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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Leiteria - E todos os meninos vão desembestar....

O que será que quer o Fluminense neste Brasileiro? 

O que será que me dá ao ter a esperança e a alegria de ver triangulações e passes feitos por jogadores ainda semi-juniores e quase trazerem uma outra vitória importantíssima pras pretensões tricolores no Brasileirão?

O que será que me dá que me traz uma felicidade que é revelia, que antevê mais do que o que o campo mostra?

O que será que será que esses meninos têm ao ignorar inexperiência, fator campo, responsabilidade de substituição de craques consagrados e que lutam, mostram um DNA de time,um DNA de uma história que traz Edinho, Ricardo Gomes, Thiago Silva, Marcelo, Alan, Maicon e  quase vencem o Santos em sua casa?

Claro que devemos considerar o mesmo do outro lado, um Santos tão desfalcado e desfigurado quanto o Fluminense, mas não estamos aqui para a objetividade idiota, estamos aqui para entender o que será que que dá ao ver essa juventude entrar em campo e ser como uma aguardente que não sacia.

E essa arte, essa esperança, esse renascer de uma base que tanto já produziu e agora nos dá o orgulho de termos no banco  promissores valores que podem hoje nos dar um infraestrutura boa para encarar um campeonato longo enquanto Fred, Deco, He-Man, Nem, Sóbis, Valencia e Diguinho estão longe, é como um sentimento que não tem vergonha, nem nunca terá.


Ontem os meninos, esses meninos, foram novamente fortes e mereceram a vitória que não veio, castigados por erros em um empate que ainda é um bom resultado.

Espero o dia que será, que será, onde todos esses meninos vão desembestar de uma forma que não terá vergonha (nunca terá) , não terá governo (nunca terá), não terá juízo.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Leiteria - Sobre a Fodacidade

Pro Gilson Moura Junior

A Fodacidade não existe antes de ser criada. 

Parece óbvio, mas não é.  Não há Fodacidade com humildade ou a ausência de galhardia.

Não há Fodacidade sem o riso fácil, o gargalhar e o zoar.  Maroto sim, oculto nunca!

A Fodacidade é a mãe primeira da antiguidade cascalhada na malemolência. É prima dileta da risada marcante, da troça rebelde, anti bons modos.

A Fodacidade ri do surdo, sacaneia o cego, pede ao cadeirante pra dar uma voltinha, sem no entanto humilhá-lo, sem tornar-se dele como um outro, um opressor. 

A Fodacidade não humilha, provoca.

Todo carioca nasce na Fodacidade até ser pego nas tramas e tranças da repartição, do eixo rodoviário, do consórcio do Fiat Palio, na querência de ser Playboy ou no desejo de ser da Globo, se fazer parte daquele riso RJTV.

Quando o carioca perde a Fodacidade, aquele jeito de saber onde é Maria da Graça e falar com desdém do Leblon, quando o carioca perde isso se torna uma espécie de paulista, mas sem sotaque e imaginação, sem vontade de quebrar tudo e sem nenhum senso de luta de classes, tá ligado?

A Fodacidade é o eixo de Paudurecência (Grelecência pras mulheres) formatador do carioquismo roots, aquele que ruleia no desandar cínico da esperança vã e que mergulha e nada de braçada na fé irracional no impossível.

A Fodacidade é prima-irmã da Cosmicidade e tem um quê de genérica do Flafluzismo.

A Fodacidade é como saber o que é um Fla x Flu por dentro, mas sem o jeito de corpo de nascença.

A Fodacidade é antes de tudo nascer no Rio e usar outras cores. 

Quem sabe o que é um Fla x Flu por dentro já manja de Cosmicidade, mas ai já é outro papo.