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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Leiteria - A paz, a esperança e o vigor unido e forte pelo esporte


Por Gilson Moura Henrique Junior



Ontem eu vi a História. 

Sim, queridos, a História ali, materializada, desenhada com sangue, suor, lágrimas e o inexorável tempo que a tudo transforma.

Vi a  História desenhada em troféus, nomes, pessoas, heróis jovens e velhos que vivos ( presentes ) e mortos (divinizados) concretizaram uma viajem pelo tempo até meus nove, dez anos de idade e renovaram a fé em um futuro onde seremos novamente a História.

A inauguração da nova sala de troféus do Fluminense não foi simplesmente a constatação de uma trajetória de glórias feita por aquele que fundou o futebol no Rio de Janeiro e traz em seu nome a prova, foia  percepção de como atos simples podem construir uma base pra futuras transformações.

Não, não tenho na administração atual a administração perfeita, sei que há defeitos, mas é inegável que um ato de profundo respeito por nossa história e pelo semear de profissionalismo novamente no tricolor, diante de sequencias de administrações perdulárias, incompetentes e que chegaram a destruir um de nossos mais preciosos troféus é um sopro de esperança de que o Flu tome novamente seu lugar de liderança do esporte nacional.

A sala ficou linda, o conceito de museu é uma perfeita homenagem a nossos ídolos tanto de campo (poucos jogadores foram esquecidos de nosso enorme panteão) como de fora dele como Chico Buarque e Nelson Rodrigues (Com destaque que lhe é merecido).

Em uma semana que se inicia com três preciosos pontos conquistados diante do Náutico em Recife pela eficiência de nosso time em uma jornada técnica nada brilhante e às vésperas de um Fla x Flu que completa cem anos no dia 07/07/2012, a inauguração de nosso novo espaço de exibição de nossas conquistas é grata e simbólica efeméride.

O texto é ufanista e emocionado por ter sido escrito por quem voltou no tempo ao abraçar Romerito, herói de infância e se emocionou pelo fato de estar naquele templo.

Sobre o Fla x Flu falaremos posteriormente, no sábado.

domingo, 24 de junho de 2012

Leiteria - E o Maestro ergueu o dedo...

Por Gilson Moura Henrique Junior

Eu digo não ao não! É proibido proibir o encanto!

Não um encanto cego e tolo que louva e se ufana de  vitórias como quem esquece o jogo, a lógica e o gol, não! Jamais! Mas sim o encanto apaixonado das três cores com a calma, o avanço controlado, asfixiante e fatal ter vencido com autoridade mais um adversário.

Como não se encantar com a absoluta calma com que a adversidade é encarada e o jogo é tomado das mãos do rival como quem se impõe e diz "Devolve-me o jogo!"?

Como não se encantar com a habilidade e disciplina de um elenco que com falhas e erros, ajustes e esforço se impõe na marcação e numa ofensividade que premia o torcedor com jogadas em velocidade, triangulações, passes perfeitos e uma rotina massacrante para a defesa adversária até que gol saia?

O Fluminense foi assim diante do esforçado, mas frágil, Atlético Goianiense.

Após um gol surpreendente pela velocidade o avanço gradual da equipe de Abel Braga comandou o jogo como quem chupa um chicabon.

Não foi arrogante, jamais! Não foi soberba! Foi imensa.

Já nos aproximamos da liderança e no tempo certo, no momento em que começamos e ter novamente um elenco inteiro. Não perdendo ponto para equipes com menor investimento e enfrentando rivais diretos com força, com coragem e sem perder também pontos.

Se o anúncio na televisão não dá receitas de como vencer um brasileiro, o que se escreve nos portões não dimensiona o crescer de um time talhado para a glória. 

Estamos vendo senhores uma negação à qualquer proibição da alegria!

O Fluminense de Abel Braga e seu maestro começam a tomar conta do Brasileiro, avançando gradualmente, avançando e tomando conta da posição que almeja até o arremate final.

O Maestro ergueu o dedo e além do óbvio há o grito, o sim.

É proibido proibir-se de esperar o Tetra!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Leiteria - Uma explosão atlântica

Por Gilson Moura Henrique Junior

Existem momentos em que o futebol garante dias, sorrisos, medos e ódios.

Há no germe do ludopédio a máxima da insanidade e da criação de clássicos da tragicomédia humana, como se a mistura de tudo o que foi escrito na literária vida humana, na história dos tempos se resumisse e jactasse da dramaticidade cômica em um resumo mutante chamado Futebol.

Há no futebol uma condensação de loucuras, amore,s ódios e horrores, que destrutivos ou genialmente criativos movem a roda do destino e remitologizam o viver.

Saem Hércules, Teseu e Perseu, entram Garrincha, Pelé, Messi, Cristiano Ronaldo, Deco, Luis Fabiano, Danilo, Juninho Pernambucano.

É no futebol que heroísmos sangram por sofrerem um carrinho maldoso ou belezas são construídas com corpos no ar em uma bicicleta, chutes cruzados mortais, ou aquele gol que faz das multidões explosões atlânticas, enchentes amazônicas na roda viva do poeta, no coração dos poetas cantores deste Brasil Varonil.

É no Futebol que a jornada do Herói se concretiza em jornadas épicas como a  do Fluminense em 2009, em solidas campanhas como a do Corinthians na libertadores deste ano, onde a queda de um gigante como o São Paulo, tri Brasileiro em 2007/08/09 e hoje um time sem alma.

É no Futebol que jovens como Wellington Nem tornam-se esperança, veteranos como Juninho Pernambucano e Deco são marcos fundadores de esperança de torcidas que se espalham apaixonadas por um país que ama com todos os seus sotaques, antes de tudo, o viver as cores de cada tradição chamada clube.

Ontem mais uma torcida se alegrou com uma vitória que a eleva, pela primeira vez, a finalista de uma Libertadores. Mais uma torcida chega perto do píncaro máximo, de fixar sua bandeira no ponto mais alto dos Andes e encheu a cidade de São Paulo de uma mistura de alegria e ódio que faz do Futebol a marca de uma megalópole.

E é o Futebol que gera essa corrente de emoções que nos faz humanos, que nos faz guerreiros, mosqueteiros, galos, santos.

E é nessa explosão atlântica que deita nossa fé e nosso orgulho, nossa forma de ser humanos, tricolores, alvinegros.

Que bom!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Leiteria - Sobre a Fodacidade

Pro Gilson Moura Junior

A Fodacidade não existe antes de ser criada. 

Parece óbvio, mas não é.  Não há Fodacidade com humildade ou a ausência de galhardia.

Não há Fodacidade sem o riso fácil, o gargalhar e o zoar.  Maroto sim, oculto nunca!

A Fodacidade é a mãe primeira da antiguidade cascalhada na malemolência. É prima dileta da risada marcante, da troça rebelde, anti bons modos.

A Fodacidade ri do surdo, sacaneia o cego, pede ao cadeirante pra dar uma voltinha, sem no entanto humilhá-lo, sem tornar-se dele como um outro, um opressor. 

A Fodacidade não humilha, provoca.

Todo carioca nasce na Fodacidade até ser pego nas tramas e tranças da repartição, do eixo rodoviário, do consórcio do Fiat Palio, na querência de ser Playboy ou no desejo de ser da Globo, se fazer parte daquele riso RJTV.

Quando o carioca perde a Fodacidade, aquele jeito de saber onde é Maria da Graça e falar com desdém do Leblon, quando o carioca perde isso se torna uma espécie de paulista, mas sem sotaque e imaginação, sem vontade de quebrar tudo e sem nenhum senso de luta de classes, tá ligado?

A Fodacidade é o eixo de Paudurecência (Grelecência pras mulheres) formatador do carioquismo roots, aquele que ruleia no desandar cínico da esperança vã e que mergulha e nada de braçada na fé irracional no impossível.

A Fodacidade é prima-irmã da Cosmicidade e tem um quê de genérica do Flafluzismo.

A Fodacidade é como saber o que é um Fla x Flu por dentro, mas sem o jeito de corpo de nascença.

A Fodacidade é antes de tudo nascer no Rio e usar outras cores. 

Quem sabe o que é um Fla x Flu por dentro já manja de Cosmicidade, mas ai já é outro papo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Leiteria - Qual o problema?


Por Gilson Moura Junior

Gosto de futebol como quem sangra. Sim, como quem sangra, qual o problema?

Não entendes? Não serias capaz de entender se aquele gol te doesse, não serias capaz de entender se aquele gol fosse teu orgasmo, tua alma saindo pela boca, lágrimas nos olhos e algo mais intenso que sua ausência de fé jamais entenderia, fortalecendo-se em ti como uma chama, como um mundo.

Ópio do povo? Que seja! Se for ópio que me enlouqueça, que me formalize como adicto, que me devore!

Quando nasci me fiz tricolor. Quando cresci e lutei contra reis, bárbaros, gorilas, soldados, pastores, ela estava tatuada na minha alma, aquela bandeira e as mesmas três cores que traduzem tradição.

As mesmas três cores que me ajudam a falar com porteiros, empregadas domésticas, balconistas, motoristas de ônibus, lavradores, putas, cães vadios, sarjetas e garçons. Marx? Não, Marx me ajuda a ver o mundo, a eles não, quem me ajuda a vê-los é Nelson Rodrigues. 

Aqueles rostos transtornados pela perda do Gol de Diego souza, que pulavam com o gol de Marcos Junior ou de Carleto, que odeiam Ronaldinho Gaúcho, que são esperançosos com a alma de Loco Abreu por sobre a estrela solitária, quem entendeu foi Nelson e não Marx.

É certo que precisamos mudar o mundo, é certo! E pra isso precisamos de Marx, mas se esquecermos de Nelson veremos em nome de quem o mudaremos?

Gosto de Futebol como quem goza. Qual o problema?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Leiteria - Orgulho de ser tricolor

Por Gilson Moura Junior

Ontem nossa vitória foi inenarrável, mágica, mística, imensa. 

Ontem vencemos de uma forma que o poucos verão ou veem normalmente, vencemos com força, com raça, com coragem, com alma. Vencemos como quem antes de mais nada sabe o significado das três cores que traduzem tradição.

Vencemos como mais que ufanistas, que amantes acríticos, que idiotas felizes em participar de turbas anencéfalas e cuja maior lembrança do time é de fazer parte da "maior torcida do mundu".

Vencemos ontem, vencemos sim, vencemos porque para além do placar ganhamos a nós mesmos, nós, o time, o olho, o Abel.

A classificação? foi do imenso Boca, imenso, respeitado, gigante, tão gigante que não precisava do jorro coletivo de babação que recebeu após achar um gol ao fim. A vitória? Foi nossa. Não, não vencemos nem o jogo jogado, apesar de imensamente melhores que o adversário gigantesco, fomos melhores e perdemos, como antes ocorreu o inverso tantas vezes. Fomos melhores e caímos diante de um gigante, um gigante que nos acostumamos a enfrentar de igual pra igual, sem tremor nos olhos ou na alma. 

Vencemos não no jogo, não no placar ou na competição, mas no orgulho de sermos parte desta três cores, três cores que traduzem mais que tradição, mas honra, coragem, entrega.

Vencemos, Senhores e Senhoras! Vencemos e temos de estar orgulhosos dessa vitória.

Domingo tem jogo, mais uma taça pra disputar e trazer pra casa.

Não é hora de luto! É hora de orgulho, honra e amor!

É por isso que eu canto, que visto esse manto, orgulho de ser tricolor.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Leiteria - Tá no Sangue

Por Gilson Moura Junior

Na quarta-feira teremos um daqueles jogos que positivamente faria um torcedor comum tremer de medo, suar frio, entender a dor do tenebroso dom da realidade em passar a perna no sonho. 

Nós, no entanto, desacostumados ao comum, olhamos no olho do pavor, do fim, da beira do mundo derramando mar num caos invisível e sorrimos aquele sorriso de "E, dai?". 

Não somos feitos do comum, é vero, no entanto também não sambamos Martinho da Vila na Ópera ao sentarmos em cima de uma confiança tola numa classificação. Não faz diferença, nós sabemos o Fluminense, nós sabemos o olhar daqueles que tem as três cores que traduzem tradição tatuadas na alma, nós sabemos que veremos o Fluminense em campo, o Boca também verá, pode até nos superar em placar, vencer o jogo, mas não superará o que é o Fluminense, aquele que distorce os parâmetros do comum.

 O Boca, o mundo, verá novamente aquilo que torna o futebol algo admitido como um parâmetro do real independente de leis que Newton já dizia. Tá no olho do Abel, tá no Gol de Leandro Euzébio no último fim de semana, na explosão do menino Wallace, na coragem do garoto Marcos Junior, nas câimbras do menino Fábio Braga.

Tá no solitário gol da primeira vitória dentre tantas neste Brasileirão 2012. Tá na alma do torcedor que sorri por saber-se batalha, que sorri por saber-se muitos, por saber-se não apenas uma pálida visão do clichê banhada na descrença de rivais que , tolos, ignoram a história, o mundo onde se os fatos nos diminuem, pior pros fatos.

Na quarta-feira teremos mais uma vez ele em campo, a camisa tricolor carregada por abnegados atores, que tidos como reservas nos causam alegria do desafio.  Podemos cair, podemos perder, podemos morrer, mas assinaremos na alma de cada um o temor de desafiar-nos a alcançar o impossível.

Tá no olho do Abel, tá na alma, tá no sangue.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Leiteria - A Jornada do Herói

Por Gilson Moura Junior

É o Fluminense.

Isso ai, o Fluminense, conhece? É.. aquele mesmo.. aquele que quando retorna no reino de Hades escolhe como livro de cabeceira a Jornada do Herói.

É aquele Fluminense, aquele que desnuda a emoção, a  agonia, com requintes Hitchcockianos, como se filmasse "Os Pássaros" enquanto o Imponderável chupa um Chicabon na calçada do Impossível.

O Fluminense, aquele de 2009, aquele de 2010, aquele que em 2011 foi dado como morto e só morreu quando havia virado protagonista. 

O Fluminense zoa a derrota, como um Judeu Errante que tripudia da morte retornando aos píncaros da emoção com requintes de crueldade, como um Ulisses redivivo que é um Ninguém que mata Ciclopes furiosos e autocentrados.

E o Inter, que não é o Botafogo, conheceu novamente o Fluminense na noite de ontem.

O Torcedor do Fluminense quando saiu de casa com o sabor da classificação na ponta da língua, se preparava para uma dolorosa experiencia que lhe é comum e grata, a da superação de montanhas, de inimigos imaginários, moinhos de vento, medos, depressões, falhas e do desdém que nos acompanha desde a descida aos infernos da série C. O Torcedor do Fluminense no entanto não sabia como. 

E neste misterioso caminho entre uma certeza sagrada e a dúvida sobre o roteiro, subiram as rampas do novo templo tomados de inescapável garra. Gritaram, cada um como um pedaço de alma do eterno, cada qual um momento de gigante e absoluta, comovida até, doação àquele, aquelas cores, que não só traduzem tradição, como traduzem a inescapável predestinação à glória.

Com o Fluminense, repito,  o Imponderável chupa Chicabon na calçada do Impossível.

E o Inter, sabedor de que era a noite de sua melhor partida, sabedor que não é o Botafogo, cai diante de um novo conhecimento: somos o Fluminense.

Na segunda decisão entre os clubes em vinte anos o Inter aprendeu que mesmo longe de nossos melhores dias está diante de um gigante, de um Ulisses, e que sem a ajuda do Juiz talvez nem sempre seja simples superá-lo, especialmente com línguas grandes.

 Em uma semana mais uma batalha, mais uma enorme batalha que se torna uma nova tradição, um novo clássico. O Fluminense irá à tão saudosa quanto aconchegante Buenos Aires para enfrentar um Gigante ainda maior que o Internacional, um Gigante que além disso sabe que desprezando Guerreiros se cai e o quanto isso é doloroso.

Teremos diante do Boca Juniors mais um capítulo da espinhosa história que nos levou à final de uma Libertadores, a tradição de nenhuma moleza, de nenhum Bolivar, de nenhum sub-12 do timbuctu, pela frente, mas de gigantes, de monstros, leviatãs futeboleiros.

E como Ulisses chegaremos à Terra deste Ciclope como Ninguém, como mais um que ouvindo "nunca terás o tamanho do Boca Juniors", se cala e avança.

Eles são favoritos.

E isso é bom.





sábado, 5 de maio de 2012

Leiteria - Esperando o Vovô

Por Gilson Moura Junior

Há milênios o carioca não é decidido em campo.

Todos os títulos disputados no Rio de Janeiro, desde o primeiro chute em uma bola valendo pontos, nos idos de 1906, foram decididos nas mãos  das Moiras Gregas ou Nornes Nórdicas.

Todos sem exceção foram mais que apenas um jogo, sempre. todos nasceram e cresceram constituídos da mitologia que se erguia das mãos, pés e peles dos nascidos e vividos sob o sol desta terra.

O campeonato carioca existe para além do tempo, e sempre, sempre, teve e tem em si o suave perfume da eternidade.

Neste domingo nasce mais um capítulo da eternidade ao dar ao Clássico o protagonismo poucas vezes visto nem decisẽos de um campeonato de tal envergadura divinal como o Carioca.

Protagonista de apenas quatro decisões deste mais que centenário campeonato, o Clássico Vovô surge novamente como um momento de afirmação e reafirmação para ambos os disputantes, por vezes ocultados pela grandiloquência populista de emissoras e jornais, torcedores e seguidores do oba oba luso-mulambo.

E neste domingo, um domingo que espera, um domingo que anseia, decidirá não mais um campeonato,mas o campeonato que remete ao primeiro passo do homem no planeta futebol em terras Tupinambás, o campeonato que lembra que se não fossem os irmãos Cox ainda estaríamos remando.

As equipes, bem, elas terão seus heróis, quase todos, inteiros ou quase isso. Teremos o Maestro Deco, o Imponente Uruguaio Loco, o surpreendente Fred, o decisivo Thiago Neves, o seguro Jefferson, o insinuante Maicosuel, todos em campo, prontos para concretizarem a glória em suas mãos.

Fora de campo, deuses e homens, mortos, vivos, entidades, se juntarão a Manés, Nelsons, Lagos, Portos e criarão aquela sensação de atemporalidade que só quem nasce nestas plagas da Mui Leal entende.

É chegada a hora de mais um vovô.

Que bom!


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Leiteria - Rumo à irresistível vocação para a glória

Por Gilson Moura Junior

O Internacional é um dos mais tradicionais clubes do Brasil, isso não se discute, e amplia sua grandeza com suas duas libertadores e seu mundial.

O confronto de quarta-feira com o Internacional assanhou apocalípticos e integrados em debates intestinos da torcida tricolor ao ponto de dramas e dores e lágrimas chorarem por entre os mundos e fundos que compõe a cosmicidade.

"Porque tão cedo?" gritavam os apocalípticos. "Porque não? quem quer ser campeão tem de vencer a tudo" berravam integrados, otimistas e polianas.

O certo é que mais uma batalha se avizinha, o certo é que não há razão, nunca haverá ou houve nos passos que nos conduzem aos títulos.  O Fluminense tem à sua frente novamente a presença de monstros, leviatãs futebolísticos, fantasmas e horrores que śo heróis míticas podem superar.

Temer, racionalizar ou ufanar-nos de nossa, óbvia, grandeza não nos levará à Ela, na verdade o que nos levará a ter em mãos a obra de arte Libertada, construída do sangue de guerreiros, lutadores, Libertadores, é nossa irresistível vocação para a Glória.

Temos à frente Internacional, e se passarmos pro esta muralha , possivelmente Boca Juniors e quem sabe quem mais nos fará novamente ter, como em 2008, a árdua tarefa de a tudo vencer, de a tudo superar.

Em 2008 nossa arrogância em não ver nos Equatorianos adversários à altura nos custou o mais alto lugar do pódio, não podemos inverter a sensação e nos ocultar na pálida covardia dos tolos.

Nunca tememos os grandes, erramos sempre quando não enxergamos os humildes.

Temos à frente tudo o que o Fluminense precisa, guerras, apoteoses, dores, humores, sangue e força, tudo o que compõe o estandarte do mito que construímos há 112 anos.

O Internacional é um dos mais tradicionais clubes do Brasil, isso não se discute, como não deveria se discutir o gigantismo tricolor.

No Beira-Rio na Quarta-Feira, teremos mais um passo para a glória e não tenho dúvidas que o daremos com a necessária demonstração de força, não a ponto de calar os críticos, mas ao ponto de sussurrar o pavor de ver-nos finalmente conquistando  o que nos foi outrora negado, nos colocando acima das preferências clubísticas e amores ocultos.

No Beira-Rio, na Quarta-Feira, o Fluminense talvez relembre que o mundo não começou em 2006, quem sabe com um gol de Marcos Junior.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Leiteria - Pintou o campeão!

Por Gilson Moura Henrique Junior

Pintou o campeão!

Exato,é isso mesmo! Pintou o campeão!

Não, não tô maluco, não desandei, não bebi marafo e farelo, não comi gnomo. Pintou o campeão!

A Libertadores e o Fluminense nunca tiveram um longo caso de amor ou possuem laço formidável de segurança, ambos tateiam-se desde a década de 1970, com o fidalgo clube das Laranjeiras agindo mal com a moça em suas primeiras participações, pagando o mico de desprezá-la.

Em 2008 a punição veio a cavalo com um romântico e poético flerte que durou meses e ao final terminou em um toco cavalar, grosseiro até, onde a moça do auge de sua beleza nos negou a glória. 

Em 2011 uma nova e dura tentativa, meio tímida, com algum receio, terminou cedo, mas eis que estamos lá novamente e desta vez parece que o Fluminense se apresenta como é.

Novamente somos o melhor time da primeira fase, como em 2008, mas desta vez não vestimos o traje do favoritismo, inclusive somos anunciados pela mídia como um modesto melhor time da primeira fase, como um azarão que deu certo. Somos um time preguiçoso, um time qualquer.

E não, isso não é ruim, a Copa está aprendendo a nos conhecer, este clube estranho que suspira pelo gol no último minuto e pelo placar minimo desde que inicia seus passos no mundo da bola, logo ele que é o primogênito de um  de seus grandes centros.

Vamos devagar, devagar e fingindo preguiça, como quem não quer e ai ao bater o gongo da impossibilidade nos jogamos, como He-Man, e fazemos de peixinho, e surtamos, e  gritamos rodando os braços e somos isso, essa insanidade cardíaca.

O Fluminense não jogou o futebol que dele se espera, exceto quando precisou. O Fluminense nunca jogou o futebol que dele se espera, exceto quando precisou. Não só agora, sempre. O Fluminense de alguma forma espera o átimo de glória possível, até mesmo para amarrar o sapato enquanto olha a beleza da moça que vem e que passa a caminho do mar.

Para o Fluminense sem a glória, o limite e o impossível não se chupa nem um Chicabon.

E é chegada a hora de meninos se tornarem homens, são as oitavas, é o mata-mata. É chegada a hora do olho de tigre e mais, é chegada a hora do Fluminense, para a glória ou o mais profundo e dramático fracasso.

O roteiro aponta para a glória.



domingo, 15 de abril de 2012

Solucionática - Por Partes, Como Jack....

Por Lucas Morais

O futebol é realmente uma caixa de surpresas. Se a Terra gira uma vez a cada 24 horas, a bola gira milhares de vezes em 90 minutos.

Vamos por partes.


A derrota do Fluminense para o Boca Juniors veio no melhor momento, do melhor modo possível. Uma derrota para o gigante argentino que, sem Riquelme, mostrou ter time para disputar francamente o título sul-americano, enquanto o Fluminense mostra problemas no sistema defensivo, com os volantes errando muito, o que propiciou o primeiro gol do Boca e fez com que o próprio ataque finalizasse mal e trabalhasse mal a bola pela afobação. Fred e Thiago Neves foram facilmente anulados e, assim, coube a Deco e Nem a criação e a tentativa de fazer a diferença, que também foi anulada com muita qualidade. Digo que foi no melhor momento porque agora Abel sabe as potencialidades e limites de seu time, terá tempo para trabalhar e minimizar os problemas, enquanto precisa trabalhar mais a eficácia do ataque do time, que tem muita qualidade.

A eliminação precoce do Flamengo na Libertadores, após jogar como time grande contra o Lanús, vencendo em casa por 3 a 0, com Ronaldinho finalmente justificando que pode atuar efetivamente como um camisa 10 vez ou outra, foi espetacular. Apesar de estarmos falando da fase de grupos, foi esplêndido ver a crise finalmente tomar lugar na Gávea. Afinal, "Flamengo é Flamengo", mas não nesta noite. O Emelec mostrou garra de dar inveja a qualquer torcedor, de qualquer clube. Mesmo quando tudo parecia estar perdido, foram lá e, nos últimos minutos, arrancaram o gol da classificação, na raça. Foi desses "raros" momentos que, quando ocorrem, especialmente quando se vivencia, nos faz pensar "como o futebol é fantástico!".

Fantástico também será a Champions League nas próximas semanas. Sucinto e direto, acredito na final entre os madridistas e os culés. O Barcelona, apesar de já não estar no auge de seu futebol, tem time, filosofia, estratégia e armas para colocar o Chelsea na roda, em Londres, e talvez até arrancar uma diferença de um ou dois gols.

Já no outro jogo, o Real Madrid, que hoje é o virtual campeão da Liga das Estrelas, quebrou já seus recordes ofensivos e vão para esta fase final com sangue nos olhos, com os jogadores loucos para ganharem do arquirrival catalão, o Barça, tanto na Champions League quanto na Liga. O Bayern já perdeu todas as chances na Bundesliga, onde o Borússia Dortmund será campeão após ter ganhado do rival. E neste final de semana, novamente o gigante alemão obteve um resultado ruim, empatando com o Schalke e deixando Dortmund a uma vitória do título antecipado. Outro grande problema é que o coração da equipe se chama Schweinsteiger, meio campo, e vem de duas sérias contusões, o que fez com que perdesse seu brilhante ritmo. Isso entre outros problemas. O Bayern dificilmente terá condições de suportar a pressão do tridente madridista, Ronaldo-Benzema-Higuaín, caso joguem juntos. 

É o melhor ataque da história do Real. Com os gols deste sábado (14), Cristiano (41 gols), Higuaín (21) e Benzema (18) somam 80 dos 107 gols do Real Madrid e se tornam o trio mais goleador da história. A marca do ataque, aliás, iguala o recorde do time de 1989-90, que também marcou 107 vezes – ainda restam cinco rodadas neste ano pela Liga. Portanto, acredito que o Real de Mourinho é o favorito tanto para a Champions quanto para a Liga, mas o Barcelona pode estragar a festa, especialmente se Messi estiver inspirado. Afinal, em segundos o craque poderá incendiar a guerra nas quatro linhas, como costuma fazer. Aliás, Messi é o jogador que mais gols fez em Casillas, enquanto o jogador que este goleiro mais sofreu gols é também Messi. Curioso, não?


No italiano, Juventus e Milan disputarão ponto a ponto, com a tendência da invicta Juventus leve a taça, já que o Milan tem tropeçado. No inglês, tudo está aberto para os dois Manchester, enquanto os clubes londrinos brigam pelas vagas da Champions.

sábado, 14 de abril de 2012

Leiteria - Agora Falando Sério...

Por Gilson Moura Henrique Junior

Eu queria não falar... 

Assim começou a  quinta-feira tricolor. 

A quinta-feira dolorida por uma derrota possível, mas não esperada, foi marcada ainda pela soberba adversária, pelas frases recorrentes dos comentaristas do óbvio que repetem nas derrotas que "O Boca é muito mais tradicional que o Fluminense" o omitem nas derrotas que "O Boca Juniors não tem tido sorte contra o Fluminense".

A quinta-feira foi dolorida de ler até gente boa caindo na esparrela de sinal trocado ao comportar-se com o Fluminense da mesma forma que os que tratam o Lanus ou o Olímpia como Olarias. 

A vida é assim, feita de decepções e percalços.

A verdade é que fomos derrotados pelo Boca Juniors que jogou contra o Fluminense de verdade, dois times reais com seus erros e acertos reais, dois times que buscam ser campeões da libertadores e que lutam pela primeira posição da chave.

Em campo dois times que se esforçaram para superarem seu adversário e que teve no time argentino um time superior taticamente e inclusive tecnicamente ao Fluminense que apesar de ter entrado ativo e levando a sério o confronto, não estava bem tecnicamente e cometeu as mesmas falhas táticas que já vinha cometendo.

Em resumo? O Boca foi melhor. Não esperem análises táticas fluentes em estatiquês ou crucificações. Perde-se em copas e campeonatos e antes perder agora que nas oitavas, quartas ou finais.

E gostei do time, achei que sim foi bem diante de um perigoso adversário e que falhou no último passe e nas finalizações. Estamos caminhando, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Agora é galgar mais um passo na direção da liderança, temos de vencer o Arsenal em Buenos aires.

É hora de falar sério, mas eu queria não falar...



domingo, 8 de abril de 2012

Leiteria - Vai de Madureira

Por Gilson Moura Junior

Zeca Baleiro já dizia que "quem não pode Nova York vai de Madureira", então quem não pode Libertadores vai de estadual e quem não pode Boca Juniors vai de Madureira.

No Estadual do Rubinho o Fluminense jogando em péssimos gramados conquistou mais uma vitória com evidente freio de mão puxado, olhando o relógio e perguntando se não podia ir pra casa mais cedo. 

Não, queridos, o Tricolor não ignorou e desrespeitou o ex-Tricolor Suburbano transformado por algum Jênio do Marketing numa espécie de metáfora da ameba amarela. O Tricolor simplesmente não aguenta mais jogar um sub-campeonato que só agrada às Pat Éticas e Papais Joel que se mantém na aba da malta alegre chamando de freguês o bacalhau porque perdeu um jogo que pouco ou nada vale.

O jogo de ontem serviu para entender que Lanzini é mais que um bom jogador, mas que precisa ser burilado e que há entrega sim dos jogadores, além do fato de que os jogos do estadual tem uma função de contundir jogadores e tirá-los de partidas importantes de torneios importantes, como no caso de Edinho. 

Sóbis e He-Man demonstraram sua utilidade e que em jogos que não sejam na várzea e repletos de uma função eleitoral pra cartolas podem ser decisivos. 

O resto até tentou se motivar, mas parecia trabalhador em véspera de feriado contando os segundos pra ir pro boteco antes de viajar. O jogo nem foi sonolento, foi letárgico.

O Fluminense investiu alto e  respira libertadores, brasileiro e quem sabe mundial e se vê obrigado por forças políticas e de omissão dos co-irmãos e até sua mesmo a disputar um semi-campeonato cuja função é manter o emprego de parasitas na FERJ e talvez o de presidentas e técnicos de Co-Irmãos que esqueceram seu tamanho.

Se o Flu vencer o estadual vai ser bom? Por uma semana talvez, pro ano não.

Em um estadual onde Vasco x Flamengo tem menos de dez mil pagantes chega a ser um escárnio o presidente da FERJ dizer que "O Fluminense reclama de tudo, o estadual é o melhor do país". E parece que os presidentes dos demais clubes, protagonizados pela dupla Vasco e Fla e coadjuvados pela omissão submissa do presidente da quinta-força, acham isso bacana, apenas pagam de oposição ao jogar pra galera pensando nas eleições municipais de Outubro.

Enquanto isso vemos um time que vale milhões rastejar nos pântanos mal cuidados do simpático estádio de Conselheiro Galvão em um jogo de baixo nível técnico que vale muito pouco.

Eu, que gosto de Futebol, fugi pra ver Tubarão III, apesar dos constrangedores efeitos especiais.

Quem não tem Bombonera vai de Madureira, mas o jogo de verdade é dia 11/04 no Engenhão e é nele que nós, torcida, jogadores, técnico, Caetanos e Peters, temos de prestar atenção.