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domingo, 8 de julho de 2012

Leiteria - Parece que foi ontem


Por Gilson Moura Henrique Junior

Não haveria um jogo no Domingo, já se sabia.

Não, não haveria um jogo. 

Haviam eles, com os mantos, os nomes do passado, a história desenhando a si mesma em dimensões múltiplas. Muito mais que uma linha, muito mais que um caminho, muito mais que um jogo.

Ali, naquele estádio, se construía um átimo de eternidade incapaz de ser descrito: Era um Fla x Flu.

Em cada camisa um nome que marcava a história, em cada cor uma marca de tempos e lições, de gols, de supremacias, de surpresas.

Cada ente, cada fibra do ser do Futebol, cada deus que investe em si o poder da magia do esporte, cada anjo que calçou as chuteiras imortais, cada linha de pensamento que criou a ideia que ginga pelas rosas dos ventos do tempo se esmerou em versejar aquele que é mais que um jogo, é a fundação da rivalidade.

E a tradição se fez presente com o esquadrão superior sendo dominado pelo inferior, com craques sendo lutadores e combatentes jogando como craques. Comandantes atentos criando estratégias que atingissem o rival com o máximo de força que o baqueassem, dívidas contraídas com a tradição marcando almas e chuteiras de craques consagrados: Era um Fla x Flu.

Como uma marca que é tatuada na pele dos títulos tricolores eis que surge o jogador decisivo. Eis que surge quem deveria aparecer e tirar dos ombros a cobrança por gols contra o rival: Um pela audácia de vestir a malfadada camisa, outro pelo azar de nunca ter ferido aquele que nos é antípoda.

Deco? Bruno? Nem? Não, Fred e Thiago Neves costuraram o gol que os marca na história para sempre, um gol centenário, um gol de redenção, um gol que novamente nos coloca à frente do Flamengo depois de mais de um ano sem vencê-los, um gol que nos anima na dura caminhada rumo ao Tetra, um gol decisivo.

Os destaques do jogo? Pelo Flu Deco, Nem, e Gum e pelo Fla Love, Diego Maurício e Adryan. Táticas? Não as vi. Técnicos? Abel por ter nos olhos a importância do Fla x Flu diante de um Joel prostrado pelo cansaço de suas "malasartianas" falas de "Papai Joel". Abel armou um time, Joel jogou dados.

Não se joga dados em um Fla x Flu, assim como Deus não os joga com o Universo.

E se passaram cem anos, mas parece que foi ontem.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Solucionática: O Galo canta que o céu é o limite


Lucas Morais

O Galo é um time com tradição em pontos corridos, como em 1971, quando tornou-se o primeiro campeão brasileiro, em 1977, quando foi vice-campeão invicto, em 1980 vice-campeão, em 1999, também vice-campeão. No início do Brasileiro de 2012, após a sétima rodada, o time volta a ocupar a primeira colocação, fato que não ocorria desde 2009, quando Roth tirou água de pedra de um elenco limitado e logrou 14 rodadas na liderança.

No Estádio Olímpico, em Porto Alegre, mais de 33 mil gremistas, e pouco mais de cem atleticanos, foram torcer para os seus times, enquanto a torcida tricolor xingava de todas as maneiras possíveis o ex-ídolo, Ronaldinho Gaúcho. Era também o reencontro do Galo com Luxemburgo, de Rafael Marques e Escudero com o ex-clube, a estreia de Marcelo Grohe, novo goleiro gremista, após a saída de Victor, comprado por três milhões de euros pelo Atlético. E era também o reencontro de Jô, ex-atacante do Inter, com as redes, após a jogada mágica do garoto Bernard (foto). A partida tinha também um valor simbólico alto, já que quem vencesse despontaria na luta pela liderança.

Título?

Há quem não veja o Galo como candidato ao título, receando que possa perder a força durante o campeonato, deixando a ponta e, em seguida, fazendo mais uma campanha mediana, talvez dessa vez distinta dos dois últimos anos, em que limitou-se a fugas heroicas contra o rebaixamento para a Série B. Há também quem pense que Cuca seja um treinador fraco, deprimente, e que não possui espírito de campeão: um cavalo paraguaio que poderá, no máximo, almejar a sexta ou sétima colocação. Porém, para o Atlético, em face das campanhas de 2004 para cá, uma campanha mediana marcaria o reinício das boas campanhas alvinegras, isto é, o saldo não seria ruim, exceto pela torcida, sempre ansiosa já pelo título.

Futebol em Belo Horizonte: o retorno do Independência

Para o futebol belorizontino, o ano de 2012 marca o retorno do futebol à capital mineira, com a inauguração do Novo Independência, no bairro Horto, zona leste, próxima ao Centro. Desde as primeiras rodadas até a sétima, os clubes mineiros estiveram na ponta da tabela, à exceção do Cruzeiro, que começou o campeonato com empates. Portanto, 2012 marca um reinício para esses clubes, que no ano passado se limitaram a fugir do rebaixamento, tendo o Cruzeiro escapado na última rodada, diante do arquirrival, por 6 a 1, enquanto o Coelho não sobreviveu diante do São Paulo no Morumbi e foi rebaixado.

No Independência, o formato-caldeirão prevalece e a torcida influencia mais nas quatro linhas do que em estádios como o Engenhão do Rio de Janeiro, onde a torcida fica longe do campo. O jogo ganha em emoção e, se a torcida apoiar, ao invés de cornetar irracionalmente, o time tem tudo para se unir, se superar e brigar.

A briga, a tática, a luta contra CBF, Globo, diretoria, tudo e todos

Pelos resultados recentes, o Galo aponta a tendência de que será um dos times que brigarão até o fim do campeonato pelo título, afinal, a contratação do goleiro Victor é justamente para eliminar uma carência histórica, datada desde a saída de Diego Alves em 2007. Entretanto, Diego não era considerado naquela época um grande goleiro, apesar de se destacar. O último grande goleiro do Atlético foi Taffarel, já que Velloso jogou com mais idade. Victor tende a somar muito com um elenco que já possui qualidade antes de sua chegada.

Há no torcedor atleticano um sentimento diferente em relação ao time. Os jogadores estão mais maduros, o time focado e capaz de resistir pressões psicológicas fortes, como nas vitórias contra o Palmeiras, Corinthians, Grêmio e, inclusive, a Ponte Preta, que perdeu graças a uma cabeçada sortuda do meia-atacante Damián Escudero. Detalhe: o Galo nunca havia ganhado da Macaca no Moisés Lucarelli.

Outro elemento a se destacar é que Cuca tem alterado em diversos momentos o esquema tático, mas com o time mantendo a pegada e o foco sem problemas. O time está bem compacto, veloz, marcando com eficiência e ciente de que pode almejar coisa grande nesse campeonato. Há que melhorar, para variar, as finalizações.

Caso a Alexandre Kalil não atrapalhe Cuca, deixando-o trabalhar em paz como vem sendo feito até aqui, esse time terá plenas condições de chegar, ao menos, na zona de classificação para a Libertadores. Fluminense, Vasco, Inter, Grêmio e São Paulo são, igualmente, candidatos plenos à classificação para a Libertadores e título.

Há sempre que lembrar que o Galo luta, também, contra a arbitragem. Dos jogos que vi, posso afirmar tranquilamente que os árbitros dos jogos contra o Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Grêmio foram para lá de caseiros, enquanto, contra o Náutico, a arbitragem puxou pelo mais fraco: pênalti inexistente em Jô e goleada na sequência. Veremos o quanto esse fator será importante mais adiante, especialmente nas rodadas finais. Afinal, no Brasileiro, duas vitórias são seis pontos.

E os jogadores? Ah, e o Ronaldinho?

Na imprensa nacional há quem prefira se limitar na desqualificação a Ronaldinho Gaúcho pelo seu histórico de baladeiro, assim como Jô, enquanto desdenham do jovem garoto Bernard, de 19 anos, que hoje joga com um ídolo que o inspira e faz seu futebol crescer, tal como ocorreu com ninguém menos que Messi, como pode ser visto neste vídeo de seu primeiro gol profissional pelo Barcelona, aos 17 anos.

Por ora, é muitíssimo cedo para se falar em título, o que é óbvio, mas não para falarmos de Libertadores, apesar de o que um clube deve mirar sempre seja o título. O campeonato é longo, haverá contusões, expulsões, cartões amarelos, vermelhos, e também o retorno de jogadores do departamento médico e contratações pontuais que Cuca sabe tão bem fazer.

No saldo geral, após muitos anos o clube volta a Belo Horizonte sendo visto, percebido e comentado como um dos candidatos a disputar até o fim pelo título, dado que o clube hoje possui elenco, centro de treinamento de alta qualidade, preparador físico, de goleiro e médico da Seleção, um goleiro (Victor), um zagueiro (Réver) e dois atacantes (Bernard e Jô) que podem ser selecionáveis. Um plantel competitivo, de casa nova e reinaugurando sua relação com a sua apaixonada torcida, mas que só nas últimas rodadas saberá o tamanho de suas pernas.

O plantel

Goleiros: Victor, Giovanni, Renan Ribeiro.
Laterais : Marcos Rocha, Júnior Cesar, Carlos Cesar, Triguinho.
Zagueiros: Réver, Rafael Marques, Leonardo Silva, Sidimar, Luiz Eduardo
Volantes: Pierre, Leandro Donizete, Fillipe Soutto, Serginho, Richarlyson.
Meias: Ronaldinho, Bernard, Danilinho, Escudero.
Atacantes: Jô, Guilherme, André, Juninho, Neto Berola, Paulo Henrique.

domingo, 24 de junho de 2012

Leiteria - E o Maestro ergueu o dedo...

Por Gilson Moura Henrique Junior

Eu digo não ao não! É proibido proibir o encanto!

Não um encanto cego e tolo que louva e se ufana de  vitórias como quem esquece o jogo, a lógica e o gol, não! Jamais! Mas sim o encanto apaixonado das três cores com a calma, o avanço controlado, asfixiante e fatal ter vencido com autoridade mais um adversário.

Como não se encantar com a absoluta calma com que a adversidade é encarada e o jogo é tomado das mãos do rival como quem se impõe e diz "Devolve-me o jogo!"?

Como não se encantar com a habilidade e disciplina de um elenco que com falhas e erros, ajustes e esforço se impõe na marcação e numa ofensividade que premia o torcedor com jogadas em velocidade, triangulações, passes perfeitos e uma rotina massacrante para a defesa adversária até que gol saia?

O Fluminense foi assim diante do esforçado, mas frágil, Atlético Goianiense.

Após um gol surpreendente pela velocidade o avanço gradual da equipe de Abel Braga comandou o jogo como quem chupa um chicabon.

Não foi arrogante, jamais! Não foi soberba! Foi imensa.

Já nos aproximamos da liderança e no tempo certo, no momento em que começamos e ter novamente um elenco inteiro. Não perdendo ponto para equipes com menor investimento e enfrentando rivais diretos com força, com coragem e sem perder também pontos.

Se o anúncio na televisão não dá receitas de como vencer um brasileiro, o que se escreve nos portões não dimensiona o crescer de um time talhado para a glória. 

Estamos vendo senhores uma negação à qualquer proibição da alegria!

O Fluminense de Abel Braga e seu maestro começam a tomar conta do Brasileiro, avançando gradualmente, avançando e tomando conta da posição que almeja até o arremate final.

O Maestro ergueu o dedo e além do óbvio há o grito, o sim.

É proibido proibir-se de esperar o Tetra!

Solucionática: Somente seis rodadas para o Galo?



Lucas Morais

Após a vitória por 5 a 1 do Galo sobre o Náutico, o time mostra que ainda tem muito futebol a mostrar para a massa alvinegra, esta que ontem tomou alguns pontos tradicionais das ruas de Belo Horizonte para festejar o bom resultado, coisa que não se via de fato desde a época (2009-2010) em que os atacantes Tardelli e Obina goleavam o Flamengo, ou o Cruzeiro, quando o time levava sequência de vitórias sobre outros rivais e adversários. A última festa da massa foi a carreata do Independência até a sede do clube no bairro Lourdes para bebemorar o título invicto no Campeonato Mineiro, o 41º da história do clube de 100 campeonatos realizados. Mas as cicatrizes da derrota por 6 a 1 para o rival no ano passado ainda permanecem, apesar das promessas de um novo tempo para o Galo.

A alegria do torcedor não vem somente pela vitória de ontem, mas sim pelos resultados positivos obtidos contra o Corinthians e o Palmeiras. Foram duas vitórias suadas, por 1 a 0, dentro e fora de casa, respectivamente, sendo que, no segundo jogo, contra o Palmeiras, contou-se dois gols mal-anulados pelo juiz, que fez arbitragem caseira, assim como ocorreu contra o São Paulo e Corinthians. O empate em casa contra o Bahia, com um gol-surpresa de Fahel, em um rápido contra-ataque, e a derrota no Morumbi, para um decadente São Paulo, em jogo que o Galo teve tudo para vencer (exceto a necessária pontaria na hora de decidir), fizeram pesar sobre as costas do garoto de apenas 19 anos, Bernard, que deve ter tido sua orelha quase derretida de tanta bronca da massa. Entretanto, no jogo contra o Náutico Bernard criou ótima jogada, tabelada com Jô, e chutou perfeitamente ao gol, sem chances para o goleiro.

É uma pena que a arbitragem tenha favorecido o Galo com o pênalti inexistente sobre o Jô que, como todo atacante, foi malandro, mas o time tinha condições de virar, apesar do empate adverso e mereceu indiscutivelmente a vitória. O que entristece é como a CBF tem prejudicado o Galo quando este joga contra adversários do Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto quando joga com clubes nordestinos ou do Centro Oeste, é privilegiado pela arbitragem. E dizem que isso é papo de torcedor... Bem, só se o torcedor for o único a constatar essa realidade que se põe a cada Brasileirão para o Atlético.

O jogo, apesar da facilidade para os três gols que vieram após o desempate, foi bom, com o Náutico, que mescla jogadores jovens e experientes, oferecendo perigo a cada contra-ataque, mas sendo bem anulado pelo sistema defensivo atleticano. É verdade que o Atlético tinha condições de vencer o Bahia e o São Paulo, entretanto, há que se destacar que ambos jogos se deram em meio à transição do meio-campo e do ataque, com a incorporação de Jô e Ronaldinho Gaúcho quase simultaneamente, ambos sempre muito marcados pelos adversários.


Foram cinco pontos perdidos, que poderiam colocar o Galo em primeiro lugar na tabela com folga em relação ao arquirrival Cruzeiro, hoje, com 18 pontos. Mas, são somente seis (boas) rodadas de trinta e oito. Por outro lado, o time mostra ter hoje um sistema defensivo mais competitivo, com excelentes atuações de Réver e Rafael Marques, com boas transições pelas laterais de Júnior César e Marcos Rocha, ambos dando estabilidade às laterais rumo ao ataque e na marcação, enquanto Ronaldinho trabalha como organizador distribuindo as jogadas e as bolas paradas. Danilinho dá velocidade, ajuda Marcos Rocha e o batalhador Leandro Donizete na marcação, que sentiu falta se Pierre nesse sábado pela referência que é. Mas Serginho e Leandro Donizete também são volantes dignos de confiança, apesar de um erro ou outro. O goleiro Giovanni, por enquanto, tem feito boas defesas. Ressalto o “por enquanto” porque a massa ainda não se contenta com um goleiro jovem: quer um medalhão, como um Júlio Cesar por exemplo, para ter estabilidade em jogos decisivos.

Hoje, o Galo tem elenco e, com a volta do atacante Neto Berola e do (possivelmente) meia-atacante Guilherme do departamento médico, o clube terá muita força ofensiva. Fora que há alternativas, como o próprio Juninho, recém-contratado, que estava no Atlético Goianiense, o atacante da base Paulo Henrique, o próprio André, que felizmente perdeu a condição de titular absoluto no ataque, já que ficou acomodado pelo bafafá da imprensa nacional e regional. Jô tem feito um ótimo trabalho como pivô, pois dificilmente perde a bola quando esta vem de um passe certo, pelo alto ou por baixo, e consegue, quando não sofre falta, tabelar com Bernard (1o gol contra o Náutico), Ronaldinho, Danilinho ou até o Marcos Rocha.

A decepção atende hoje pelo nome de Richarlyson, que realizou um fraco primeiro tempo ontem diante do Náutico e foi sacado corretamente por Cuca logo aos 36 minutos para a entrada de Serginho, que fez um grande jogo e até perdeu gol. Richarlyson só foi ser achado por policiais militares, quando dirigia sua Porsche no Centro de Belo Horizonte, sendo pego no bafômetro e levado à delegacia, e então liberado. Richarlyson vem de uma sequência muito ruim no Atlético. É verdade que fez um jogo excepcional diante do América e teve uma ou outra sequência regular, mas o saldo geral é péssimo, em jogos importantes atua como um adversário, já que seus erros e vacilos tem sido constantes.

É certo que o fator Novo Independência, recém-inaugurado no bairro Horto, região Leste (residencial e tradicional) da capital mineira, ao trazer o futebol do Atlético novamente para Belo Horizonte traz também a grandeza do time, criando aquela química que toma conta da cidade quando o clube está brigando por coisas grandes. É verdade também que Ronaldinho Gaúcho está tomando gosto pelo momento vivido no clube, como vários outros jogadores desacreditados: “Maravilhoso, quando mais depois do jogo receber esse tipo de carinho. É tudo que a gente mais quer. Nós últimos dois anos, a torcida do Atlético sofreu bastante e, agora, em todo jogo a gente quer o estádio cheio. A gente quer fazer essa pressão e essa conexão da torcida com os jogadores tem tudo para dar certo. Com a força desse torcedor, vai ser difícil parar a gente”, disse após o jogo.

Nesse campeonato veremos a potencialidade de um time que hoje tem um treinador de ponta, com preparador de goleiros, técnico e médico da seleção brasileira, jogadores competitivos, a volta ao futebol a Belo Horizonte, dinheiro em caixa para contratações pontuais e somente duas derrotas neste ano, além de ter se livrado de alguns jogadores incompatíveis com as necessidades desse elenco. Tropeços virão e são naturais, a questão é se este time terá condições de se superar quando tudo estiver contra o Galo. O acesso à Libertadores é questão de tempo e o título exigirá muito sacrifício de cada um desta equipe. 

Solucionática: Boas perspectivas para os clubes de BH


 por Victor Coelho
 


Como algumas pessoas projetavam, as perspectivas são boas para o trio mineiro da capital no Brasileirão 2012. Neste post falarei dos nossos rivais Cruzeiro e América, já que aqui no blog acompanhamos o Galo (cujos textos podem ser conferidos clicando nas tags “Atlético Mineiro” e “Galo”). Quanto aos times do interior, fica a expectativa de o Tupi fazer uma boa campanha na série C, tentando repetir o sucesso do ano passado quando se sagrou campeão da série D vencendo o Santa Cruz na final. Boa e Ipatinga se esforçarão novamente na série B, a situação do Boa é melhor neste momento, mas são dois times de pouca tradição, um tanto artificiais, embora já contem com alguma pouquíssima torcida em suas cidades, embora o Boa tenha a peculiaridade de ser um time de Ituiutaba que agora sedia seus jogos em Varginha. Bom para aproveitar o bom estádio dessa cidade. 
 

Começo com o time smurf. A contratação de Celso Roth foi motivo de muita gozação por parte de alteticanos e torcedores de outros times e de desespero por parte dos cruzeirenses. Roth é aquele técnico que carrega a má fama, em grande parte injusta, de ser um técnico ruim (para uma perspectiva gaúcha, ver aqui). 
 Em 2009 já havia desconfiança quando o Galo o contratou. No ano anterior havia feito uma grande campanha no Brasileirão com o Grêmio, que contudo foi prejudicada pela arrancada do São Paulo e a própria caída do time, que chegou a ter mais de dez pontos de vantagem. Já era tido também como técnico que monta times “feios”. Verdade, times dirigidos pelo Roth não se caracterizam pela plasticidade e malemolência, mas eu dizia que ia ser bom para o Galo, ia dar uma ajeitada no time, e vimos o que aconteceu: aquele time e elenco limitados se superou e fez grande campanha no Brasileiro. Ok, repetiu no final a queda do Grêmio-2008. Mas sejamos justos, o elenco era limitadíssimo, embora tenha se superado e contasse com o talento de Tardelli, e morreu no final devido ao esgotamento físico do time, fora que não tinha opções para variações táticas. 

Roth chega agora no Cruzeiro com um elenco melhor, já ajeitou a defesa (que inclui a parte defensiva do meio campo) e agora a parte ofensiva se anima, com o talento de Montillo e competência de W. Paulista e A. Ramon. A grande vitória de ontem sobre o ex-líder Vasco, em pleno São Januário, não foi de sorte.



Pelo jeito, já não é nem sombra do time que perdeu os dois jogos para o América na semifinal do Mineiro. Mas aquele time do Mineiro, apesar da deficiência técnica e tática, apresentava um elemento de garra que agora será bem aproveitado no time bem montado do Roth. Melhor ser realista, nesse primeiro ano pós-desmonte do time pelo ex-vitalício presidente Perrella, que continuar naquela viagem de “melhor time do país que tem que jogar com o Real Madrid”, coisa que já ouvi da boca de dois cruzeirenses. O clube foi bem nos últimos anos desde o já quase longe ano de 2003, disputou inclusive final de Libertadores, mas como no Galo até a década de 1990, foi um grande coadjuvante vendo os títulos cairem nas mãos adversárias e compensava suas frustrações pelo fracasso do rival – lembrando que nestes últimos dez anos a ruindade fez o Galo virou freguês não só do Cruzeiro, mas até do Botafogo.



Agora o glorioso Mequinha, que alguns atleticanos – até pela carência de termos em Minas outro time de série A, pois desde a década de 1960 o futebol do estado se polarizou entre João e Maria – vêm chamando de “Coelhão” ou “Mecão”... forma estranha de querer valorizar um clube pela condescendência. O América completa este ano seu centenário, esteve perto de ganhar seu campeonato mineiro da década (o último foi em 2001, um ano depois de ter conquistado a Copa Sul-Minas, o outro em 1993, mas em 2012 ficou de vice mesmo). Centenário que o clube resolveu comemorar com a reedição da camisa vermelha da década de 1930, quando o clube fez bico para a profissionalização, preferia continuar amador, ou seja, de elite.. Com isso o clube foi definhando, a torcida estagnou e hoje é minúscula em comparação com a ótima estrutura do clube. Mas pelo menos demonstram o orgulho de ser Mequinha. Mas pelo menos contam com a condescendência de certos atleticanos que, embora já nascidos nas décadas finais do século XX, sentem “nostalgia” da época do Clássico das Multidões.

 


O caso é que o clube parece estar no caminho certo para tentar voltar a ter a grandeza que tinha nas primeiras décadas do século passado, época longínqua do decacampeonato mineiro. O clube vem se profissionalizando, é brem treinado pelo Givanildo, técnico que trem estrela no clube, manteve a qualidade da base, que é uma das melhores do país, sendo o atual campeão nacional sub-20 e com isso o primeiro representante brasileiro na recém-criada Libertadores da categoria. 



Acredito que dava para o América ter permenecido na série A ano passado se não tivesse acontecido a conjunção do otimismo exagerado do presidente (que antes do início do campeonato achava que com “dois ou três reforços” o time certamente brigaria por vaga Sul-Americana, enquanto o técnico Mauro Fernandes pedia mais reforços) e com a timidez do time que só foi acordar no final, na luta desesperada contra o rebaixamento, tendo vencido aqueles que seriam o campeão e o terceiro colocado (Cortinthians e Fluminense). 

No momento, o time ocupa a terceira posição na série B e, pelo que mostrou no Mineiro – a derrota por 3 x 0 no segundo jogo da final foi mais mérito do Galo pela grande partida –, tem tudo para disputar o título ou ao mesmo voltar para a série A, e pelo planejamento e competência de manter a base do time terá grande chance de permanecer.  



Embora estejamos no início do Brasileirão, as perspectivas são boas para os times da capital mineira, o que já é bom, tendo em vista a perdar de prestígio que o futebol do estado – com grande contriguição atleticana – vinha apresentando nos últimos anos.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Leiteria - Trocando em Miúdos


Por Gilson Moura Junior

Fluminense e Internacional tem uma relação tórrida, especialmente recentemente quando se enfrentam com uma frequência assustadora e de uma forma acalorada, agarrada, quase que num transe erótico, físico, dolorido e pegado.

A nação colorada, marcada pela lógica de que a história começa em 2006, tende a nos classificar como o submundo da inexistência e uma afronta perambulante pela série A, e por vezes ignora a recente freguesia de três anos, fora que o conflito historicamente não é exatamente desequilibrado para os lados do Gigante da Beira-Rio.

Em meio aos entreveros de cada embate, Fluminense e Internacional se enfrentaram ontem  sob a mancha da zona que é a administração da CBF e sob uma chuva e um frio que se pra Gaúcho é frescura, pros Cariocas amantes de Futebol é um convite ao Pay Per View. Frio vá lá, mas Chuva é uma afronta.

O jogo em si começou mui bueno, coma taques lá e cá, uma surpreendente volta de Deco e Nem, que chegaram chegando, e com boa movimentação do digníssimo Fred, que parecia que estava feliz com seus caipisaquês em dia e sua coxa curada. No entanto no decorrer da peleja e da péssima arbitragem o que era bom acabou-se e quem curtiu arregalou-se no sono dos justos até que Lanzini desjustificou qualquer investimento milionário em sue passe mandando uma bola que era gol certo nas mãos da Pequena Sereia ( E goleiro titular do Inter nas horas vagas) Muriel.

O Fluminense e sua cosmicidade ontem não apareceram em campo, levados pela lentidão do retorno de seus baluartes e uma pequena falta de ritmo, pelo Frio e pela boa atuação defensiva do colorado, mas no entanto não nos envergonhou a esquadra com uma atuação desmeritosa, jogou até bem, até ser envolvida pela preguiça da chuva friorenta.

A sensação de que perdemos três pontos garantidos se dá pela quantidade de gols perdidos e pelas boas chances criadas, sendo que fomos superiores neste quesito em toda a peleja, mas no entanto não é bom esquecer que enfrentamos um grande time, mesmo desfalcado.

Agora é conquistar os pontos que faltam diante da Lusa  em casa, que diante do quadro em que se encontra nos enche de responsabilidade da vitória, e nos prepararmos completos para mordiscar mais três pontos diante do Atlético-Goianiense em Goiás.

Com o Brasileiro no início é bom já começar a trilhar o caminho das vitórias antes que os adversários continuem a se distanciar, especialmente o Vasco, mas devemos também considerar que as três primeiras rodadas nos tiveram com times mistos e muito desfalcados.

O Flu oficial estreou ontem, estrou bem, poderia ser melhor, e agora é partir com seriedade pra conquistar este campeonato e retornar À Libertadores. 

É nosso desejo e dever, é nossa carteira de identidade, pra não ficar a impressão de que fomos tarde.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Leiteria - E todos os meninos vão desembestar....

O que será que quer o Fluminense neste Brasileiro? 

O que será que me dá ao ter a esperança e a alegria de ver triangulações e passes feitos por jogadores ainda semi-juniores e quase trazerem uma outra vitória importantíssima pras pretensões tricolores no Brasileirão?

O que será que me dá que me traz uma felicidade que é revelia, que antevê mais do que o que o campo mostra?

O que será que será que esses meninos têm ao ignorar inexperiência, fator campo, responsabilidade de substituição de craques consagrados e que lutam, mostram um DNA de time,um DNA de uma história que traz Edinho, Ricardo Gomes, Thiago Silva, Marcelo, Alan, Maicon e  quase vencem o Santos em sua casa?

Claro que devemos considerar o mesmo do outro lado, um Santos tão desfalcado e desfigurado quanto o Fluminense, mas não estamos aqui para a objetividade idiota, estamos aqui para entender o que será que que dá ao ver essa juventude entrar em campo e ser como uma aguardente que não sacia.

E essa arte, essa esperança, esse renascer de uma base que tanto já produziu e agora nos dá o orgulho de termos no banco  promissores valores que podem hoje nos dar um infraestrutura boa para encarar um campeonato longo enquanto Fred, Deco, He-Man, Nem, Sóbis, Valencia e Diguinho estão longe, é como um sentimento que não tem vergonha, nem nunca terá.


Ontem os meninos, esses meninos, foram novamente fortes e mereceram a vitória que não veio, castigados por erros em um empate que ainda é um bom resultado.

Espero o dia que será, que será, onde todos esses meninos vão desembestar de uma forma que não terá vergonha (nunca terá) , não terá governo (nunca terá), não terá juízo.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Leiteria - Sobre a Fodacidade

Pro Gilson Moura Junior

A Fodacidade não existe antes de ser criada. 

Parece óbvio, mas não é.  Não há Fodacidade com humildade ou a ausência de galhardia.

Não há Fodacidade sem o riso fácil, o gargalhar e o zoar.  Maroto sim, oculto nunca!

A Fodacidade é a mãe primeira da antiguidade cascalhada na malemolência. É prima dileta da risada marcante, da troça rebelde, anti bons modos.

A Fodacidade ri do surdo, sacaneia o cego, pede ao cadeirante pra dar uma voltinha, sem no entanto humilhá-lo, sem tornar-se dele como um outro, um opressor. 

A Fodacidade não humilha, provoca.

Todo carioca nasce na Fodacidade até ser pego nas tramas e tranças da repartição, do eixo rodoviário, do consórcio do Fiat Palio, na querência de ser Playboy ou no desejo de ser da Globo, se fazer parte daquele riso RJTV.

Quando o carioca perde a Fodacidade, aquele jeito de saber onde é Maria da Graça e falar com desdém do Leblon, quando o carioca perde isso se torna uma espécie de paulista, mas sem sotaque e imaginação, sem vontade de quebrar tudo e sem nenhum senso de luta de classes, tá ligado?

A Fodacidade é o eixo de Paudurecência (Grelecência pras mulheres) formatador do carioquismo roots, aquele que ruleia no desandar cínico da esperança vã e que mergulha e nada de braçada na fé irracional no impossível.

A Fodacidade é prima-irmã da Cosmicidade e tem um quê de genérica do Flafluzismo.

A Fodacidade é como saber o que é um Fla x Flu por dentro, mas sem o jeito de corpo de nascença.

A Fodacidade é antes de tudo nascer no Rio e usar outras cores. 

Quem sabe o que é um Fla x Flu por dentro já manja de Cosmicidade, mas ai já é outro papo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Moeda em pé - São Paulo 1 x 0 Bahia, estupenda contenda



Por Fernando Amaral, vulgo Quodores


As vezes - quase sempre, na verdade - o jogo no campo é a parte mais cacete do futebol. Mais chata, para resumir a parlenda. E esta frase não é minha, é do querido Demétrius Cruz, amigo doutro blogue que escrevo sobre futebol e comparsa na vida.

Digo isso porque o futebol é aquele trem bem mais complexo, que nem tese de doutorado, pós doutorado e o escambau a quatro pode definir. Sim, há idiotas de todas as matizes querendo o óbvio, que é reduzir a brincadeira ao que rola no campo, com simples frivolidade, como algo importante dentre as cousas desimportantes. Se ofendi, perdão. Aos idiotas, o meu perdão.
O ludopédio, a brincadeira, o futebol é a tampa da mesa de ferro do boteco da esquina. Ou do boteco na faculdade, no boteco da beira da praia, no boteco de qualquer confim do mundo. É o campo de botão, seja o Estrelão, a mesona oficial toda garbosa ou o chão. É a figurinha do bafo. É o craque, o perna de pau, a dor da derrota, o gozo da vitória, a torcida, o rádio, a pelota, a vizinha toda nua tomando banho de sol na varanda. Ou o vizinho, dependendo sempre do que cabe a cada um neste latifúndio de vontades e desejos – o único latufúndio produtivo, aliás.

O futebol é tirar onda, sarro, zoar, pentelhar o cara que torce pelo outro time. É torcer contra time brasileiro só porque não quer ter aquele infeliz lá do trabalho a lhe aporrinhar o saco. É mistério. É torcer escondido pelo gol do craque. É dizer a maior besteira do mundo sem culpa sobre quem foi, é e será melhor em campo, na história, na pelada da rua. É rabiscar nos intervalos de aula, durante o almoço, antes de dormir, esquemas táticos e escalar equipes maravilhosas. É chamar o treinador de renomado imbecil mesmo sabendo que nunca gostaria de estar no lugar do cara. É comprar ingresso para apupar jogador e depois pedir autógrafo para este mesmo infeliz. É a terra da hipocrisia permitida, porque brincadeira.

Mas brincadeira séria, se é que existe brincadeira que não é séria. Não venham dizer de arena multiuso, ar condicionado, cadeira com pantufa ou qualquer dessas imundícies. Já proibiram a cerveja, a bandeira – bom, aqui em SP, a terra onde não há amor, bandeira é proibida - e o sanduba de mortadela. Até o pernil na porta do estádio andam regulando, tratando de proibir o que a vigilância sanitária poderia regular. Imbecis, completos.

Escrevo estas linhas, que para muitos podem ser míopes de coração, para iniciar os trabalhos aqui neste blogue de futebol. Futebol como o trem, não como aquele joguinho de onze contra onze numa arena repleta de perfume de alfazema com narração do Galvão Bueno. Escrevo para afirmar que não há nada mais divertido, nada mais terrível, doído, alegre, nauseabundo, entorpecente do que o trem. Nem beijo na boca de quem se quer muito e se tinha dúvida da reciprocidade. Quem já fez gol no último minuto de uma peleja sabe do gozo. E quem já perdeu nos acréscimos sabe, mas sabe mesmo, sabe em todas as letras, hipóteses e hipotenusas o que é a morte, em pessoa.

Nos periódicos sobre o meu time ontem, e time todos sabemos essencial ao trem, porque sem time se pode até conhecer mas nunca experimentar o bagulho, as notas são fidedignas ao que foi o espetáculo: um jogo fraquinho, muidinho, bobinho, mas com os dois times com alguma raça e Luís Fabiano no lugar que um centroavante deve estar. 

Porém, sempre há um porém, as notas também dizem do público ridículo, de dez mil testemunhas numa tarde de sol na cidadela piratininga. Ah... fundamentais notórios especialistas caga regras e outros que tais... da milonga vocês não entendem nada. Entre as testemunhas, estávamos lá este escriba e a prole. E a paixão está nascendo aí, nesses detalhes, nessas linhas, nessa bobagem. O jogo? Foi ruinzinho. Mas o “Pai, tiraram o Piris, finalmente. Entrou o Rodrigo Caio”, com ênfase no “finalmente”, foi do balacobaco. 


E, por fim, Fernandinho, meu querido, correr faz bem para a saúde, sem dúvida. Mas futebol, futebol é outra cousa. 



28 de maio de 2012. Segunda rodada do Brasileirão de 12.