domingo, 8 de abril de 2012

Leiteria - Vai de Madureira

Por Gilson Moura Junior

Zeca Baleiro já dizia que "quem não pode Nova York vai de Madureira", então quem não pode Libertadores vai de estadual e quem não pode Boca Juniors vai de Madureira.

No Estadual do Rubinho o Fluminense jogando em péssimos gramados conquistou mais uma vitória com evidente freio de mão puxado, olhando o relógio e perguntando se não podia ir pra casa mais cedo. 

Não, queridos, o Tricolor não ignorou e desrespeitou o ex-Tricolor Suburbano transformado por algum Jênio do Marketing numa espécie de metáfora da ameba amarela. O Tricolor simplesmente não aguenta mais jogar um sub-campeonato que só agrada às Pat Éticas e Papais Joel que se mantém na aba da malta alegre chamando de freguês o bacalhau porque perdeu um jogo que pouco ou nada vale.

O jogo de ontem serviu para entender que Lanzini é mais que um bom jogador, mas que precisa ser burilado e que há entrega sim dos jogadores, além do fato de que os jogos do estadual tem uma função de contundir jogadores e tirá-los de partidas importantes de torneios importantes, como no caso de Edinho. 

Sóbis e He-Man demonstraram sua utilidade e que em jogos que não sejam na várzea e repletos de uma função eleitoral pra cartolas podem ser decisivos. 

O resto até tentou se motivar, mas parecia trabalhador em véspera de feriado contando os segundos pra ir pro boteco antes de viajar. O jogo nem foi sonolento, foi letárgico.

O Fluminense investiu alto e  respira libertadores, brasileiro e quem sabe mundial e se vê obrigado por forças políticas e de omissão dos co-irmãos e até sua mesmo a disputar um semi-campeonato cuja função é manter o emprego de parasitas na FERJ e talvez o de presidentas e técnicos de Co-Irmãos que esqueceram seu tamanho.

Se o Flu vencer o estadual vai ser bom? Por uma semana talvez, pro ano não.

Em um estadual onde Vasco x Flamengo tem menos de dez mil pagantes chega a ser um escárnio o presidente da FERJ dizer que "O Fluminense reclama de tudo, o estadual é o melhor do país". E parece que os presidentes dos demais clubes, protagonizados pela dupla Vasco e Fla e coadjuvados pela omissão submissa do presidente da quinta-força, acham isso bacana, apenas pagam de oposição ao jogar pra galera pensando nas eleições municipais de Outubro.

Enquanto isso vemos um time que vale milhões rastejar nos pântanos mal cuidados do simpático estádio de Conselheiro Galvão em um jogo de baixo nível técnico que vale muito pouco.

Eu, que gosto de Futebol, fugi pra ver Tubarão III, apesar dos constrangedores efeitos especiais.

Quem não tem Bombonera vai de Madureira, mas o jogo de verdade é dia 11/04 no Engenhão e é nele que nós, torcida, jogadores, técnico, Caetanos e Peters, temos de prestar atenção.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Assistência - Passes pra gol da semana - 06-04


Dicas de leituras, Cinema, Livros que são verdadeiros passes açucarados pro gol de placa da sua mente. Passes pro delirar da geral da inteligencia, informações, dicas, deleites.


Vai, é só fazer!

Libertadores – Agora é rezar


O Flamengo reflete em campo o que vem sendo a administração da senhora Patrícia Amorim. Não é a primeira vez que falo isso aqui na coluna, mas a cada jogo, cada frustração, cada decepção, cada eliminação, aumenta minha certeza e a revolta com essa gente que anda comandando os rumos do meu amor maior.


Onde? No Donas da Bola


O moicano e o torniquete

O jogo decisivo entre Inter e Santos acabou não sendo tão determinante para a classificação do grupo 1 – na verdade, até deu certo ALENTO ao The Strongest, ainda vivo na luta por uma vaga. Mas não há como negar que, de fato, foi um partidaço, não tanto por lampejos e brilhaturas, mas pela tensão permanente, pela rispidez e pela imprevisibilidade do início ao fim, justamente concluído com o empate em um golo.
Onde? No Impedimento


O filme é baseado no livro The Damned Utd, um best seller de David Peace e retrata a breve e turbulenta passagem do célebre treinador inglês Brian Clough (personagem interpretado por Michael Sheen) pelo Leeds United, carregada de brigas de ego e intrigas e desenrola-se em uma narrativa não linear, repleta de flashbacks e de licenças poéticas.
Até chegar ao Leeds, Clough, um ex-artilheiro, havia angariado respeito como técnico do minúsculo Derby County ao conseguir a façanha de levar o time da obscuridade das últimas posições da segunda divisão inglesa até o título da mesma e, alguns anos depois, ao título da divisão de elite em 1972.

Clough acreditava no futebol arte, na essência do esporte e comandou carismaticamente os jogadores, muitos deles reforços medianos e baratos indicados com precisão por seu assistente Peter Taylor, seu grande parceiro de casamata.Durante os anos vitoriosos no Derby County, Clough desenvolveu antipatia pelo jogo truculento do Leeds e pelo técnico deste, Don Revie, pessoa que admirava até sentir-se esnobado no primeiro encontro, e tomá-lo, desde então, como seu rival.

O filme termina com imagens reais de Clough e Taylor voltando ao sucesso após algumas desavenças, trabalhando no Nottingham Forest – pequeno clube da segunda divisão que, com eles, seria campeão inglês (à semelhança do que fizeram no Derby) e também duas vezes na Copa dos Campões da UEFA.Clough, falecido em 2003, é considerado o maior treinador inglês a não ter comandado a seleção de seu país e uma das figuras mais folclóricas do esporte, pois falava o que lhe dava na telha, não resistia a uma briga e adorava um holofote.




Cada torcedor, independente do time, guarda na memória e no coração um ano que fica marcado para a história. Seja por um título importante ou por um esquadrão, esse torcedor sonha acordado ao lembrar do que presenciou. Para a maior torcida do Brasil, esse ano é o de 1981. Sabendo disso, o jornalista dos canais ESPN, Eduardo Monsanto, pesquisou a fundo os 365 dias mais gloriosos do Fla. Desde a guerra que foi a Taça Libertadores, à consagração em terras japonesas ao golear o Liverpool, até então o grande campeão da Europa. Em “1981 – O ano rubro-negro” você saberá de histórias marcantes, engraçadas, curiosas e dramáticas que envolveram Zico, Júnior, Adílio, Nunes e cia. Quem viveu aquele ano se lembrará do quão emocionante ele foi. Para quem não era nascido ou era muito pequeno, conhecerá uma das páginas mais bonitas e gloriosas da história do futebol brasileiro.



Leiteria - Era uma vez Flamengo...

Por Gilson Moura Junior

Não é surpresa pra ninguém que não nutro amores profundos pelas cores rubro-negras em geral e em especial pela vestida pelas hostes Flamengas. Minha relação com o Flamengo , apesar de variada, nunca foi a de amor. 

Já tive rivalidade mais amistosa e saudável e o ódio supremo, avalio que a maior parte de sua torcida é de uma arrogância incomparável, inclusive algo que é fomentado até por parte majoritária da imprensa e que chega até a infectar jogadores que muitas vezes sobem em um salto Luís XV e acham que berrando "Flamengo é Flamengo" abrirão defesas como Moisés abriu o mar vermelho.

Já fui capaz de torcer para o Flamengo em final contra o Vasco de Eurico, por um eco tanto da rivalidade antiga contra o clube da cruz de malta e a mania de sua torcida de culpar todas as gerações pelo racismo de antepassados tricolores quanto da política futeboleira em si, dado o câncer que representava a figura de Eurico Miranda.

Já respeitei mais inclusive sua torcida, até novas gerações criadas a leite de Pera com Globo, que cria torcedores que fingem ignorar passados, tamanhos, histórias e glórias alheias em nome de um "nacionalismo" clubeiro tão imbecil que dá dó.  E deixemos bem claro que isso não é monopólio Flamengo, ouso dizer que o Fenômeno é global, tendo maioria em quase todas as torcidas, mas não se pode ignorar que o tamanho das hostes do império do Mal leva aos píncaros da explosão do saco a relação com os representantes do torcedor pachecão "Flamengo é Flamengo".

Hoje nutro profundo respeito por alguns raros Flamenguistas que dialogam sobre futebol com calma e tranquilidade, e que saem do lugar comum do oba oba do "Flamengo é diferente", como se todos fossem iguais.

Apesar disso tudo me surpreende a redução do Flamengo a um clube que se contenta com campeonatos estaduais e que conquistou um Brasileiro apesar de si mesmo. Me surpreende como um clube do tamanho e da importância do Flamengo tornou-se um clube que só fomenta com galhardia arroubos arrogantes de sua torcida, arroubos que ecoam a década de 1980 enquanto vence estaduais e  deixa sua torcida feliz por ganhar clássicos enquanto despreza torneios de máxima importância alegando que "Flamengo é Flamengo".

Me surpreende que ainda sua torcida seja estimulada por declarações absurdas de seus dirigentes a manter um comportamento que adota o discurso quantitativo de seus adeptos pra desprezar a Libertadores e a história de gigantes sul-americanos como o Olímpia e "discutem" com qualquer argumento racional dizendo que o "Flamengo se quiser ganha libertadores todo ano" quando monstros como SPFC e Santos com suas três conquistas suaram sangue em todas elas para tal, e nem falei de gigantes como Boca Junior, Independiente, Nacional do Uruguai, Peñarol, que tem muito mais títulos que o famoso Rubro-negro da Gávea, que ainda não aprendeu que não joga sozinho nos campeonatos que os rivais não tão batendo palma pra maluco dançar.

É triste como a ala rubro-negra da família Karamazov resolveu regredir, desmodernizar, tornar-se de novo aquele clube que remava com sede na Paysandu e inverte a lógica que ele mesmo subverteu ao tornar-se com Zico um clube mundial e ampliar com garra e raça sua nacionalidade. Enquanto Flu, Vasco e até a famosa quinta-força lacrimosa buscam ir além das fronteiras da cidade maravilhosa e conquistar a América, quiça o mundo, o Flamengo hoje se contenta em pensar no Resende para se classificar pras semi finais da Taça Rio. O que que há minha gente? Que pasa?

Cadê aquele bando de mala mulamba que enchia o saco? Onde está aquilo? É isso mesmo? Virou sesse bloco de sujo movido à arroubos e vendo seus rivais desafiando até emissoras e o poder da grana que ergue e destrói coisas belas e avançando pro infinito e além?

A rivalidade não é feita apenas para loucos se matarem, namorados brigarem ou amigos trocarem ofensas me mesa de bar, ela fomenta a grandeza e o crescimento dos clubes e o Flamengo acreditou na fábula de sua grandeza infinita e que independe do suor diário, até esperando que o mundo tivesse sempre árbitros da FERJ. O Flamengo está abrindo mão de sua grandeza em nome de uma conversa de faroleiro, em nome de uma piada que chama de "ilusão" uma enormidade chamada Libertadores.

O Flamengo conquistou com méritos seu status de maior torcida do país, conquistou com méritos parte da marra que enverga nas quebradas, nas esquinas, no corpo dos exus nus sem turistas dos subúrbios e no corpo das moças douradas expostas das praias da Zona Sul, mas vê-se apequenar nas mãos de administrações que abusam dos factoides enquanto triplicam a divida do clube, brincam de profissionalismo e  conseguem ser a maior marca do país sem patrocínio pelo segundo ano seguido.

Enquanto isso todos os demais clubes do Rio e do país  aos trancos e barrancos, com erros e acertos, buscam se profissionalizar a sério, com gestores específicos pra gestão do futebol, com marketing, com suporte a torcedores em viagens, com agências de viagens próprias, com uma busca por patrocínios ou co-gestões que ampliem o arco de investimentos.

Enquanto no país inteiro e também no Rio os clubes se organizam pra enfrentar-se, o Flamengo e sua Patricia usam o "Flamengo é Flamengo" como mantra ocultador de incompetências e fica pra trás como um asilo de ex-jogadores e trata seus torcedores como idiotas ao ver um técnico que ousou desprezar a Libertadores se comparando a Alex Fergunson.

Não amo o Flamengo, não preciso nem dizer isso, mas o respeito. E amo alguns rubros-negros espalhados pelo mundo e pelo coração e é triste vê-los como estão, jogados ao largo de sua paixão, tornada o amargor do fel porque técnico, dirigentes e jogadores cismam em cantar o Hino como uma fábula, como se fosse "Era uma vez Flamengo...".

terça-feira, 3 de abril de 2012

Leiteria - A pipa do Vovô não sobe mais

Por Gilson Moura Junior

Não vi o Vovô. 

Fui comemorar meu aniversário em um bar com amigos e perdi o Vovô.

Não, não cometi nenhuma infração relacionada ao estatuto do idoso, mas perdi o clássico Vovô, o mais antigo do Rio e se não fosse o Fla x Flu, um dos mais importantes dado o pioneirismo que tira homens do remo e  os colocou prontos para a prática do velho e violento esporte bretão.

Não se pode desprezar o Vovô, claro, mas diante das circunstâncias que tornaram a quase familiar disputa entre Fla e Flu numa metáfora da existência e definição da cosmicidade enquanto futebol, diante da luta de classes e raças que é o Vasco x Fluminense, diante da feroz luta entre populares que é Vasco x Fla, o  Vovô acaba ficando no segundo plano.

Não que o vovô não seja simpático, muito pelo contrário, ele é um velhinho admirável e é um dos clássicos mais pegados da mui leal ciudad de São Sebastião do Rio de Janeiro e seria mais vistoso se o nosso amigo desapegado às cores não fosse um tantinho humilde na titulagem e voluptuoso na participação lacrimosas no cenário futeboleiro nacional onde figura como uma espécie de primo pobre e triste.

Não vi o Vovô também porque o Botafogo cansa um pouco a gente com suas promessas de bons times que viram o inverso no decorrer dos anos e ficam putos com os caras do Treze da Paraíba por tentarem cavadinha diante de seu goleirão tenso pela dificuldade inesperada.

Não vi o vovô porque fora o surto de felicidade rápido diante da conquista da Guanabara e vitória em clássico contra  o Vasco, duas chatices que demoraram pra ocorrer novamente, não consigo pensar em outra coisa que não a Libertadores e cansa um pouco o desinteressante estadual e sua repetição e atrapalhamento que só fica bom nas semifinais e finais de turno e de torneio.

Não vi o Vovô e ouvi dizer que não perdi muita coisa além dos gols feitos por Elkenson e Fred, que aliás parece filme repetido porque ambos ganharam gosto em marcar gols exatamente nestes adversários. Foram belos e parecidos gols, vi no VT.

Não vi o Vovô e pouca gente parece ter se animado a ir ao Estádio.

O Vovô está só,ficando menor, ficando mais chato, ficando menos atraente

A torcida do Botafogo não vê o Vovô, espera ir bem na Copa do Brasil. A torcida do Fluminense só pensa no Boca.

Parece que a pipa do vovô não sobe mais.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Leiteria - O Futebol passou na Janela e só La Carolina não viu


Por Gilson Moura Junior

Bolivar esfregava suas mãos ao ver a equipe da elite Fluminense, herdeira do Império do Brasil adentrar o coliseu de Barinas. Buscava insuflar os fiéis bolivarianos  para que em um átimo de esforço garantissem uma pequena glória, um brilhareco nesta página de vexames escrita pelo clube do Irmão de Chávez.

Já a egrégora da aristocrática equipe das Laranjeiras, com o reforço cósmico Rodrigueano, patinava na sonolência que a longa viagem para a revolucionária pequena Veneza causou. Além disso, a soberba tricolor diante dos mais humildes adversários quase custou caro em alguns poucos pequenos suspiros de magia bolivariana.

O Duro jogo, de se ver, caminhava para a preguiçosa troca de magia entre a força do sonho continental da grande Colômbia e a cósmica força imperial com toques de "A Vida como Ela é" até que Abel, o mito, disse: "Vai Sóbis, vai ser Gauche na vida!".

E foi.

Um chute, um balaço, uma pintura. Dizem que desviou no zagueiro, clamam os fanáticos do vídeo tape que desviou na zaga,mas apenas os míopes da alma não veriam o toque de arte, o único toque de arte do artilheiro do improvável nesta pintura de gol que coroava mais uma goleada tricolor.

Foi mais um gol, um único gol, um gol 100%.

O restante inútil da partida era só um calmante para que a feliz torcida tricolor pudesse  dormir e trabalhar sem a euforia enganosa dos placares elásticos. Era só um aviso que estamos começando sem gastar o futebol, guardando-o pras batalhas que virão nas próximas fases onde garantimos o direito de disputar hoje.

Hoje o Futebol passou na janela, mas La carolina não viu.. e nem precisava, bastava um gol, aquele que coroa nossas goleadas.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Assistência - Passes pra gol da semana - 28/03


Dicas de leituras, Cinema, Livros que são verdadeiros passes açucarados pro gol de placa da sua mente. Passes pro delirar da geral da inteligencia, informações, dicas, deleites.


Vai, é só fazer!






"O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia"



Autor de centenas de frases célebres, Millôr Fernandes também já deu seus pitacos futebolísticos. Sobre outros esportes também. Aqui vai uma pequena lista de suas pérolas.

Onde? No Jornalheiros





Escreveu Nelson Rodrigues que “a mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana”. Mas Nelson não foi o único a reunir, no mesmo campo, a literatura e o futebol. A lista de escritores que usaram a bola, os clubes e os times futebolísticos como tema é bastante extensa. Em Millôr definitivo – a Bíblia do caos, que a L&PM publica em formato especial, o genial Millôr Fernandes transcorre seus pensamentos sobre os mais variados assuntos, entre eles, claro, o futebol. Vamos combinar que, em tempos de Copa do Mundo, essa é uma leitura perfeita.


Onde? No Blog da L&PM



Documentário sobre o cenógrafo e diretor teatral Gianni Ratto, nascido na Itália em 1916 e radicado no Brasil desde 1954. Acompanhado de sua filha, Gianni refaz o percurso geográfico de sua vida, passando por Gênova, Milão, Florença, São Paulo e Rio de Janeiro, visitando lugares e pessoas que marcaram sua trajetória. A cada encontro vivido, no decorrer do percurso, Gianni fala de seus trabalhos e revela as idéias de quem não só executa mas pensa o teatro sob a perspectiva de um humanista.

O Documentáiro contém depoimento do Grande Millôr Fernandes




Em alguns milhares de frases temos uma amostra da produção de mais de meio século deste que é um dos maiores intelectuais brasileiros de todos os tempos. Tendo passado por praticamente todos os meios de expressão (jornalismo, humor, desenho, pintura, poesia, teatro, cinema), Millôr Fernandes, nos últimos 60 anos, deixou sua marca definitiva na história, na arte e na imprensa brasileira. Cético, irreverente, sempre moderno, participou de todos os movimentos de renovação cultural dessas décadas, foi alvo de perseguição, censura sistemática e, no entanto, construiu uma obra invejável pela extensão e pela qualidade: mais de 100 peças de teatro (entre traduções, textos originais e colagens), presença constante na imprensa semanal e diária (O Cruzeiro, Pif-Paf, O Pasquim, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo etc.), exposições de pintura e desenhos, roteiros de filmes, letras de músicas, participação em shows musicais, na televisão, dezenas de livros publicados e mais o site www2.uol.com.br/millor/.

Aqui estão reunidas 5.299 frases escritas e proferidas todo esse tempo. Nesta 15ª. edição que a L&PM Editores publica em formato e acabamento especiais, foram incluídas 157 frases selecionadas da produção recente de Millôr Fernandes.

Trata-se de um fantástico conjunto de preciosidades intelectuais. Aos milhares de admiradores do autor podemos garantir que Millôr Definitivo é uma síntese (!) do pensamento de Millôr Fernandes. Frases que narram a nossa história recente e traduzem de maneira genial o que se viu, sonhou, sofreu e vibrou nestas últimas décadas.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Leiteria - A Solidariedade contra o Estádio

Por Gilson Moura junior

Era 1973. O Chile acabava de sofrer um golpe de estado que afastou do poder o Socialista Salvador Allende assassinando-o e aprisionou de centenas a milhares de pessoas em todo o país, usando inclusive o Estádio Nacional como campo de prisioneiros e de torturas.

Era 1973 e iniciava-se uma das mais longes e cruéis ditaduras da história, com assassinatos e torturas para dar e vender, com a  crueldade que inspirava e assassinava a canção de Victor Jara e Violeta Parra, direta ou indiretamente.

Era 1973 e o Chile conhecia sua primeira ditadura e as botas estadunidenses vestidas por chilenos em sua sanha pelo controle da América Latina que já havia feito vítimas no Brasil e nascia também na Argentina, no Uruguai e México vestida com a farda verde dos militares.

Era 1973 e o grito de gol foi substituído pelo urro de dor no Estádio Nacional de Santiago do Chile. Era 1973 e o sangue manchava pela primeira vez as luvas de pelica dos cardeais da FIFA em um processo que levaria cinco anos depois à Copa do Mundo da Argentina, bancada e usada pelos ditadores como propaganda do regime.

Era 1973 e ao menos um ato, um urro silencioso foi ouvido em Novembro, quando a Seleção Chilena enfrentaria, não um rival, uma outra seleção, mas a si mesma diante do silêncio da denuncia.

O Estádio Nacional abrigava agora a marca do sangue das vítimas do estado. Ao invés de uma partida de futebol, uma denuncia feita pela recusa da URSS em jogar a repescagem contra a equipe chilena, abrindo mão de participar da Copa do Mundo em nome da denuncia da barbaridade cometida no Estádio Nacional.

Podemos nos perder aqui numa comparação sobre ditaduras, como se o fato de um país ter sido palco das crueldades de Stálin o tornasse eternamente refém do fato e silenciado sobre qualquer crítica a atos bárbaros. Se assim fosse todos os estados nacionais silenciariam sobre o todo. A Escravidão não torna-se amena se falar inglês ou francês e não idiomas lusófonos.

A questão é que diante do mundo o silêncio no Estádio Nacional promovido pela recusa soviética soou como um grito de gol. Um grito de Gol construído pela solidariedade com torturados e mortos onde antes se jogava a bela bola chilena. Um grito de solidariedade comunista sim, um grito de solidariedade militante.

Diante de um mundo inteiro vimos a solidariedade contra o Estádio. Ouvimos o silêncio e nele se percebia o urro das denuncia das mãos quebradas de Victor Jara, as unhas arrancadas de tantos chilenos que apoiavam um governo democraticamente eleito, a morte da democracia, assassinada, estuprada.

Sabemos disso por termos arquivos sobre o fato, termos fotos, termos o histórico da partida, a cobertura internacional. Sabemos sobre as vítimas da ditadura chilena pela abertura dos arquivos e pela existência de relatórios que investigam os atos do estado contra indivíduos que lutavam ao lado de um governo e leito.

Sabemos do silencioso grito de gol e do eloquente silencio torturado do Estádio Nacional e também das vítimas que no estádio foram conduzidas pelo estado ditatorial de Pinochet à morte. Sabemos disso tudo por existir no Chile arquivos abertos da ditadura. Enquanto no Brasil o silêncio impera, a busca da ocultação  dos atos dos ditadores segue ferrenha, inclusive com anuência da mídia que sustentou a ditadura militar.


Cobramos responsabilidade do Estado sobre tudo, sobre os impostos, sobre a copa, sobre o Futebol e nos calamos sobre os corpos empilhados nas manchadas mãos dos cúmplices coma  tortura que guardam cadáveres em arquivos e a vergonha do assassínio na alma ferida de nosso país.

Cobramos por impostômetro a redução de tributos, sem refletir para onde vão e o que pagam, mas nos calamos sobre milhares de  famílias que não sabem onde estão seus filhos, irmãos, namorados, que não voltaram mais.

Cobramos a prisão de Ricardo Teixeira e de Havelange, mas ignoramos a  participação da FIFA na sustentação de ditaduras e no uso de ditadores para alavancar um processo de enriquecimento nunca vista da entidade e de seus dirigentes.

Reclamamos que perdemos a copa de 1978, mas fingimos não ver que o maior vencedor da copa tinha sangue nas mãos e vestia a farda do exército argentino.

Ditaduras e Futebol se entrelaçaram na América durante as décadas de 1960, 1970 e parte da década de 1980, como comprova o clássico "Onde a ARENA vai mal,: Um time no nacional". E o simbolo disto pode ser visto inteiro, imponente, em Santiago do Chile, é o Estádio Nacional.

Neste Estádio uma manifestação denunciou pela recusa, pelo silêncio, a arbitrariedade. Neste Estádio uma seleção se recusou a jogar onde companheiros de ideologia foram mortos.

Neste Estádio jogou-se a partida mais importante da Copa do Mundo de 1974, a partida da Solidariedade contra o Estádio.  Quem venceu no dia foi a URSS com sua recusa, mas a manutenção do silêncio sobre mortos e desaparecidos, com anistias e manutenção de inimputabilidade dos assassinos e torturadores indicam que ao fim o Campeonato foi vencido pelo Estádio.




Este post faz parte da Quinta Blogagem Coletiva #desarquivandoBR  que se realizará de 28 de março a 02 de abril cuja convocatória pode ser lida aqui: http://desarquivandobr.wordpress.com/2012/03/18/convocacao-da-5a-blogagem-coletiva-desarquivandobr-3/

terça-feira, 20 de março de 2012

Assistência - Passes pra gol da semana

Dicas de leituras, Cinema, Livros que são verdadeiros passes açucarados pro gol de placa da sua mente. Passes pro delirar da geral da inteligencia, informações, dicas, deleites.

Vai, é só fazer!




Na Lei da Copa, cerveja ainda é questão de soberania nacional. Beberam?

O deputado federal Gilmar Tatto, do PT, afirmou à rádio Estadão ESPN que a Lei Geral da Copa será aprovada e sua expectativa é que isso ocorra ainda nesta semana. Na entrevista, relatou a dificuldade do acordo, o que relata parte do fiasco da articulação do governo, especialmente em aceitar a venda de bebidas alcoólicas nos estádios no período do Mundial.

Essa é só uma parte do fracasso. Há outra muito mais grave: ninguém se lembra como e por que a cerveja foi proibida nosm estádios.




Contrariando Eclesiastes


É óbvio que esta culta e religiosa plateia, apreciadora de uma boa exegese, sabe que o lento processo civilizatório baiano foi erigido a partir da seguinte e retórica indagação largada por Eclesiastes há mais de doismilanos. Às aspas. “Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?”(Sentiu a pancada, herege? Então, vá fumar um cigarro e retorne, pois hoje vai ser fenomenologia pra mais de metro.)

Onde? No Impedimento

Dica de Filme: O Milagre de Berna (Critica do Site Adoro Cinema)



Dois eventos marcaram a história da Alemanha no pós-2ª Guerra Mundial: a queda do Muro de Berlim e a histórica vitória da Seleção da Alemanha na Copa do Mundo de 1954, que ficou conhecido como o milagre de Berna, numa referência à cidade suíça onde ocorreu o jogo. As lembranças do jogo, que deu à Alemanha seu 1º título mundial, são mostradas através da família Lubenski, que vive na pequena cidade de Essen-Katernberg.



Dica de Livro: Gigantes do Futebol Brasileiro (resenha do site Universidade Aberta do Futebol Brasileiro)


A obra que virou referência da literatura esportiva em 1965 e mostra os perfis de 21 craques brasileiros ganhou uma nova edição.

Com ilustrações de Ique, ela chega aos leitores com atualizações importantes: inclusões dos perfis de Didi, bicampeão mundial com o Brasil em 1958 e 62, e de Ademir Menezes, artilheiro da Copa do Mundo de 1950. Ausências na edição original reconhecidas como erros por João Máximo.

"Didi foi uma falha universal, unânime. Mas o Ademir foi uma falha pessoal minha. Porque foi um jogador da minha geração, (do meu tempo) de adolescente. Foi um ídolo do futebol brasileiro da ocasião. E uma figura humana maravilhosa", disse o jornalista.

Outros craques que atuaram após 1965 também mereceram inclusão no seleto grupo, como Zico, Falcão, Romário e Ronaldo.

A edição 2011 apresenta perfis de Freidenreich, Fausto, Domingos da Guia, Leônidas da Silva, Tim, Romeu, Zizinho, Heleno de Freitas, Ademir, Danilo Alvim, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Pelé, Gerson, Rivellino, Tostão, Falcão, Zico, Romário e Ronaldo.

Em relação ao livro de 65, a única exclusão foi a de Jair Rosa Pinto, titular da seleção brasileira no Mundial de 50. Devido à falta de autorização da viúva do ex-jogador.

Marcos de Castro contou como surgiu a ideia de elaborar a atualização do livro.

"Nasceu em um dia que olhei para estante e vi o livro envelhecido. Achei que podia merecer uma nova edição. Então, levei para Luciana Villas-Boas, executiva da editora Record, que se entusiasmou pela ideia. Depois, levei o João Máximo e tivemos uma longa conversa. Acertamos novas figuras. O que não esperava é que ficasse tão rica, bonita e toda colorida", disse Marcos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Leiteria - Uma ducha no pó-de-arroz

Por Gilson Moura Junior

A torcida Vascaína planeja protestar  contra o racismo sofrido pelo Zagueiro Dedé  por parte da torcida paraguaia no jogo de ida contra o Libertad no Paraguay. Este protesto será feito no jogo que fará contra o mesmo time em São Januário pela Copa Libertadores. 

Este ato da torcida relembra o ocorrido em 1924 quando em repúdio ao ato da AMEA (Associação  Metropolitana de Esportes Athleticos) de excluir o Vasco da disputa do Carioca acusando-o de usar atletas profissionais no campeonato, que era amador.  

A AMEA era um embrião do que é hoje a FERJ, e buscava impedir, liderada por Fluminense, Flamengo e Botafogo,  que o Vasco continuasse triunfando nos campeonatos cometendo dois pecados: O de usar negros e mulatos e o de usar negros e mulatos pagos para jogar.

Não dá obviamente pra reduzir tudo a um repúdio racista dos clubes da Zona Sul e nem tampouco ignorar que havia também um repúdio à profissionalização. Além disso, é obrigatório citar que o Bangu, primeiro clube a ter negros em seus times e que sempre os teve, o América, outro clube que desde 1904 também possuía negros em seus times, também ficaram do lado dos grandalhões da elite ( E isso nem sou eu quem digo, é só fuçar no "O Negro no Futebol Brasileiro" do Mário Filho), o que leva à problematização da questão embutindo o tema do profissionalismo no papo. 

No entanto é inegável que todo o processo, inclusive  o motivo da ojeriza ao profissionalismo, era um problema cujo plano de fundo era a recusa da ampliação de quadros negros e mulatos na prática do Football que teimava em querer virar futebol.

Esse movimento levou ao Vasco a ganhar mais do que pontos na História, sendo um orgulho pra o clube, sua torcida e atraindo vários militantes dos movimentos anti-racistas para sua esfera de atração. E óbvio que isso com imensa razão, porque a postura do Clube foi exemplar em uma ilha de racismo, elitismo e exclusão que era o futebol no inicio do século XX que teimava em manter sportsmen alimentados com leite de pera distantes da grande maioria da população tratada como sub-humana pelas elites dirigentes de Fluminense, Flamengo e Botafogo. 

Nesse momento os Sportsmen tentaram salvar o que restava de seus planos de manter a bola longe dos Boleiros e pra sorte nossa sofreram um fracasso retumbante. Os Boleiros roubaram a bola dos Sportsmen e fizeram um gol de placa.

Neste episódio todo o Fluminense Footbal Clube, clube pelo qual nutro amores imensos e fanáticos, ficou com o nada legal rótulo de "racista", como se único, como se isolado, como se o detentor, formador e gerador de  uma política coletiva de uma elite racista encastelada na zona sul  e  que convenceu até o clube de operários Bangu Athletic Club e o também elitista clube do Andaraí América Footbal Club. 

A inegável liderança tricolor no mundo do esporte que muito alegrou e alegra sua torcida, neste caso se tornou geradora de um episódio causador de uma imensa nódoa em sua história. E serviu de álibi para coadjuvantes destacados e atuantes como o Flamengo e o Botafogo, que em suas regatas se omitem na história para assumir a co-autoria deste crime, sendo um  inclusive um usuário contumaz de sua popularidade pra fingir que não cometeu o antipopularíssimo ato racista contra o Vasco.

Esse episódio se liga a questões menos citadas que nascem lá na virada do império para a república, opondo uma elite nascida no Brasil aos requicios lusitanos de uma elite mantida ao redor dos palácios imperiais de São Cristóvão, sendo, portanto, um dos fundadores da rivalidade Fluminense e Vasco - e ouso dizer: da oposição do Vasco, um clube com raízes suburbanas, aos times da zona sul (Mesmo que o Vasco tenha nascido como um clube da elite portuguesa quando esta era a tal e não a nova elite, que, nascente, passa a residir na zona sul).

No meio dessa história toda, onde a torcida do Vasco mete bronca no exemplo e protesta trazendo um lado legal de suas raízes pra o protagonismo da luta contra esse mal fedorento que é o racismo, o lançamento pelo clube de uma campanha recente contra o racismo, e relembrando a carta de 1924, também,  é também bastante legal.

Seria muito legal também se os clubes formadores da história toda, os que lançaram o manifesto racista pela exclusão  de jogadores do time do Vasco em 1924, tomassem uma atitude que alimenta e fizessem uma mea culpa apoiando medidas anti-racistas, propagandas nos estádios,etc.  O Fluminense em especial poderia ser um exemplo ao assumir o ato racista de 1924 e efetuar um mea culpa, aderindo formalmente à luta anti racista. 

Um clube protagonista na própria formação do Futebol Brasileiro não pode ficar ad eternum acompanhado da nódoa do racismo oficial em suas belas cores. É antes  de mais nada um  dever do tricolor lutar pela superação de atos contrários à própria fidalguia propagada aos cinco cantos pelas hordas de fanáticos das três cores que traduzem tradição. Não somos os mais educados? É educado ser racista ou ocultar que o foi? Que mensagem ainda queremos passar em nosso elitismo? O bom da Elite,  o exemplo, ou o mal, a exclusão?

É chegada  a hora de lavar o pó-de-arroz do rosto e batalhar pra por lado a lado com nossos erros que culminaram na mancha racista (A exclusão do Vasco em 1924 e o episódio pó-de-arroz em 1914) o acerto da luta anti-racismo e um mea culpa por nossa história ter manchas cruéis do legado de uma elite escravista.

Tá na hora do tricolor ter mais vergonha de seu passado racista do que da besteira de rivais que o acusam de "dever a série B". 

O Coritiba, que sofre com a mesma fama de racista, dá o exemplo ao fazer debates a respeito do racismo no Futebol Patrocinado por ele. O ganho disso como marketing, história e honra para um time com a grandeza do Fluminense seria incomensurável e ajudaria também à medidas de redução do racismo em suas fileiras, de educação e exemplo para todas as outras torcidas.

Não podemos ser responsabilizados pelos crimes do passado, mas podemos mudar o futuro assumindo parte da luta pela correção do semelhante no futuro e lamentando que antepassados ajudassem a construir o racismo do presente.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Gino Trombador - E a Libertadores foi eliminada da Champions League

Por Paulo Ferraresi Pegino

O sonho da ponta da bota de conquistar a Europa acabou. Pelo menos nessa temporada. Ontem, o Nápoli foi eliminado da Uefa Champions League jogando um futebol apático e até um pouco covarde na Inglaterra. O Chelsea, time de uma temporada instável e com um futebol sonolento e burocrático não teve lá grandes dificuldades para reverter o placar do jogo de ida, quando foi atropelado por 3 x 1 por um Napoli avassalador na Itália. Em Londres, o time inglês enfiou um sacode de 4 x 1 e passou fácil para as quartas de finais da liga.

Nessa temporada, o Napoli era o representante europeu do futebol latino. Para ser mais exato, era tal qual um time argentino quando joga Taça Libertadores: uma torcida barulhenta e apoiadora até nos piores momentos, um jogo de muita pressão em casa, até mesmo contra adversários tecnicamente superiores, e muito talento do meio de campo pra frente. Foi assim, por exemplo, que o Napoli conseguiu virar o jogo de ida contra esse mesmo Chelsea. Vale ressaltar que fazer pressão em casa contra adversários mais fortes não é lá muito comum na Europa. De praxe, ciente de sua inferioridade técnica, um time menor se porta como num burocrático jogo de xadrez: se fecha, tenta anular as principais jogadas do adversário mais poderoso e, com uma disciplina tática irritante, vai aos poucos encaixando seu jogo. Não era assim que a banda tocava no San Paolo lotado. Lá, o Napoli tacava fogo no jogo, na torcida e no adversário.

As coincidências entre o Napoli e os hermanos continuam: o ataque é fino. Tem o matador uruguaio Cavani, o talentoso meia-atacante argentino Lavezzi e o habilidoso chileno Vargas. Todos rápidos e de decisões inteligentes. É comum um deixar o outro na cara do gol, e a raça pra jogar bola sobra; o problema é que a argentinização continua na outra ponta do time. Assim como os conterrâneos de Messi, o Napoli tem uma defesa frágil (exceção honrosa ao goleiro De Sanctis). Junto com a apatia do jogo da volta, a defesa foi a sua ruína na liga.

Esse DNA latino, aliás, vem de longa data. O melhor Napoli de todos os tempos era o da dupla Maradona e Careca. Esse time também contava com a inteligência do Alemão no meio campo. Foram bi campeões italianos e campeões da Copa da Uefa (atual Uefa League). Diz a lenda, ainda, que a torcida italiana que lotava o San Paolo, em Napoles, na seminifinal da Copa do Mundo de 1990 entre Itália e Argentina estava dividida.

Uma parte torcia pela pátria, já a outra não esquecia que era napolitana e sulista e que, em geral, era vítima dos preconceitos mais imbecis por parte de seus conterrâneos do norte rico. Essa metade ficou feliz quando a Argentina passou para a final depois de vencer os italianos nos pênaltis.

De agora em diante, o que sobra na UCL são figurinhas carimbadas: Barcelona, Real Madrid, Milan, Chelsea, Bayern de Munique... Todos poderosos. Ainda, figuram outros dois tradicionais, mas com um pouco menos de grife: Benfica e o novo rico Olympique de Marselha. Fechando a lista, a zebraça cipriota Apoel. A Libertadores ficou órfã de seu único representante na UCL. Uma pena. 


Leiteria - A Batalha das Oficinas

Por Gilson Moura Junior

Não a vi, mas a intuía. Não a vi, mas saboreava-a.

A ignorância que compromissos pessoais exigia como paga não cegava-me à batalha que pavimentaria mais um pedaço da estrada tricolor à Glória. Entendia a dura e suada batalha pela conquista da cidadela de Bolivar.

À beira da rua das oficinas rugia o estrondo de um soberbo esquadrão diante de uma bem construída muralha que conteria os arroubos arrogantes de guerreiros iludidos por um "aprendizado" desta guerra pela libertação como quem esquece a paciência necessária para superar os obstáculos que toda guerra exige.

Como avisara o Comandante, a batalha exigiria paciência, entrega de guerreiros e nação para a superação da aguerrida resistência da humilde, porém séria, cidadela bolivariana. E nada mais próprio, poético e simbólico que o golpe fatal para a derrocada dos resistentes que um balaço proferido pelo mais humildade dos guerreiros, o recém chegado e contestado Zagueiro Anderson.

O Esquadrão entendeu a lição ou voltará a entrar em campo armado de vaidade e soberba diante de mais um valoroso adversário? A caminhada para a glória é longa, dura, exige mais que apenas esforço, exige alma, exige a sabedoria dos que caem e retornam do inferno para a construção do palácio do legado histórico.

Quem aprende o segredo das batalhas não dá cotoveladas em adversários arriscando-se a  expulsões e suspensões, coisa que um de nossos principais guerreiros parece ter esquecido em meio a seus discurso de "superação".

Superamos mais um obstáculo, demonstramos flancos, falhas, brechas, que nossos inimigos saberão explorar. Mostramos mais virtudes, a da paciência, a da insistência. Demos mais um passo retomando o caminhos das famosas "Goleadas Tricolores" de Zezé Moreira.

No mítico dia em que nossa vaidade enfrentou a humildade, o gol da humildade nos relembra tempos onde éramos o Timinho e levamos a taça.

Estamos no  caminho certo basta segui-lo com humildade.