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domingo, 8 de julho de 2012

Leiteria - Parece que foi ontem


Por Gilson Moura Henrique Junior

Não haveria um jogo no Domingo, já se sabia.

Não, não haveria um jogo. 

Haviam eles, com os mantos, os nomes do passado, a história desenhando a si mesma em dimensões múltiplas. Muito mais que uma linha, muito mais que um caminho, muito mais que um jogo.

Ali, naquele estádio, se construía um átimo de eternidade incapaz de ser descrito: Era um Fla x Flu.

Em cada camisa um nome que marcava a história, em cada cor uma marca de tempos e lições, de gols, de supremacias, de surpresas.

Cada ente, cada fibra do ser do Futebol, cada deus que investe em si o poder da magia do esporte, cada anjo que calçou as chuteiras imortais, cada linha de pensamento que criou a ideia que ginga pelas rosas dos ventos do tempo se esmerou em versejar aquele que é mais que um jogo, é a fundação da rivalidade.

E a tradição se fez presente com o esquadrão superior sendo dominado pelo inferior, com craques sendo lutadores e combatentes jogando como craques. Comandantes atentos criando estratégias que atingissem o rival com o máximo de força que o baqueassem, dívidas contraídas com a tradição marcando almas e chuteiras de craques consagrados: Era um Fla x Flu.

Como uma marca que é tatuada na pele dos títulos tricolores eis que surge o jogador decisivo. Eis que surge quem deveria aparecer e tirar dos ombros a cobrança por gols contra o rival: Um pela audácia de vestir a malfadada camisa, outro pelo azar de nunca ter ferido aquele que nos é antípoda.

Deco? Bruno? Nem? Não, Fred e Thiago Neves costuraram o gol que os marca na história para sempre, um gol centenário, um gol de redenção, um gol que novamente nos coloca à frente do Flamengo depois de mais de um ano sem vencê-los, um gol que nos anima na dura caminhada rumo ao Tetra, um gol decisivo.

Os destaques do jogo? Pelo Flu Deco, Nem, e Gum e pelo Fla Love, Diego Maurício e Adryan. Táticas? Não as vi. Técnicos? Abel por ter nos olhos a importância do Fla x Flu diante de um Joel prostrado pelo cansaço de suas "malasartianas" falas de "Papai Joel". Abel armou um time, Joel jogou dados.

Não se joga dados em um Fla x Flu, assim como Deus não os joga com o Universo.

E se passaram cem anos, mas parece que foi ontem.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Leiteria - A paz, a esperança e o vigor unido e forte pelo esporte


Por Gilson Moura Henrique Junior



Ontem eu vi a História. 

Sim, queridos, a História ali, materializada, desenhada com sangue, suor, lágrimas e o inexorável tempo que a tudo transforma.

Vi a  História desenhada em troféus, nomes, pessoas, heróis jovens e velhos que vivos ( presentes ) e mortos (divinizados) concretizaram uma viajem pelo tempo até meus nove, dez anos de idade e renovaram a fé em um futuro onde seremos novamente a História.

A inauguração da nova sala de troféus do Fluminense não foi simplesmente a constatação de uma trajetória de glórias feita por aquele que fundou o futebol no Rio de Janeiro e traz em seu nome a prova, foia  percepção de como atos simples podem construir uma base pra futuras transformações.

Não, não tenho na administração atual a administração perfeita, sei que há defeitos, mas é inegável que um ato de profundo respeito por nossa história e pelo semear de profissionalismo novamente no tricolor, diante de sequencias de administrações perdulárias, incompetentes e que chegaram a destruir um de nossos mais preciosos troféus é um sopro de esperança de que o Flu tome novamente seu lugar de liderança do esporte nacional.

A sala ficou linda, o conceito de museu é uma perfeita homenagem a nossos ídolos tanto de campo (poucos jogadores foram esquecidos de nosso enorme panteão) como de fora dele como Chico Buarque e Nelson Rodrigues (Com destaque que lhe é merecido).

Em uma semana que se inicia com três preciosos pontos conquistados diante do Náutico em Recife pela eficiência de nosso time em uma jornada técnica nada brilhante e às vésperas de um Fla x Flu que completa cem anos no dia 07/07/2012, a inauguração de nosso novo espaço de exibição de nossas conquistas é grata e simbólica efeméride.

O texto é ufanista e emocionado por ter sido escrito por quem voltou no tempo ao abraçar Romerito, herói de infância e se emocionou pelo fato de estar naquele templo.

Sobre o Fla x Flu falaremos posteriormente, no sábado.

domingo, 24 de junho de 2012

Leiteria - E o Maestro ergueu o dedo...

Por Gilson Moura Henrique Junior

Eu digo não ao não! É proibido proibir o encanto!

Não um encanto cego e tolo que louva e se ufana de  vitórias como quem esquece o jogo, a lógica e o gol, não! Jamais! Mas sim o encanto apaixonado das três cores com a calma, o avanço controlado, asfixiante e fatal ter vencido com autoridade mais um adversário.

Como não se encantar com a absoluta calma com que a adversidade é encarada e o jogo é tomado das mãos do rival como quem se impõe e diz "Devolve-me o jogo!"?

Como não se encantar com a habilidade e disciplina de um elenco que com falhas e erros, ajustes e esforço se impõe na marcação e numa ofensividade que premia o torcedor com jogadas em velocidade, triangulações, passes perfeitos e uma rotina massacrante para a defesa adversária até que gol saia?

O Fluminense foi assim diante do esforçado, mas frágil, Atlético Goianiense.

Após um gol surpreendente pela velocidade o avanço gradual da equipe de Abel Braga comandou o jogo como quem chupa um chicabon.

Não foi arrogante, jamais! Não foi soberba! Foi imensa.

Já nos aproximamos da liderança e no tempo certo, no momento em que começamos e ter novamente um elenco inteiro. Não perdendo ponto para equipes com menor investimento e enfrentando rivais diretos com força, com coragem e sem perder também pontos.

Se o anúncio na televisão não dá receitas de como vencer um brasileiro, o que se escreve nos portões não dimensiona o crescer de um time talhado para a glória. 

Estamos vendo senhores uma negação à qualquer proibição da alegria!

O Fluminense de Abel Braga e seu maestro começam a tomar conta do Brasileiro, avançando gradualmente, avançando e tomando conta da posição que almeja até o arremate final.

O Maestro ergueu o dedo e além do óbvio há o grito, o sim.

É proibido proibir-se de esperar o Tetra!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Leiteria - Uma explosão atlântica

Por Gilson Moura Henrique Junior

Existem momentos em que o futebol garante dias, sorrisos, medos e ódios.

Há no germe do ludopédio a máxima da insanidade e da criação de clássicos da tragicomédia humana, como se a mistura de tudo o que foi escrito na literária vida humana, na história dos tempos se resumisse e jactasse da dramaticidade cômica em um resumo mutante chamado Futebol.

Há no futebol uma condensação de loucuras, amore,s ódios e horrores, que destrutivos ou genialmente criativos movem a roda do destino e remitologizam o viver.

Saem Hércules, Teseu e Perseu, entram Garrincha, Pelé, Messi, Cristiano Ronaldo, Deco, Luis Fabiano, Danilo, Juninho Pernambucano.

É no futebol que heroísmos sangram por sofrerem um carrinho maldoso ou belezas são construídas com corpos no ar em uma bicicleta, chutes cruzados mortais, ou aquele gol que faz das multidões explosões atlânticas, enchentes amazônicas na roda viva do poeta, no coração dos poetas cantores deste Brasil Varonil.

É no Futebol que a jornada do Herói se concretiza em jornadas épicas como a  do Fluminense em 2009, em solidas campanhas como a do Corinthians na libertadores deste ano, onde a queda de um gigante como o São Paulo, tri Brasileiro em 2007/08/09 e hoje um time sem alma.

É no Futebol que jovens como Wellington Nem tornam-se esperança, veteranos como Juninho Pernambucano e Deco são marcos fundadores de esperança de torcidas que se espalham apaixonadas por um país que ama com todos os seus sotaques, antes de tudo, o viver as cores de cada tradição chamada clube.

Ontem mais uma torcida se alegrou com uma vitória que a eleva, pela primeira vez, a finalista de uma Libertadores. Mais uma torcida chega perto do píncaro máximo, de fixar sua bandeira no ponto mais alto dos Andes e encheu a cidade de São Paulo de uma mistura de alegria e ódio que faz do Futebol a marca de uma megalópole.

E é o Futebol que gera essa corrente de emoções que nos faz humanos, que nos faz guerreiros, mosqueteiros, galos, santos.

E é nessa explosão atlântica que deita nossa fé e nosso orgulho, nossa forma de ser humanos, tricolores, alvinegros.

Que bom!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Leiteria - Trocando em Miúdos


Por Gilson Moura Junior

Fluminense e Internacional tem uma relação tórrida, especialmente recentemente quando se enfrentam com uma frequência assustadora e de uma forma acalorada, agarrada, quase que num transe erótico, físico, dolorido e pegado.

A nação colorada, marcada pela lógica de que a história começa em 2006, tende a nos classificar como o submundo da inexistência e uma afronta perambulante pela série A, e por vezes ignora a recente freguesia de três anos, fora que o conflito historicamente não é exatamente desequilibrado para os lados do Gigante da Beira-Rio.

Em meio aos entreveros de cada embate, Fluminense e Internacional se enfrentaram ontem  sob a mancha da zona que é a administração da CBF e sob uma chuva e um frio que se pra Gaúcho é frescura, pros Cariocas amantes de Futebol é um convite ao Pay Per View. Frio vá lá, mas Chuva é uma afronta.

O jogo em si começou mui bueno, coma taques lá e cá, uma surpreendente volta de Deco e Nem, que chegaram chegando, e com boa movimentação do digníssimo Fred, que parecia que estava feliz com seus caipisaquês em dia e sua coxa curada. No entanto no decorrer da peleja e da péssima arbitragem o que era bom acabou-se e quem curtiu arregalou-se no sono dos justos até que Lanzini desjustificou qualquer investimento milionário em sue passe mandando uma bola que era gol certo nas mãos da Pequena Sereia ( E goleiro titular do Inter nas horas vagas) Muriel.

O Fluminense e sua cosmicidade ontem não apareceram em campo, levados pela lentidão do retorno de seus baluartes e uma pequena falta de ritmo, pelo Frio e pela boa atuação defensiva do colorado, mas no entanto não nos envergonhou a esquadra com uma atuação desmeritosa, jogou até bem, até ser envolvida pela preguiça da chuva friorenta.

A sensação de que perdemos três pontos garantidos se dá pela quantidade de gols perdidos e pelas boas chances criadas, sendo que fomos superiores neste quesito em toda a peleja, mas no entanto não é bom esquecer que enfrentamos um grande time, mesmo desfalcado.

Agora é conquistar os pontos que faltam diante da Lusa  em casa, que diante do quadro em que se encontra nos enche de responsabilidade da vitória, e nos prepararmos completos para mordiscar mais três pontos diante do Atlético-Goianiense em Goiás.

Com o Brasileiro no início é bom já começar a trilhar o caminho das vitórias antes que os adversários continuem a se distanciar, especialmente o Vasco, mas devemos também considerar que as três primeiras rodadas nos tiveram com times mistos e muito desfalcados.

O Flu oficial estreou ontem, estrou bem, poderia ser melhor, e agora é partir com seriedade pra conquistar este campeonato e retornar À Libertadores. 

É nosso desejo e dever, é nossa carteira de identidade, pra não ficar a impressão de que fomos tarde.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Leiteria - E todos os meninos vão desembestar....

O que será que quer o Fluminense neste Brasileiro? 

O que será que me dá ao ter a esperança e a alegria de ver triangulações e passes feitos por jogadores ainda semi-juniores e quase trazerem uma outra vitória importantíssima pras pretensões tricolores no Brasileirão?

O que será que me dá que me traz uma felicidade que é revelia, que antevê mais do que o que o campo mostra?

O que será que será que esses meninos têm ao ignorar inexperiência, fator campo, responsabilidade de substituição de craques consagrados e que lutam, mostram um DNA de time,um DNA de uma história que traz Edinho, Ricardo Gomes, Thiago Silva, Marcelo, Alan, Maicon e  quase vencem o Santos em sua casa?

Claro que devemos considerar o mesmo do outro lado, um Santos tão desfalcado e desfigurado quanto o Fluminense, mas não estamos aqui para a objetividade idiota, estamos aqui para entender o que será que que dá ao ver essa juventude entrar em campo e ser como uma aguardente que não sacia.

E essa arte, essa esperança, esse renascer de uma base que tanto já produziu e agora nos dá o orgulho de termos no banco  promissores valores que podem hoje nos dar um infraestrutura boa para encarar um campeonato longo enquanto Fred, Deco, He-Man, Nem, Sóbis, Valencia e Diguinho estão longe, é como um sentimento que não tem vergonha, nem nunca terá.


Ontem os meninos, esses meninos, foram novamente fortes e mereceram a vitória que não veio, castigados por erros em um empate que ainda é um bom resultado.

Espero o dia que será, que será, onde todos esses meninos vão desembestar de uma forma que não terá vergonha (nunca terá) , não terá governo (nunca terá), não terá juízo.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Leiteria - Sobre a Fodacidade

Pro Gilson Moura Junior

A Fodacidade não existe antes de ser criada. 

Parece óbvio, mas não é.  Não há Fodacidade com humildade ou a ausência de galhardia.

Não há Fodacidade sem o riso fácil, o gargalhar e o zoar.  Maroto sim, oculto nunca!

A Fodacidade é a mãe primeira da antiguidade cascalhada na malemolência. É prima dileta da risada marcante, da troça rebelde, anti bons modos.

A Fodacidade ri do surdo, sacaneia o cego, pede ao cadeirante pra dar uma voltinha, sem no entanto humilhá-lo, sem tornar-se dele como um outro, um opressor. 

A Fodacidade não humilha, provoca.

Todo carioca nasce na Fodacidade até ser pego nas tramas e tranças da repartição, do eixo rodoviário, do consórcio do Fiat Palio, na querência de ser Playboy ou no desejo de ser da Globo, se fazer parte daquele riso RJTV.

Quando o carioca perde a Fodacidade, aquele jeito de saber onde é Maria da Graça e falar com desdém do Leblon, quando o carioca perde isso se torna uma espécie de paulista, mas sem sotaque e imaginação, sem vontade de quebrar tudo e sem nenhum senso de luta de classes, tá ligado?

A Fodacidade é o eixo de Paudurecência (Grelecência pras mulheres) formatador do carioquismo roots, aquele que ruleia no desandar cínico da esperança vã e que mergulha e nada de braçada na fé irracional no impossível.

A Fodacidade é prima-irmã da Cosmicidade e tem um quê de genérica do Flafluzismo.

A Fodacidade é como saber o que é um Fla x Flu por dentro, mas sem o jeito de corpo de nascença.

A Fodacidade é antes de tudo nascer no Rio e usar outras cores. 

Quem sabe o que é um Fla x Flu por dentro já manja de Cosmicidade, mas ai já é outro papo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Leiteria - Qual o problema?


Por Gilson Moura Junior

Gosto de futebol como quem sangra. Sim, como quem sangra, qual o problema?

Não entendes? Não serias capaz de entender se aquele gol te doesse, não serias capaz de entender se aquele gol fosse teu orgasmo, tua alma saindo pela boca, lágrimas nos olhos e algo mais intenso que sua ausência de fé jamais entenderia, fortalecendo-se em ti como uma chama, como um mundo.

Ópio do povo? Que seja! Se for ópio que me enlouqueça, que me formalize como adicto, que me devore!

Quando nasci me fiz tricolor. Quando cresci e lutei contra reis, bárbaros, gorilas, soldados, pastores, ela estava tatuada na minha alma, aquela bandeira e as mesmas três cores que traduzem tradição.

As mesmas três cores que me ajudam a falar com porteiros, empregadas domésticas, balconistas, motoristas de ônibus, lavradores, putas, cães vadios, sarjetas e garçons. Marx? Não, Marx me ajuda a ver o mundo, a eles não, quem me ajuda a vê-los é Nelson Rodrigues. 

Aqueles rostos transtornados pela perda do Gol de Diego souza, que pulavam com o gol de Marcos Junior ou de Carleto, que odeiam Ronaldinho Gaúcho, que são esperançosos com a alma de Loco Abreu por sobre a estrela solitária, quem entendeu foi Nelson e não Marx.

É certo que precisamos mudar o mundo, é certo! E pra isso precisamos de Marx, mas se esquecermos de Nelson veremos em nome de quem o mudaremos?

Gosto de Futebol como quem goza. Qual o problema?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Leiteria - Orgulho de ser tricolor

Por Gilson Moura Junior

Ontem nossa vitória foi inenarrável, mágica, mística, imensa. 

Ontem vencemos de uma forma que o poucos verão ou veem normalmente, vencemos com força, com raça, com coragem, com alma. Vencemos como quem antes de mais nada sabe o significado das três cores que traduzem tradição.

Vencemos como mais que ufanistas, que amantes acríticos, que idiotas felizes em participar de turbas anencéfalas e cuja maior lembrança do time é de fazer parte da "maior torcida do mundu".

Vencemos ontem, vencemos sim, vencemos porque para além do placar ganhamos a nós mesmos, nós, o time, o olho, o Abel.

A classificação? foi do imenso Boca, imenso, respeitado, gigante, tão gigante que não precisava do jorro coletivo de babação que recebeu após achar um gol ao fim. A vitória? Foi nossa. Não, não vencemos nem o jogo jogado, apesar de imensamente melhores que o adversário gigantesco, fomos melhores e perdemos, como antes ocorreu o inverso tantas vezes. Fomos melhores e caímos diante de um gigante, um gigante que nos acostumamos a enfrentar de igual pra igual, sem tremor nos olhos ou na alma. 

Vencemos não no jogo, não no placar ou na competição, mas no orgulho de sermos parte desta três cores, três cores que traduzem mais que tradição, mas honra, coragem, entrega.

Vencemos, Senhores e Senhoras! Vencemos e temos de estar orgulhosos dessa vitória.

Domingo tem jogo, mais uma taça pra disputar e trazer pra casa.

Não é hora de luto! É hora de orgulho, honra e amor!

É por isso que eu canto, que visto esse manto, orgulho de ser tricolor.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Leiteria - Nine out Ten

"Walking down portobello road to the sound of reggae...

I'm alive..." *

É uma sensação, um grito, algo dito como que pela pele. Não sei, algo me diz que o Fluminense vencerá. Estamos sem o 9 e o 10. Estamos sem o 5, sem o 8. Estamos com os não vistos, os sumidos, os desacordados, aqueles que saem do porão, como Mickey em 1970, como Tartá em 2010, como Adriano Magrão em 2007.

É uma sensação, um espirro de presunção cassândrica.

Parece que teremos diante de nós um Golias, e hoje somos um David, um David ferido, não por ser fustigado pela mídia, pelos rivais, pelo desprezo por nosso modo de jogar, por nossa cara de alvo pintada na ponta de um canhão calibrado, mas por termos partes nossas, partes fundamentais, na convalescênça que a violência adversária acabaria nos colocando.

Parece que nove entre dez analistas, nove entre dez rivais, nove entre dez argentinos, nove entre dez torcedores nos vê como derrotados, como que no fim de nossa estrada.

E isso me lembra 2007 e isso me lembra Petkovic dizendo que se o Fluminense não vencesse em 2010 jamais venceria, me lembra 2008 quando nove entre dez habitantes do planeta bola nos dizia que jamais o Fluminense venceria um campeão da Libertadores.

Isso me lembra que estamos em Buenos Aires com Wagner e He-Man, como já tivemos Adriano Magrão, Tartá e Mickey, como já fomos patinhos feios, como quem não quer nada.

Hoje o Boca é Favorito e isso é bom.



* Trecho inicial da Canção "Nine Out Ten" De Caetano Veloso, gravada no disco Transa...

terça-feira, 15 de maio de 2012

Leiteria - Estadual não se comemora, se coleciona

Por Gilson Moura Henrique Júnior

Parece arrogância e talvez até seja. Ainda mais diante do fato de que ganhamos dois apenas, na última década, um apenas na anterior e esse é nosso primeiro na década atual.

De nossos inescapáveis 31 títulos estaduais, 27 foram ganhos entre 1902 e 1985, de lá pra cá pouco tivemos sucesso na conquista deste torneio que perde em importância mais ou menos no decorrer deste mesmo período.  

Pode ser mera coincidência, pode ser, mas é interessante notar que enquanto ganhávamos estaduais à vera, a rodo, a Dupla Flamengo e Vasco ganhava Brasileiros e Libertadores e cresciam em tamanho de torcida e impacto em renda, ganho de patrocínio e dinheiro de TV.

Depois da descida ao inferno e da subida na base do orfeísmo carpado, demoramos três anos para a primeira decisão de estadual e primeiro titulo, quatro para a segunda decisão  (Perdemos para o Fla em 2004), cinco para o segundo título e 13 para o terceiro titulo Estadual em 2012. No entanto chegamos à uma final de Copa do Brasil (2005) , uma final de Libertadores (2008), uma final de copa Sulamericana (2009), conquistamos uma Copa do Brasil (2007) e  um Brasileiro (2010) da fuga do inferno para cá.

Aproveitando nossa mudança de foco para fora do estado o Flamengo conseguiu nos ultrapassar na hegemonia regional, porém ampliamos nosso impacto no âmbito nacional e internacional sendo cogitados sempre como equipes que se não são favoritas não são desprezadas, sempre se classificando no minimo para as oitavas de final de torneios internacionais e sendo favoritos todo ano para o Brasileiro.

Quer dizer que ganhar o estadual é ruim? não, não acho ruim, mas é insuficiente, não coça, não muda o patamar do Flu, que coleciona títulos  locais e tinha sua hegemonia até 2008. O foco da torcida e do clube é sem dúvida o titulo da libertadores e/ou do Brasileiro.

São títulos para nos manter no caminho de um protagonismo nacional, por baixo, e sendo sempre tidos como referência no exterior. Foi o caminho que levou o SPFC a um projeto de décadas que culminou em três libertadores e três mundiais, colocação como favorito a títulos nacionais e internacionais quase sempre, em um ciclo só interrompido nos 3 últimos anos de uma entressafra ocorrida pós tri-campeonato Brasileiro em 2008. Foi o caminho que tirou o Inter de um clube estagnado a um gigante com duas libertadores e uma torcida mala que acha que o mundo começou em 2006.

A conquista estadual nos dá mais a medida de nossos rivais diretos e de que temos time para a disputa do Brasileiro, com ajustes, e reduz a pressão idiota de conselheiros e dirigentes para a conquista do estadual do que nos dá algum tipo de "gás" ou muda o foco para os jogos decisivos da Libertadores.

Conquistar o estadual em cima do Botafogo foi mais uma dica para o rival se reforçar do que um ganho para nossa equipe, que acumula mais uma taça para nossa coleção de estaduais e ainda perde jogador importante para o decisivo jogo da libertadores com SÓ o Boca Juniors. 

Para o jogo de quarta iremos sem Fred, contundido na decisão das oitavas contra o Internacional, e Deco,que sentiu a coxa na decisão com o Botafogo no último Domingo.  Além deles temos a ausência já prevista de Valência, Diguinho e Nem. Ou seja, o osso da Bombonera terá de ser encarado com a galera liderada pro Wagner, Jean, He-Man e Edinho e liderada pela raça do Abel, pelo talento de Thiago Neves, pelo coração da torcida, pela cosmicidade rodrigueana e pela fé em João de Deus.

Não vai ser mole, o Boca é favorito e por isso prevejo o Fluminense classificado para as semifinais após dois jogos cardíacos, doloridos, heróicos. 

Não porque somos superiores, apenas porque somos o Fluminense.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Leiteria - A Jornada do Herói

Por Gilson Moura Junior

É o Fluminense.

Isso ai, o Fluminense, conhece? É.. aquele mesmo.. aquele que quando retorna no reino de Hades escolhe como livro de cabeceira a Jornada do Herói.

É aquele Fluminense, aquele que desnuda a emoção, a  agonia, com requintes Hitchcockianos, como se filmasse "Os Pássaros" enquanto o Imponderável chupa um Chicabon na calçada do Impossível.

O Fluminense, aquele de 2009, aquele de 2010, aquele que em 2011 foi dado como morto e só morreu quando havia virado protagonista. 

O Fluminense zoa a derrota, como um Judeu Errante que tripudia da morte retornando aos píncaros da emoção com requintes de crueldade, como um Ulisses redivivo que é um Ninguém que mata Ciclopes furiosos e autocentrados.

E o Inter, que não é o Botafogo, conheceu novamente o Fluminense na noite de ontem.

O Torcedor do Fluminense quando saiu de casa com o sabor da classificação na ponta da língua, se preparava para uma dolorosa experiencia que lhe é comum e grata, a da superação de montanhas, de inimigos imaginários, moinhos de vento, medos, depressões, falhas e do desdém que nos acompanha desde a descida aos infernos da série C. O Torcedor do Fluminense no entanto não sabia como. 

E neste misterioso caminho entre uma certeza sagrada e a dúvida sobre o roteiro, subiram as rampas do novo templo tomados de inescapável garra. Gritaram, cada um como um pedaço de alma do eterno, cada qual um momento de gigante e absoluta, comovida até, doação àquele, aquelas cores, que não só traduzem tradição, como traduzem a inescapável predestinação à glória.

Com o Fluminense, repito,  o Imponderável chupa Chicabon na calçada do Impossível.

E o Inter, sabedor de que era a noite de sua melhor partida, sabedor que não é o Botafogo, cai diante de um novo conhecimento: somos o Fluminense.

Na segunda decisão entre os clubes em vinte anos o Inter aprendeu que mesmo longe de nossos melhores dias está diante de um gigante, de um Ulisses, e que sem a ajuda do Juiz talvez nem sempre seja simples superá-lo, especialmente com línguas grandes.

 Em uma semana mais uma batalha, mais uma enorme batalha que se torna uma nova tradição, um novo clássico. O Fluminense irá à tão saudosa quanto aconchegante Buenos Aires para enfrentar um Gigante ainda maior que o Internacional, um Gigante que além disso sabe que desprezando Guerreiros se cai e o quanto isso é doloroso.

Teremos diante do Boca Juniors mais um capítulo da espinhosa história que nos levou à final de uma Libertadores, a tradição de nenhuma moleza, de nenhum Bolivar, de nenhum sub-12 do timbuctu, pela frente, mas de gigantes, de monstros, leviatãs futeboleiros.

E como Ulisses chegaremos à Terra deste Ciclope como Ninguém, como mais um que ouvindo "nunca terás o tamanho do Boca Juniors", se cala e avança.

Eles são favoritos.

E isso é bom.





quarta-feira, 9 de maio de 2012

Leiteria - A um jogo do futuro

Por Gilson Moura Junior

O Fluminense está novamente a um jogo do futuro. 

Sim, o Fluminense não vence campeonatos pensando em um longínquo devir, ele vence vencendo finais, jogando finais, finais diárias, cotidianas. E muitas vezes tornando-as árduas para si mesmo e sua torcida, ávida de um jogo magistral, de uma índole Santista jamais vista com durabilidade na gloriosa história tricolor.

Ao Fluminense não cabe um Garrincha, um Pelé, um Nilton Santos. Não que gloriosos jogadores não tenham passado pelas Laranjeiras, e nem é preciso ir longe, basta citar Telê, Didi, Rivelino, Branco, Assis, Ricardo gomes, Conca, Fred e Deco. Mas mesmo com todos eles o Fluminense sempre foi ele mesmo. Ele é seu maior ídolo. Ele é o maior ídolo de sua torcida.

É o Fluminense que inflama arquibancada e jogador e que torna-os um estandarte de vitórias e títulos.  É a bandeira tricolor que transforma Marquinho em peça fundamental, que transforma Denilson em Rei Zulu.

No domingo último o Botafogo , favorito ao clássico, percebeu isso, viu dos pés, da alma tricolor, o massacre, o massacre que levou antes dos gols à perda de cabeça de uma de suas peças, um de seus guerreiros, que, tresloucado pela pressão tricolor, cometeu o crime que permitiu a goleada.

A atuação soberba o foi , antes de mais nada, porque soberbo foi o sentido de coletivo, de Fluminense, de alma ampla, de alma tricolor. O Fluminense foi eco, foi Fred, foi Sóbis, foi Bruno, foi Carlinhos, foi o Thiago Neves que sofreu falta, deu passes e desarmou na lateral direita, foi todos.

Ao Fluminense está aberta a estrada para o titulo carioca, mas ainda assim no rosto, nas línguas dos guerreiros a vitória só será comemorada ao apitar do árbitro do fim do próximo jogo, pois Fluminense é Fluminense e por isso mesmo se cala, sapiente de seu tamanho e do desnecessário repeti-lo como mantra.


Na quinta-feira cabe ao Fluminense o difícil desafio de vencer o bi-campeão da libertadores, o Internacional, que passa por indefinições advindas de suas práticas pouco ortodoxas no âmbito das contratações de jogadores da base, que inclusive nos tirou Dalton e Marinho. Ao Fluminense cabe vencer um grande time, que segundo seu lateral-direito Nei está em vantagem, pois para ele basta vencer-nos por 1 x 0.


Ao Internacional basta nos vencer, enquanto nós necessitamos vencê-los. É uma sutil diferença, uma sutil diferença presente na diferença entre Abel Braga e Dorival Junior, é a sutil diferença entre um que vê a dificuldade e busca superá-la e outro que confia no gabarito e experiencia de seus jogadores, e só deles, para superar um "melhor" Fluminense. Sutil diferença presente na confiança do tricolor, que sabe a guerra, que sabe a dificuldade, que sabe o que é Fluminense, mas persevera na nossa imensa capacidade de superar montanhas.

Ao Flu só resta vencer, dois jogos, duas vitórias que nos darão uma Glória garantida e mais um pedaço da longa estrada para o ápice das Américas. Ao Flu só resta o próximo passo.


Na quinta-feira o favorito é o Internacional, mais tarimbado, bi-campeão, contra um time chamado Fluminense, pequeno para alguns colorados, um time que nunca venceu a Libertadores e só está em vantagem no péssimo estadual, ao vencer um Botafogo desprezado para fora das fronteiras da Guanabara, outrora favorito ao jogo e ao título.

Ao Fluminense só resta a certeza de seu nome, de seu manto, da impossibilidade como fogo que nos arde as ventas e veias.

Ao Fluminense resta um time que cresce, que sabe de si e que monta-se para ser mais que apenas um coadjuvante no delírio de torcedores e mídia que o esquecem.

Ao Fluminense resta saber-se nunca um Santos, mas um Fluminense e por si só um gigante capaz de assustar a quem o vê, ainda, como um anão.




sábado, 5 de maio de 2012

Leiteria - Esperando o Vovô

Por Gilson Moura Junior

Há milênios o carioca não é decidido em campo.

Todos os títulos disputados no Rio de Janeiro, desde o primeiro chute em uma bola valendo pontos, nos idos de 1906, foram decididos nas mãos  das Moiras Gregas ou Nornes Nórdicas.

Todos sem exceção foram mais que apenas um jogo, sempre. todos nasceram e cresceram constituídos da mitologia que se erguia das mãos, pés e peles dos nascidos e vividos sob o sol desta terra.

O campeonato carioca existe para além do tempo, e sempre, sempre, teve e tem em si o suave perfume da eternidade.

Neste domingo nasce mais um capítulo da eternidade ao dar ao Clássico o protagonismo poucas vezes visto nem decisẽos de um campeonato de tal envergadura divinal como o Carioca.

Protagonista de apenas quatro decisões deste mais que centenário campeonato, o Clássico Vovô surge novamente como um momento de afirmação e reafirmação para ambos os disputantes, por vezes ocultados pela grandiloquência populista de emissoras e jornais, torcedores e seguidores do oba oba luso-mulambo.

E neste domingo, um domingo que espera, um domingo que anseia, decidirá não mais um campeonato,mas o campeonato que remete ao primeiro passo do homem no planeta futebol em terras Tupinambás, o campeonato que lembra que se não fossem os irmãos Cox ainda estaríamos remando.

As equipes, bem, elas terão seus heróis, quase todos, inteiros ou quase isso. Teremos o Maestro Deco, o Imponente Uruguaio Loco, o surpreendente Fred, o decisivo Thiago Neves, o seguro Jefferson, o insinuante Maicosuel, todos em campo, prontos para concretizarem a glória em suas mãos.

Fora de campo, deuses e homens, mortos, vivos, entidades, se juntarão a Manés, Nelsons, Lagos, Portos e criarão aquela sensação de atemporalidade que só quem nasce nestas plagas da Mui Leal entende.

É chegada a hora de mais um vovô.

Que bom!