras de ser um jogador que tem velocidade, consegue dar qualidade de passes e, também, assistências.

Num contra-ataque, Réver, que carregou, como regularmente faz, a bola desde a zaga até o campo adversário, lançou-a na cabeça do baixinho Danilinho, que cobriu magicamente o gigante Cássio, de cerca de 1,90m, que já estava centenas de horas sem levar gols. Mas, apesar do gol, Danilinho anda apagado em campo e precisa se empenhar muito para honrar a camisa alvinegra, como muitos de seus companheiros já fizeram. Atualmente atuando no meio-campo, Mancini mostrou afobação e teve comportamentos, mais uma vez, imaturos e ainda perdeu um gol feito logo no início do jogo. O lateral-direito Marcos Rocha, apesar do cartão sofrido, fez um bom jogo, acertando seus passes, ajudando nos desarmes e virando bem o jogo. Richarlyson e Pierre, assim como Rafael Marques e Réver, mostraram entrosamento e começam a passar segurança para a torcida, enquanto o recém-contratado Júnior César, que foi para o jogo, entrou muito bem. Bernard ainda irá amadurecer mais e precisa aprimorar a finalização.

Um dos maiores erros do Atlético, sem dúvida, foi o afobamento e/ou apavoramento no momento das conclusões de jogadas de ataque, o qual mostra ainda certa falta de confiança para matar o jogo. Também está nítido a necessidade de, além de Guilherme, lesionado, um camisa 10 responsável pela criação e organização do ataque.


São nove meses invicto como mandante, sendo que a maior parte desta série se deu em Sete Lagoas, na Arena do Jacaré. A torcida ainda não voltou a abraçar completamente o time, mas aquela que tem ido a campo está cumprindo seu papel. Dentre esses torcedores, lá estava o atacante Diego Tardelli, autor de marcas incríveis no Atlético em 2009 e 2010 e que está jogando no Catar, mas é atualmente sócio-torcedor do Galo. Todos tem visto um Galo em franca recuperação de sua grandeza, apesar de todos os equívocos das diretorias anteriores e da atual. Vale lembrar, desde 1993 não se mantém um técnico por mais de um ano. Cuca completará um ano no comando alvinegro em agosto, caso até lá não aconteça os imprevistos que vem ocorrendo nos últimos anos na Cidade do Galo.

Vale lembrar, o Galo, neste ano, só perdeu para o Goiás, em Goiânia, por 2 a 0, pela Copa do Brasil. Do returno do Brasileirão 2011 para cá, além dessa derrota para o Goiás, a última derrota havia sido o 6 a 1 para o Cruzeiro na última rodada do Brasileirão. Claro que ainda estamos apenas no início do Campeonato, que é a única competição que o Atlético precisa se preocupar, o que também é bom. Mas, acrescente a isso o fato de que o Galo, na tabela do returno do Brasileirão deste ano, irá fazer a maior parte dos jogos cascudos, encardidos e de matar cardíacos em casa, inclusive o clássico contra o Cruzeiro. Se as contratações corretas forem feitas e o grupo se fechar em torno da disputa do título, o time terá todo o apoio da torcida, que irá lotar até os pontos cegos do Independência. O clube tem estrutura e profissionais à altura dos desafios, mas precisará de sabedoria. Sabedoria que um certo Cuca tem, afinal, não foi campeão brasileiro ainda, mas sim vice-campeão, pelo outro lado da Lagoa da Pampulha.

Hoje o Atlético está compondo um elenco que, se comandado por Cuca como está indo, pode almejar a disputa do título brasileiro e, de quebra, retornar à Libertadores. O retorno a Belo Horizonte tem feito muito bem ao time e, caso as vitórias venham e o time (re)conquiste a confiança da torcida, o Galo poderá crescer muito, inesperadamente. Por fim, torço para que os jogadores e a comissão técnica entendam que o time terá que jogar muito mais futebol do que vem jogando para almejar conquistas nacionais e internacionais.

domingo, 13 de maio de 2012

Amistoso - Comemorar o campeão invicto, mas cobrar o Galo Forte

Por Victor O. P. Coelho

No seu texto “O Forlán tangível e intangível”, publicado em seu blog Olho Clínico , Mario Marra disse que sua chegada (de Forlán) poderia “representar a maturidade e seriedade que o elenco parece carecer”. Se foi já “efeito Forlán” eu não sei, mas houve uma melhora significativa do futebol do Galo nesse segundo jogo da final do Mineiro 2012 contra o América, tanto na parte coletiva quanto na individual

Na parte coletiva, o time se mostrou mais coeso, marcando bem pelo menos desde o meio-campo até atrás, com a defesa firme e atenta, praticamente anulando o time do América – que, embora ainda limitado, é um time que havia se mostrado coeso, determinado e perigoso no ataque contra o Cruzeiro.

Na parte individual, Guilherme mais uma vez fez uma grande partida, mesmo um tanto no sacrifício por estar ainda recuperando da última contusão (e esperemos que seja a última mesmo este ano). Foram dos pés dele que saíram os dois primeiros gols. Bernard também melhorou, se movimentando mais, deixando de ser o jogador previsível e facilmente marcado das partidas anteriores, desde que voltara do departamento médico. Marcos Rocha também melhorou, mas o caso especial foi de Richarlyson. 

Claro que nada justifica homofobia, mas era claro que a torcida começou a pegar no seu pé devido ao futebol bem fraquinho que vinha apresentando e, no caso do primeiro confronto contra o Goiás, eu mesmo parei de assistir depois que ele “entregou” a bola que resultaria no segundo gol do Goiás – que, para piorar pro nosso lado, jogava com aquele uniforme medonho. Hoje finalmente o Rick resolveu sair do papel de vítima e jogar como guerreiro. Só espero que não seja apenas algo corriqueiro, nem apenas, também, algum possível “efeito Junior César” (outra contratação ainda não confirmada).


Vencer o Campeonato Mineiro de forma invicta é, de fato, um grande feito e merece a comemoração. Mas, todos já sabem que o Galo precisa de muito mais. Tendo isso em vista, e sem pretender diminuir a conquista, sejamos realistas: o nível do futebol mineiro hoje é muito fraco. E não me refiro apenas aos times do interior. O Cruzeiro só não foi rebaixado ano passado pela “ajuda” do Galo, que resolveu entrar em campo já de férias. Ficou agora de fora da final do estadual, tendo sido desclassificado na semi-final pelo hoje goleado América. O América, por sua vez, é um clube organizado, com time coeso e de bom nível para disputar a Série B, parece ter um projeto consistente para sonhar voltar e permanecer na Série A. Mas ainda é, no máximo, uma equipe da Série B. E o Galo... Dos jogos mais importantes, empatou o único jogo contra o Cruzeiro depois de abrir 2 a 0. Dos três jogos seguidos contra o Tupi – melhor time do interior e atual campeão da Série D nacional –, empatou dois e ganhou um apertado. Contra o América foi melhor, tendo ganhado um jogo equilibrado (embora com mais posse de bola do Galo) na fase de classificação, empatado o primeiro jogo da final e finalmente hoje se impôs de maneira que o jogador (ex-)americano Moisés reconheceu a superioridade do rival após o jogo. Mas o pior de tudo foi a patética eliminação diante do Goiás da Copa do Brasil, para manter nossa patética tradição nesse campeonato e para consolidar a humilhante freguesia diante do time goiano.

Mas evito de ser demasiado pessimista. O elenco do Galo é bom, acima da média no Brasil, a meu ver. A sequência de jogos no final do Brasileiro do ano passado mostrou que o time pode ambicionar bem mais, e o time já está reforçado este ano. O que falta (ou faltava?) era maior seriedade, dedicação, “sangue”, coisa que passou a ser cobrada, com toda a razão, após o vexame contra o Cruzeiro na última partida de 2011.

Contudo, o time precisa de mais dois ou três reforços pontuais. Precisa demais de um camisa 10 para chegar e virar titular, idem para a lateral esquerda. Os nomes do momento (Forlán e Junior Cesar) são bons, se jogarem seu melhor futebol (no caso do Forlán, sem exigir que seja o mesmo jogador da última Copa do Mundo). Talvez um goleiro experiente, embora eu prefira que seja mais um meia ou atacante de bom nível, além do camisa 10. Acredito que o dinheiro disponível pudesse ser usado para mais (ou seja, quatro ou cinco) boas contratações, de jogadores do Brasil ou América Latina, com jogadores que não fossem tão estrelas mas que já pudessem chegar e somar futebol ao time, desde o início do campeonato. Seria algo mais tangível, concreto, que talvez rapidamente já colocaria o time entre os fortes candidatos a brigar pelo G-4. Mas vejamos o que acontecerá.

Se esses bons reforços (ao menos três) vierem e o time se mostrar disposto a disputar o título do Brasileirão, como se mostrou hoje para abocanhar o título do Mineiro, creio que a perspectiva possa ser boa. O caso é que já perdemos uma boa oportunidade de voltarmos a sermos grandes em campo com mais uma eliminação precoce da Copa do Brasil. Tomara que isso, assim como o título invicto do Mineiro, possa servir como motivação para o time se comportar de forma determinada no Brasileirão 2012 e visar a pelo menos uma vaga na Libertadores 2013. 
 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Solucionática: Galo fraco e freguês

 Lucas Morais



A camisa do Atlético vale hoje menos que este horroroso uniforme verde e amarelo do Goiás. Parabéns ao Goiás, aliás. Com os veteranos Iarley, atacante, e Harlei, goleiro, e um time de jogadores jovens, o time goiano conseguiu impor 2 a 0, em casa, pela Copa do Brasil, dando apenas uma única chance de gol do lado alvinegro. Já no jogo de volta, no Independência, em Belo Horizonte, a equipe goiana soube aproveitar os contra-ataques, quase matando o jogo já nos primeiros minutos de jogo, apesar dos dois gols atleticanos que viriam a seguir. Portanto, mérito total para o Goiás.

O Galo está semelhante ao Fluminense dos anos de 1990. Caso não ocorram mudanças internas radicais, o time poderá sofrer novo rebaixamento logo, logo. Olhando-se os nomes do elenco, é um bom elenco. Nada mais que isso, “bom”. Entretanto, tem “treta” aí no meio. Problemas internos tomam conta, mesmo com a aparência de um ambiente de trabalho tranquilo. Tranquilidade? Não. Jogadores se xingando em campo, o time vem jogando somente um tempo com mais regularidade (regularidade esta que soma, no máximo, 25 minutos, mesmo no Campeonato Mineiro), enquanto sacrifica outro tempo para o toque de bola covarde, isto é, nada contra manter a posse de bola, mas quando essa posse passa a representar a ausência de opções e ousadia no ataque, essa posse de bola passa a ser sintoma de um time comodista, conformado, que se apequena até diante dos pequenos, já que não busca o resultado, os gols, e, quando busca, com base na pressão da torcida, sempre depende de Neto “Resolve” Berola (ou outro “milagre”), que tem sérios problemas físicos que o impedem de jogar por mais de 25 minutos. Há graves problemas de bastidores, de vestiário. Disto a imprensa esportiva, mineira e nacional, sequer trata ou apura.

Como um time que possui “o melhor centro de treinamento do Brasil”, possui o maior patrocinador do futebol nacional (Banco BMG) e saldo para contratação de, pelo menos, três jogadores muito bons, tem e terá como arena tanto os novos Independência e o Mineirão, com um bom treinador como o Cuca e um bom preparador físico como Carlinhos Neves (Seleção Brasileira), com um elenco, no mínimo, razoável, pode, com todo respeito a estes clubes, conseguir ser freguês de times como o Goiás e o Botafogo? Com jogadores perdendo corridas para o veterano Iarley? Ora, basta assistir a qualquer, digo, qualquer jogo de times como o Internacional, Fluminense, Corinthians, Santos, São Paulo, Botafogo, Vasco, Bahia, Coritiba, entre outros, para ver, por contraste, que há graves problemas no vestiários atleticano. Qualquer veterano do Vasco possui mais pique que meio time do Atlético. Que tal? Será problema somente de elenco? Será que o sistema de treinos está correto? Será que a preparação física está dando certo? Como times como o Fluminense, que  nem possui um centro de treinamento com  qualidade da Cidade do Galo, possui jogadores em muitíssimo maior rendimento que o Atlético?

Galo é Galo?

Afora o ufanismo propagado pela rádio Itatiaia e os comentaristas atleticanos, o clima interno do Atlético mais se assemelha ao decadente Flamengo. “Galo é Galo”? Galo foi Galo, “forte e vingador”, até meados da década de 1980. De lá para cá, o Galo tem sido cada vez menos Galo. Portanto, que história é essa, que ufanismo irracional é esse de “Galo é Galo”? O time Galo está menor que o América. Só não está efetivamente menor em função de torcida e recursos financeiros, pois, de resto, não há dúvidas que é o time alviverde belo-horizontino que merece, dentre todos os demais times mineiros, o título de campeão mineiro em seu centenário. Torço mesmo para que o Galo perca desta vez.

Não há o que comemorar caso o time alvinegro seja campeão. Desde 1971, só comemorou-se duas Sul-Americanas, na época, Conmebol, que disputavam os terceiros e quartos colocados das ligas nacionais sul-americanas. Afora isto, não há o que comemorar, apesar de todo e qualquer atleticano saber que é um time que tem e teve tudo para ser um gigante, mas foi sempre administrado de modo arcaico e equivocado. Os títulos de Campeão Mineiro só tem servido para abafar os problemas e refugiar a suposta “grandeza” do clube em um título totalmente inexpressivo. Afinal, em que ajudou o título mineiro ao quase rebaixado Cruzeiro de 2011?

O Galo está na água, a tendência é só descer. Bahia, Figueirense e Ponte Preta estão com times melhores que o Atlético. No Brasileirão, a disputa contra o rebaixamento deverá incluir o Atlético, Portuguesa, Náutico, Sport, Atlético Goianiense e, talvez, Cruzeiro, dado que o time celeste não é fraco, apesar de estar mal-entrosado, haver também problemas de vestiário, financeiro, contratações etc. Muda-se o treinador, contrata-se para as posições corretas e o Cruzeiro volta a se manter na zona intermediária, podendo melhorar rapidamente.

Todo atleticano sabe das carências, limitações e erros do time. A diretoria, por sua vez, ao invés de buscar soluções mais radicais, como o afastamento de determinados jogadores, a contratação certeira para as posições mais carentes (cadê o “olheiro” Eduardo Maluf?), o tratamento para conciliação das crises no vestiário, continua perpetuando sua fórmula de “dessa vez vai”, mascarando as limitações com uma invicta, mas pífia, campanha no Campeonato Mineiro, em que somente América, Cruzeiro e Atlético disputam de fato, com o Tupi comendo pelas beiradas em função do bom time que possui para disputar a Série C do Brasileirão.

Ontem o Independência não esteve lotado. Fosse em outros tempos, até mesmo as ruas ao redor do estádio estariam tomadas pela torcida. Desde o 6 a 1 sofrido contra o Cruzeiro na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2011, que contou com muitas ações suspeitas nos bastidores, inação técnica e de direção, o clube vem se apequenando inexoravelmente. A amarga estreia no Independência reforçou esse rumo. Daqui em diante, é só ladeira. E, “daqui”, entenda-se década de 1980.

Um time completamente aburguesado, com seus jogadores ganhando salários acima de 150 mil reais por mês para apresentar um trabalho ridiculamente fraco, displicente e apático, cujo valor real é igual a times da Série B, enquanto esses jogadores estão nitidamente pouco se importando para o coração dos torcedores e para a urgente necessidade de batalhar, com sangue nos olhos, pela conquista de expressivos títulos nacionais e internacionais, que (re)coloquem o time na esteira dos verdadeiros grandes clubes nacionais e internacionais, como historicamente foi o Galo.

Ora, que modernidade é essa, Alexandre Kalil? Como se contrata jogadores para o Atlético? Por quê? Para quê? Como se dá a preparação física desses jogadores? Como que um time que gasta tanto dinheiro em contratações, salários, centro de treinamento, treinador etc, cai sempre para o Goiás na Copa do Brasil, para o Botafogo na Copa Sul-Americana, para quase todos os grandes no Brasileirão, para o Cruzeiro na final do Campeonato Mineiro, e daí em diante? Será que o treinador Cuca emburreceu ou está lidando com problemas muito maiores que sua capacidade de gerenciamento de crises?

Espero, mesmo, que o América seja o campeão do Campeonato Mineiro deste ano, não só em honra ao seu centenário, mas porque, dentre os times mineiros, é o único que possui hoje dignidade e mérito para tal título. Apesar de sua torcida não ser mais aquela de antes dos anos de 1950, seu time hoje é um grande, com todas as limitações que há. Mescla-se, corretamente, a juventude de seus jogadores oriundos da base com a experiência de veteranos como o atacante Fábio Jr. e o goleiro Neneca. O time tem sangue, coração e sabe de suas limitações. Os jogos contra o Cruzeiro na semifinal do Estadual mostraram isto.

Enquanto isso, temos que escutar que “Galo é Galo”, do mesmo modo que flamenguistas usam o “Mengão é Mengão” para abafar todas as crises, adversidades e péssimos resultados.

E agora, Kalil? Que tal parar de se comportar como um moleque de voz grossa, falar menos, fazer muito mais e efetivamente modernizar o futebol do Atlético? Será que este presidente assiste a Copa Libertadores? Será que ele tem acompanhado o futebol dos grandes clubes brasileiros? Ou será que continuará acreditando que dirige um Real Madrid enquanto em campo o time mostra ser algo muitíssimo inferior ao seu segundo rival belo-horizontino?

Ah, e não nos enganemos. A culpa não é só da diretoria. É da torcida também, que não é santa e muitas vezes acaba atuando contra o próprio time, já que se faz permanentemente iludida, acomodada, conformista e passiva, do jeito que todo e qualquer o adversário ou rival gosta. E, assim, de ano em ano, o Galo vai se tornando um pinto inofensivo.